Quinta, 23 de Novembro de 2017

Nível de endividamento das famílias ainda é reduzido

1 SET 2010Por 06h:26
Glauber Gonçalves (AE)  

O nível de endividamento das famílias brasileiras ainda é baixo. Mas, entre as que têm dívidas, cerca de 38% afirmam não ter condições de pagar suas contas atrasadas no mês seguinte. As informações são de pesquisa domiciliar realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e compõem o Índice de Expectativa das Famílias (IEF), que mede o grau de otimismo quanto à situação socioeconômica do País.
De acordo com a pesquisa, 11,08% das famílias pesquisadas afirmaram estar muito endividadas, ao passo que cerca de 72% declararam estar pouco endividadas ou não ter dívidas. “Olhando para outros países, esse é um nível de endividamento muito baixo, pois a presença de crédito no Brasil também é muito baixa”, declarou ontem o presidente do Ipea, Márcio Pochmann
Ele alertou, no entanto, que o País deve estar atento ao alto índice de famílias que disseram não ter condições de pagar suas contas atrasadas. Na região Norte, mais da metade das famílias ouvidas pela pesquisa declararam estar nessa situação.
Apesar das dificuldades de quitar as dívidas, os brasileiros estão otimistas em relação à situação econômica do País nos próximos 12 meses. Em uma escala que varia de zero a cem, o Índice de Expectativa das Famílias ficou em 62,75 pontos. As famílias do Centro-Oeste são as mais otimistas (68,14 pontos) e as do Sudeste as menos confiantes (59,09), o que, segundo o Ipea, mostra grau de moderação quanto à situação do País.
Para Pochmann, o baixo grau de otimismo do Sudeste tem a ver com as especificidades da região. “O Sudeste, por ser a região mais desenvolvida do País, tem uma perspectiva diferente de outras regiões. Talvez essa diferenciação em termos de realidade econômica e social faça com que as famílias tenham uma visão um pouco diferente a respeito do Brasil como um todo”, avalia.
A pesquisa revelou que os índices mais altos de otimismo não estão nas famílias de renda mais baixa ou de menor escolaridade. São as famílias de renda de mais de dez salários mínimos e com curso superior incompleto as que mais afirmam que os próximos 12 meses serão de “melhores momentos” para a economia.
Quando o quesito é consumo, a expectativa das famílias é mais moderada. Cerca de 53% avaliam que o presente é momento ideal para aquisição de bens duráveis, como eletrodomésticos, enquanto 37% consideram que o momento atual não é propício para isso. O Nordeste desponta como a região em que mais famílias (64%) acham que é uma boa hora para comprar produtos desse tipo.
Quanto às expectativas sobre o mercado de trabalho, a pesquisa indicou que 77% dos chefes de família se sentem seguros em sua ocupação atual. Quando o foco da pergunta são os demais integrantes da família, em 71,9% dos casos, todos os membros que trabalham se sentem nessa situação. Apesar disso, em todas as regiões, a maior parte dos responsáveis pelos domicílios pesquisados declarou não ter expectativa de melhoria profissional.
O Ipea realizou a pesquisa em 3.810 domicílios distribuídos por 214 municípios, em todas as unidades da federação.

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