Sábado, 18 de Novembro de 2017

Neurótico, eu?

9 ABR 2010Por 20h:28

SCHEILA CANTO

 

Dizem que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Saindo do empírico e passando para esfera científica, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que 450 milhões de pessoas no mundo sofrem de desordens mentais ou de comportamento ou de problema psicossocial. E ainda: 1 em cada 4 pessoas será afetada por desordem mental em alguma etapa da vida.

O psiquiatra Mario Eduardo Costa Pereira, professor de psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e autor do livro "Pânico e desamparo", define a neurose como um sofrimento psíquico que a pessoa não consegue resolver sem ajuda externa. O especialista destaca o sofrimento, a frustração, a incapacidade, a ansiedade, a depressão, as fobias, etc., como sintomas principais da neurose.

Artigo de Grover B. – idealizador do Neuróticos Anônimos – publicado no Journal of Mental Health, sobre etiologia (ciências das causas) da doença e da saúde mental e emocional estão relacionadas ao egoísmo inato e a incapacidade de amar.

Para Grover, a pessoa fica doente por causa de defeitos de caráter, tais como raiva, ressentimento, ódio, hábito de culpar os outros, medo, autopiedade, preocupação excessiva consigo mesma, rebeldia, sentimento de vingança, inveja, desconfiança, pessimismo, maledicência falta de amor e de interesse pelo próximo e outras emoções igualmente negativas.

Um dos coordenadores do grupo Amor em Ação de N.A. de Campo Grande, P.S., 47 anos, afirma que a pessoa neurótica é a autora de sua doença, muito embora não tenha sido sua escolha ficar doente. "A pessoa não tem culpa de a doença ter começado, mas, uma vez iniciada, ela a cultivou, mantendo-a viva e em desenvolvimento. Portanto, entendemos que a pessoa também precisa ser a autora de sua recuperação. Mas, sozinha é impossível recuperar-se", ressalta o membro da irmandade que segue os passos do A.A. (Alcoólicos Anônimos).

P.S. conta que passou por grande carência afetiva e material na infância que o levou a uma adolescência rebelde;, envolveu-se com alcoolismo, tornou-se adulto desajustado, fracassou no casamento, entrou em depressão profunda e depois de tentar encontrar solução em psicoterapias, medicamentos e religião, teve êxito mesmo na sala de N.A. "Encontrei ajuda e acolhimento por onde andei, mas não a recuperação que precisava. Hoje, há 2 anos frequentando a irmandade, sinto que recuperei 20 anos da minha vida, me reconciliei com os filhos, não tomo mais antidepressivos e busco serenidade dia a dia", conta.

A literatura usada pelos membros da N.A. esclarece que se a criança aprender a amar e a cooperar, quando adulto, se tornará uma pessoa mental e emocionalmente sadia. Se não aprender, permanecerá egoísta e é justamente o egoísmo que leva o ser humano à inversão de valores e à incapacidade de amar e tolerar frustrações. Psicólogos e psiquiatras, contudo, não têm se valido desse esclarecimento sobre a origem tanto da doença como da saúde mental e emocional.

Na contrapartida, Grover questiona em seus estudos como é possível a criança aprender a amar caso sofra abandono, rejeição, maus-tratos, abuso sexual, carência afetiva, tenha pais alcoólatras, violentos ou ainda passe por grandes dificuldades econômicas que muitas vezes pode chegar às necessidades básicas: como alimentação e educação?. Portanto, não é à toa, que a OMS prevê um crescimento das doenças mentais em países pobres ou em desenvolvimento acima dos 150%, nos próximos anos.

 

Palestra

É justamente com intuito de resgatar essa criança interior e o sentimento de culpa, que atormenta muitos, que uma pessoa do N.A de São Paulo, virá a Campo Grande neste fim de semana para ministrar um seminário com estas abordagens no sábado das 8 às 11h e das 13h30min às 17h e no domingo das 8 às 11h, no Instituto Missionário São José (Rua Arthur Jorge 1.762), a entrada é franca e aberta ao público.

Leia Também