Segunda, 20 de Novembro de 2017

No Morada Verde, medo é ter que sair de uma favela para outra

18 JUL 2010Por 21h:52
“Não queremos sair de uma favela para entrar em outra. Ir para outra área e ficar debaixo de lona, com criança? Não dá”. Assim o açougueiro Alex Oliveira, de 27 anos, resume a opinião da maioria das 68 famílias que há três anos ocupam uma área pública situada no Bairro Morada Verde. Casado e com um filho de 1 mês, ele mora em um barraco juntamente com os sogros e um cunhado com problemas mentais. Diz estar cadastrado na Emha, mas ainda não foi contemplado com uma casa.
A exemplo de Alex, o sonho de cada um dos moradores da favela do Morada Verde é sair do seu barraco diretamente para uma casa, porém a proposta da Emha, apresentada em reunião com uma comissão de representantes da favela, está longe disso, conta outra moradora, Mariluce Oliveira Silva, de 32 anos. “A Emha quer que a gente saia daqui por causa da obra da prefeitura, mas propôs que todo mundo vá para uma área verde no Dom Antônio Barbosa, ou no Santa Emília. Nós pedimos para ir para loteamentos no Jardim Cerejeira, Otávio Pécora ou no Jardim Noroeste, mas a resposta da Emha é que tudo está na mão do juiz”, disse.
Na sexta-feira à tarde, os moradores pretendiam fazer uma reunião, para chegar a um consenso sobre o que fazer. Uma das ideias é pleitear à Emha que as famílias vão provisoriamente para casas ainda não ocupadas de loteamentos prontos, até que seja construído um loteamento novo, para onde eles possam se mudar de forma definitiva.

Incerteza
“O coração fica aflito. Tirar a gente daqui para ir para outra favela? Melhor ir para dentro de uma casa. Três anos aqui não é brincadeira”, conta a doméstica Sara Rodrigues Rufino, de 19 anos. Junto com o filho de 3 anos, Davi, ela habita um barraco de um cômodo só, vizinho a um empreendimento habitacional do governo estadual —  e sonha com a própria casa. “Tenho condições de assumir (as despesas)”, garante.  
Casada e com três filhos, Edivânia Martins, de 24 anos, teme ser transferida para área próxima ao lixão, porque as famílias da área do Morada Verde já teriam sido ameaçados pela comunidade de uma favela nos arredores do Dom Antônio Barbosa. Com a repercussão pública da situação dos moradores na semana passada, o risco imediato de remoção foi afastado. “Antes, o pessoal da Emha chegou aqui e disse que a gente tinha três dias pra sair. Agora, não falaram mais em prazo”, comentou a moradora.
Maria de Lourdes da Cruz, de 47 anos, que divide um dos barracos na área do Morada Verde com o marido e cinco filhos, mantém a esperança de ser beneficiada com uma casa da Emha, até mesmo porque essa é sua única alternativa. Ela e a família moravam com sua sogra em Corumbá, mas Maria de Lourdes teve leishmaniose e precisou mudar-se para Campo Grande, onde está há um ano, para fazer tratamento. Foi morar na área do Morada Verde, onde já estava sua filha. Curada, diz não ter mais como voltar para o antigo endereço, porque a sogra foi morar com uma filha e alugou o imóvel. “Fiz cadastro na Emha e estou esperando. Sair daqui pra ir para outro barraco não dá e dinheiro para comprar (uma casa) está difícil”, disse. (DA)

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