Sábado, 18 de Novembro de 2017

Nem tudo é diversão!

23 JUL 2010Por 08h:26
SCHEILA CANTO

Basta dar uma voltinha no shopping em qualquer dia da semana, principalmente neste mês de férias para perceber a superlotação de crianças e adolescentes. Se for no sábado à tarde então, a situação é mais evidente: faltam espaços públicos de entretenimento em Campo Grande. Mas atenção: embora o shopping center seja considerado um local seguro, e escolhido como programa de lazer preferido de muitas famílias, assim como  qualquer ambiente público, está cheio de armadilhas para as crianças.

“Como elas estão descobrindo o mundo, se encantam pela multidão e até pelas cores da vitrine. Qualquer distração dos pais pode ter consequências perigosas”, alerta Ana Elizabete Arruda, psicóloga de criança e adolescentes, da Unipsico (Cooperativa de Psicólogos de Campo Grande).
Para evitar que esses dias de férias se tornem motivo de lembranças desagradáveis, a supervisão dos pais com crianças menores de oito anos requer atenção extrema e constante, desde o momento em que se desce do carro ou se desembarca de um coletivo. “Crianças pequenas passam despercebidas pelos motoristas, que podem atropelá-las”, orienta Ana.

Ainda no que diz respeito aos pequeninos, outros lugares que oferecem perigo são elevadores, escadas rolantes, vitrines, banheiros e ambientes lotados, de lojas a corredores. No meio da multidão, seu filho pode se perder ou até ser sequestrado. Por isso, convém prestar muita atenção e explicar à criança como se portar em casos de emergências. Vocês podem combinar um local de encontro caso se percam, por exemplo. Também é importante ensiná-la a dizer o nome dos pais, a procurar ajuda de pessoas uniformizadas, como o segurança, e a telefonar para o celular dos pais.
Em ambientes lotados, o ideal é que a criança ande sempre de mãos dadas com algum adulto. Mesmo se ela protestar, lembre-se de que a segurança do seu filho está em jogo. A partir dos 3 anos, combinados simples, como pedir para ele não sair de perto enquanto você paga uma conta. Mas a curiosidade dele pode ser mais forte e a regra, rapidamente esquecida. Por isso, todo cuidado é pouco.

Cinema
Com que idade meu filho pode assistir uma sessão de cinema sozinho? A psicóloga Ana Elizabete enfatiza que até os 12 anos a criança não está apta a se defender de abordagens estranhas. “Portanto, mesmo que os pais fiquem dentro do centro comercial durante a sessão do filme, não é aconselhado que os menores de 12 anos permaneçam na sala de projeção sem acompanhamento de um adulto. A violência está cada vez maior e o assédio de um pedófilo é sempre imprevisível”, alerta a psicoterapeuta (leia box).

Ana Elizabete ressalta que os cuidados não são exagerados e a companhia dos pais nos eventos de lazer e entretenimento é sempre bem-vinda aos filhos. “Eles precisam sentir-se seguros, a presença dos pais é que garante isso. A criança que é abordada, molestada ou até mesmo abusada pode sentir-se abandonada e provavelmente desenvolverá o medo e a insegurança. Portanto, só leve a criança ao passeio se puder estar junto dela e evite deixar para terceiros os momentos de descontração dos filhos”, exemplifica.

Embora a maioria dos pais não tenham férias junto com os filhos (nos dois períodos do ano) a psicóloga orienta para que eles se esforcem no sentido de organizar a agenda e dedicar o final da tarde ou o fim de semana aos filhos. “É aquela velha história da qualidade versus quantidade. O importante para as crianças é a atenção dos pais. Uma brincadeira com aviãozinho de papel pode ser muito mais interessante que assistir a um filme em 3D sozinho”, compara.

Segundo Ana Elizabete, nunca é demais enfatizar que passeios e brincadeiras ao ar livre são mais saudáveis do que passar horas na frente de um computador ou videogame. “Aconselho aos pais que aproveitem dias de clima ameno para levar os filhos ao parque, fazer um piquenique em família, deixar que eles andem de bicicleta, patinete, patins ou skate e, claro, com equipamentos de segurança, como capacete e joelheira. Enfim, não é necessário muito tempo nem muito dinheiro e sim disposição para se doar”, conclui.

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