Sexta, 24 de Novembro de 2017

No combate à dengue, agentes de saúde enfrentam vários problemas

27 JAN 2010Por NATHÁLIA CORRÊA07h:55
Os registros de assaltos cometidos por homens vestidos de agentes de saúde têm preocupado moradores de Campo Grande, que, por precaução, estão deixando de autorizar a ação dos verdadeiros servidores da área em suas casas. Esta é apenas uma das dificuldades encontradas pelos profissionais responsáveis por fiscalizar as residências que, de acordo com a prefeitura, representam 90% do foco da dengue. Em caso de desconfiança, a recomendação das autoridades de Saúde e Segurança Pública é para que os moradores confiram a identificação do agente de saúde, antes de deixá-lo entrar no imóvel. A população pode procurar pelo supervisor de área ou então ligar para o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), no número 3314-5000, e conferir os dados do profissional. Mesmo com 3.393 notificações de pessoas com sintomas da doença, registradas só neste ano, “a população insiste em não tomar conta de sua própria residência. Se tivéssemos o poder de acabar com o mosquito, com certeza faríamos isso, mas infelizmente o combate à dengue não depende só de nós”, lamentou a agente de saúde Sandra Pereira Gomes, de 27 anos. Cachorros bravos, moradores mal educados, “cada dia uma emoção diferente”, ironizou Sandra. A trabalhadora comentou que já foi atacada duas vezes por cachorros no momento em que fazia vistoria. Há três meses, um cão mordeu e arranhou sua perna, o que aumentou um trauma da mulher adquirido ainda durante sua infância. “O dono do cachorro sempre fala que o bicho é mansinho. Pode até ser com ele, mas esse tipo de ataque a gente não consegue prever, por isso é importante que o animal seja isolado enquanto fazemos as vistorias para prevenir esse tipo de fatalidade”, explicou a profissional. Mais problemas Atuando como agente de saúde há um ano, Cláudia Priscila Batista Moreira, de 22 anos, revelou que, em grande parte das residências visitadas, os moradores se recusam a acompanhar a fiscalização do imóvel. “A nossa missão é fazer, além da vistoria, o trabalho de conscientização para que o morador evite a proliferação do mosquito”, comentou. Para o agente de saúde Marcílio Faustino Nogueira, 55 anos, Campo Grande atualmente enfrenta uma nova epidemia de dengue em função da falta de higiene da população. “O povo é muito deslei xado. Transforma o quintal em lixão”. Conforme o trabalhador, no terreno é possível encontrar materiais como latas, garrafas e copos descartáveis, fazendo com que o local se torne um “paraíso para o mosquito”.

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