Sábado, 25 de Novembro de 2017

Nelson Mendes Fontoura, exemplo de dignidade

24 ABR 2010Por 06h:16
“Aqui nestas ilhas (Inglaterra), somos a nação mais respeitada do mundo, porque, nela, os honestos são mais corajosos que os canalhas”.                                                        Arnoldo Toynbee

Bem oportunas as palavras do emitente historiador britânico, epigrafadas, pois nos traz à mente a figura de uma admirável feição de homem honrado, trabalhador, amável, com todos os méritos de um exemplar pai de família, amigo, pacificador, homem público de altos valores morais: dr. Nelson Mendes Fontoura, que, no dia 13 deste mês, foi convocado pelo Pai Celestial para as galerias da eternidade.

Nelson ostentava a compleição de um apóstolo do Direito, conciliador nos momentos difíceis, seja no âmbito familiar, seja no social e público.
Nascido na histórica Coxim, integrante de tradicional e talentosa família do local, os Fontoura, venceu pelo trabalho e pela dedicação aos estudos, formando-se em Direito, no Rio de Janeiro, então capital da república, numa geração que produziu grandes nomes, como Ramez Tebet, Rui Garcia Dias, Leonardo Nunes da Cunha, Ruben Figueiró de Oliveira, Nelson Trad, Higa Nabukatsu, José Alberto Couto Pontes, para só citar as vocações jurídicas da região sul do então Mato Grosso, perdoando-me pelo olvido de muitos, involuntariamente.

 Após a formatura, na década de 60, Nelson retornou a Campo Grande e foi logo escolhido para o cargo de promotor de Justiça, em Campo Grande, onde só havia dois titulares, sendo o outro o dr. Carlos Ferreira de Viana Bandeira, que dá nome à sede do Ministério Público local, ao lado do Fórum de Campo Grande, na Rua Barão do Rio Branco. Nesse cargo, desenvolveu uma atividade fecunda e eficiente, na preservação da ordem pública e segurança da coletividade, com sabedoria e imparcialidade.

Com o advento da criação do Estado de Mato Grosso do Sul, com a lei complementar de 1977, sua assinatura, em Brasília, com grandes festividades governamentais e populares, pelo querido presidente Ernesto Geisel, tão justamente celebrado com seu nome a uma das principais artérias de Campo Grande, o nome de Nelson Mendes Fontoura não foi esquecido, como era de se esperar, assumindo importantes missões, no Ministério Público, como procurador-geral da Justiça do novo Estado, e, depois, pela avaliação correta e justa de seus méritos, no Poder Judiciário, pela sua escolha para a alta investidura de desembargador do Egrégio Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

Exerceu essa magistratura, com a honradez de sempre, chegando ao máximo da carreira com a nomeação para presidente de nossa digna e honrada Corte de Justiça , onde se destacou como Pretor excelso, em suas decisões e na administração, em todos os setores daquele poder. Após a sua aposentadoria, foi várias vezes lembrado e homenageado.

Poderia eu dizer, como romancista convicto, para usar uma expressão do inesquecível confrade Pe. Ângelo Venturelli, que Nelson Mendes Fontoura era um “varão de Plutarco”. Com efeito, o grande escritor, filósofo e biógrafo acima apontado tornou-se célebre ao escrever e celebrar as vidas dos grandes personagens da Antiguidade Clássica (Grécia e Roma), tendo vivido pouco depois da Ressurreição de nosso divino mestre, Jesus.

Nelson foi deputado Estadual, ao tempo do Estado uno, desempenhando seu cargo com o costumeiro acerto.
Orgulho-me de ter sido seu amigo e colega no Curso Científico do Colégio Dom Bosco; seu contemporâneo nos estudos universitários, no Rio de Janeiro; também nos cargos de direção da famosa Associação Mato-Grossense de Estudantes (AME), no Rio, onde tínhamos até um jornal, “O Roteiro”, sendo presidente da entidade o dr. Ruben Figueiró de Oliveira.

À família de Nelson Mendes Fontoura, os nossos sentimentos cristãos e a certeza deles decorrentes de que “Os justos verão a Deus”. À sua querida e eterna esposa Nice Maria; aos filhos que herdaram as virtudes dos pais: Nelson Mendes Fontoura filho, Jolivete, Alexandre e Alessandra.
Nesta hora de profunda saudade, só podemos mesmo lembrar as palavras de nosso Redentor: “Todo aquele que cumprir os meus ensinamentos, mesmo morto, viverá”.

José Couto Vieira Pontes

Leia Também