Sexta, 24 de Novembro de 2017

Novo cenário

10 FEV 2010Por 00h:00
Racha foi um termo típico do Partido dos Trabalhadores em Mato Grosso do Sul ao longo dos últimos anos, principalmente por conta da disputa entre duas das principais lideranças, o senador Delcídio do Amaral e o ex-governador José Orcírio. Recentemente, pelo menos em público, os ânimos foram apaziguados e, ao que tudo indica, a agremiação está unida. Agora, contudo, às vésperas do período eleitoral, o que parecia ser algo típico dos petistas começou a ficar visível entre aqueles que tradicionalmente foram seus rivais. Embora de partidos diferentes, talvez por questões de conveniência, para garantir o horário gratuito na TV e para impedir que possíveis adversários de fato ocupassem o espaço, estes políticos há muito mantinham o discurso alinhado e com o mesmo norte. E não era só o discurso. Os interesses normalmente foram compatíveis, tanto que, quando o então prefeito de Campo Grande, André Puccinelli, "amarelou", a tucana Marisa Serrano foi para o "sacrifício". Como recompensa, mais adiante foi escolhida candidata a vice de Nelsinho Trad e, posteriormente, representante deste mesmo grupo para disputar o Senado. Alianças semelhantes ocorreram nas disputas pelas vagas na Câmara federal e à Assembleia Legislativa. Por conta de prováveis alianças para a Presidência da República, esta harmonia que reinou por longos anos parece estar seriamente abalada. O presidente da Assembleia Legislativa, uma espécie de porta-voz do governador, disparou contra a senadora Marisa Serrano. O prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, aparentemente sem consultar ou avisar aos demais integrantes deste grupo, anunciou sua preferência pela candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, contrariando visivelmente os interesses do governador André Puccinelli, o qual dá seguidos sinais de que ficará neutro na disputa presidencial. Esta indefinição, por sua vez, está tirando a calma dos tucanos, que precisam arrumar palanque para o candidato tucano, provavelmente José Serra. Por conta disso, talvez, após quase três semanas, decidiram agora revidar aos ataques feitos pelo presidente da Assembleia. Diante deste quadro, a sucessão estadual, que há cerca de um ano parecia algo definido em favor do atual governador, passa a ser uma incógnita. O próprio presidente regional do PSDB, Reinaldo Azambuja, reconheceu com todas as palavras que o PMDB "vai enfrentar uma eleição difícil" no Estado. Esta dificuldade, embora em grande parte reflexo da administração feita ao longo dos últimos três anos, certamente será fruto dos rachas que recentemente vieram à tona. E, quando existem cisões, aparentes ou não, está evidente que caiu o ponto de unificação. Ou seja, o "chefe" de determinado grupo perdeu sua força ou poder de liderança, independentemente da forma como ele se mantinha neste posto.

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