Quarta, 22 de Novembro de 2017

Número de casos de gripe suína dispara no Japão

17 MAI 2009Por 17h:59
      

        Da redação 

         O número de casos da gripe suína dispara no Japão e coloca a Organização Mundial da Saúde (OMS) em alerta para uma eventual declaração de pandemia. Amanhã, o Brasil usará a abertura da Assembleia Mundial da Saúde em Genebra para apelar para que a OMS intervenha, garanta o acesso a remédios a todos os países e estabeleça um novo acordo para a transferência de informações e tecnologias relacionadas a pandemias. No fim de semana, o governo americano rejeitou um acordo. Dados da OMS apontam que a gripe suína já afetou 8,4 mil pessoas, em 39 países, com 75 mortes. A OMS não escondeu que voltou a ficar preocupada com o aumento no número de casos fora da América do Norte. Para que uma pandemia seja declarada, a entidade precisa ver surtos fora das Américas. Hoje, a entidade está em um nível de alerta pré-pandêmico, mas ainda admite que a pandemia é "iminente".
        A preocupação é de que o Japão e a Europa sejam os principais candidatos de desenvolver surtos autóctones. No fim de semana, o Japão alertou que os casos de gripe dispararam, passando de apenas cinco casos para 44. Tóquio confirmou que não se trata apenas de casos de pessoas que retornavam do México ou Estados Unidos, mas de pessoas que sequer tinha saído do país. Dezenas de casos foram registrados em adolescentes e escolas foram fechadas e eventos e festivais cancelados. "Precisamos acompanhar de perto o que ocorre no Japão", afirmou Gregory Hartl, porta-voz da OMS.
        "Não queremos prejulgar nada. Mas certamente isso é algo que teremos de seguir com interesse", disse. Imediatamente após o anúncio, pessoas passaram a usar máscaras. Outra preocupação é com o aumento dos casos na Espanha e Reino Unido, cada um com mais de cem casos. O governo russo emitiu ontem um alerta para que seus cidadãos evitem viajar para a Espanha. Hoje, o Reino Unido confirmou 14 novos casos, dos quais onze foram transmitidos dentro do próprio país.
        Mas nem o aumento no número de casos abriu a porta para um entendimento político entre governos. No centro de um embate diplomático está o controle de vírus e vacinas. O governo americano se recusou assinar um acordo que garante acesso à tecnologias e amostras de vírus por todos os países. A Casa Branca não quer nem mesmo que o tema continue na agenda diplomática nesta semana e seu objetivo é enterrar qualquer compromisso para que os países sejam obrigados a transferir tecnologia ou vacinas. Já o Brasil tenta, nos bastidores, apoios para conseguir que o debate volte à mesa de negociações. A rejeição americana está relacionada com o fato de que países emergentes estejam pressionando para garantir um compromisso legal de que todos os governos deem acesso às tecnologias para a produção de vacinas e de remédios.
        Em declarações ao Grupo Estado, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, defendeu a interferência da OMS junto aos produtores de vacinas e de remédios em todo o mundo para garantir que todos os governos tenham acesso aos produtos. "O País quer que o setor privado e as instituições públicas produtoras, ao desenvolverem vacinas, insumos diagnósticos e medicamentos contra o vírus da nova gripe, devem conceder à OMS licença voluntária para sua produção por todos países, em especial aqueles em desenvolvimento", alertou Temporão, que hoje já iniciou os encontros com o governo da Espanha. "Diante do risco de pandemia, não pode haver privilégios entre os habitantes de países, de forma distinta, no acesso a essa tecnologia. Não se questiona, aqui, o direito de patente, mas a construção de um modelo que permita o acesso ao tratamento, diagnóstico ou e medidas preventivas, como no caso da vacina", defendeu. "Isso requer que haja uma descentralização da produção, permitindo que os países executem os seus planos de contingência e atendam às necessidades de sua população", disse o ministro.
        Temporão ainda explicou que o Brasil defenderá o acesso aos benefícios das pesquisas científicas a todos os países membros da OMS. "Afinal, são informações obtidas pela organização dos diversos sistemas de públicos e analisadas por instituições credenciadas pela OMS. Assim, são dados que pertencem a toda a comunidade internacional", alertou.
        O presidente mexicano, Felipe Calderón, também declarou que quer que a vacina seja desenvolvida dentro da rede de laboratórios da OMS para garantir que não sejam patenteados e nem que os preços cobrados fiquem fora dos orçamentos dos governos mais pobres. Para o México, a vacina precisa ser um "bem público global".
        No centro do debate está, na realidade, a capacidade de países emergentes de produzir suas próprias defesas. Entidades como a Oxfam alertaram para o risco de uma falta de vacinas aos países mais pobres. O grupo alerta que metade da capacidade de produção de vacinas no mundo já estaria negociada para que seja utilizada para abastecer Europa e Estados Unidos com a vacina. De fato, o governo do Reino Unido anunciou um acordo para a compra de 90 milhões de doses da vacina que sequer ainda foi produzida. O Ministro da Saúde, Alan Johnson, fechou o acordo com a GlaxoSmithKline e com a Baxter. "O vírus tem o potencial de se transformar em uma pandemia", alertou. Segundo ele, o acordo permite que metade da população britânica tenha a vacina a partir de dezembro. Os governos dos Estados Unidos, Suíça, França e Alemanha também já fecharam pré-acordos com as farmacêuticas. (informações da Agência Estado)
        

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