Domingo, 19 de Novembro de 2017

No inverno, piscicultura exige manejo diferente

26 JUL 2010Por 08h:04
Segundo a veterinária Márcia Mayumi Ishikawa, pesquisadora da Embrapa Agropecuária Oeste, agora que o inverno se aproxima, algumas medidas preventivas são recomendadas para as pisciculturas. Ela informa que a primeira medida consiste em organizar e planejar as atividades para evitar o manejo dos animais nos períodos mais frios. Em segundo lugar, utilizar ração de boa qualidade e, se possível, ração formulada para o período frio, iniciando antes do período de inverno. Adotar ações de “Boas Práticas de Manejo” na propriedade como medidas de higiene, acompanhamento da qualidade da água, treinamento da mão-de-obra e evitar sobra de ração são recomendações básicas que devem ser seguidas na rotina de qualquer piscicultura. No inverno, os cuidados com a alimentação e o monitoramento da qualidade da água devem ser redobrados.
Outra ferramenta que o piscicultor pode adotar como prevenção para o inverno é o monitoramento parasitológico e hematológico dos peixes. Este monitoramento pode ser realizado através do envio de amostras de água do viveiro, amostras de sangue dos peixes ou de alguns exemplares suspeitos de estarem doentes para um laboratório capacitado para a realização dos exames. A intervenção no tratamento no início de uma doença é muito mais eficiente, mas, para isso, é necessário que se observe e se realizem os exames o mais cedo possível. O monitoramento utilizando a hematologia e exames parasitológicos podem ser realizados antes mesmo que uma doença se instale no viveiro.
O Laboratório de Piscicultura da Embrapa Agropecuária Oeste desenvolve atividades na área de sanidade de organismos aquáticos e, desde outubro de 2007, foram iniciadas atividades do Projeto Componente Estado Sanitário de Organismos Aquáticos Cultivados, PCSanidade do Aquabrasil. Resultados preliminares do trabalho envolvem desde casos acompanhados no laboratório e visitas técnicas às pisciculturas, até experimentos laboratoriais e a campo.
A equipe do PCSanidade está padronizando metodologias de diagnóstico rápido e de monitoramento do estado de saúde dos peixes, ou seja, ferramentas que possam identificar o agente e possibilitar o tratamento antes que todos os peixes do viveiro, ou mesmo todos os viveiros da propriedade, sejam acometidos pela doença.
Os resultados preliminares do PCSanidade demonstram a relação entre desencadeamento de doenças em peixe e descuido nas atividades relacionadas às “Boas Práticas” na propriedade. Recomenda-se, portanto, aplicar efetivamente e de maneira constante as ações preventivas na propriedade e, principalmente, adotar as “Boas Práticas de Manejo”, pois são muito mais eficientes do que o tratamento. Na maioria dos casos de mortalidade de peixes nas pisciculturas que foram acompanhadas pelo laboratório de piscicultura da Embrapa Agropecuária Oeste, a causa do problema foi decorrente de fatores ambientais, ou de manejo, e não biológicos como bactérias, fungos, parasitas ou vírus. Estes resultados demonstram que o tratamento indiscriminado com medicamentos, como antibióticos, deve ser evitado. O tratamento com medicamentos somente deve ser aplicado quando indicado por um técnico ou profissional habilitado. Os resultados discutidos anteriormente estão delineando os futuros trabalhos da equipe do PCSanidade na prevenção e no tratamento das doenças de peixe. Em breve, novas ferramentas e recomendações no manejo sanitário das pisciculturas estarão disponíveis para os técnicos e piscicultores.

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