Quarta, 22 de Novembro de 2017

Noite maldormida pode levar à impotência

6 MAR 2010Por 03h:39
A pesquisa Mosaico Brasil, conduzida em 2008 por Carmita Abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, aponta que 50% dos brasileiros sofrem de algum grau de disfunção erétil. Em outro estudo – iniciado em 2007 e concluído em 2009 – revela que os problemas de impotência estão fortemente associados aos distúrbios do sono. Na conclusão de sua pesquisa, a doutora Mônica Levy Andersen aponta que a apneia é um dos maiores riscos para a disfunção erétil, e que na cidade de São Paulo, a quinta maior metrópole do mundo, ela atinge mais de 1.700.000 homens. Entende-se por dificuldade de ereção a incapacidade de obter e/ou manter uma ereção suficiente para um desempenho sexual satisfatório. A disfunção psicogênica é mais frequente em homens mais jovens, geralmente relacionada à insegurança, à ansiedade ou à depressão. Com o avançar da idade, é comum o homem sentir maior dificuldade em manter o pênis ereto, por razões orgânicas – normalmente associadas à privação do sono, à pressão alta, ao colesterol elevado, à diabete ou a problemas cardíacos – ou mista (mescla de orgânica e psicogênica). Em qualquer dos casos, o grau da disfunção pode variar entre leve, moderada e completa. Atualmente, existe tratamento para todos os graus e tipos de dificuldade de ereção e o médico pode ajudar a melhorar a vida sexual do paciente. “O sexo influi na qualidade de vida de homens e mulheres; a satisfação sexual depende de um conjunto de fatores de ordem física e emocional. Por isso, é importante a orientação do médico para o tratamento adequado”, explica Carmita. Na pesquisa sobre a qualidade do sono, da doutora Andersen, restrita aos homens – por estar relacionada à impotência sexual, concluiu-se que os voluntários com idade entre 20 e 30 anos tinham problemas irrelevantes em termos percentuais. Mas 12% dos homens na casa dos 40 aos 49 anos apresentavam disfunção erétil; 22% dos que ficavam entre 50 a 59 anos, também. E o número aumentava entre os mais velhos: acima dos 60 anos, 63% tinham o problema. A razão de tudo: a disfunção erétil, normalmente relacionada a inúmeros fatores, tinha sua origem em uma noite maldormida causada pela apneia, a parada respiratória que ocorre durante os vários ciclos do sono. A pesquisa conduzida por Andersen recebeu o prêmio de US$ 20 mil da L’Oreal Unesco para Mulheres na Ciência, em 2009. O prêmio foi entregue em consequência do pionerismo da metodologia empregada na pesquisa. Enquanto boa parte dos estudos são realizados apenas por meio de questionários, este foi desenvolvidas in loco, em laboratório. “Ao levar as pessoas para dentro do laboratório tivemos a chance de fazer uma análise completa, com exames de sangue, hormonais, otorrinolaringológicos, além de aplicar os habituais questionários com perguntas relativas à rotina dessas pessoas”, finaliza Andersen.

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