Sexta, 17 de Novembro de 2017

Negócio misterioso

26 MAI 2010Por 07h:39
“Pau que nasce torto, morre torto”. Embora dito popular nenhum possa ser considerado verdade absoluta (absoluto só Deus), todos têm uma boa dose de verdade e muito a ensinar. A negociação que resultou na construção do autódromo de Campo Grande e na cedência de áreas públicas (canteiros centrais de avenidas) para construção de postos de combustíveis pode ser enquadrada com perfeição no ditado popular acima, pois mais de uma década depois de fechada a nebulosa negociação, o imbróglio insiste em não acabar, tanto no que se refere aos postos quanto ao autódromo.
  
 No ano passado, por exemplo, o poder público foi obrigado a desembolsar pelo menos R$ 1 milhão para reformar a pista de corridas e os boxes. Disputas automobilísticas certamente são benéficas à economia da cidade. Porém, daí a permitir que recursos públicos banquem estas corridas existe grande diferença, pois quem fatura, e muito, com este “esporte” são grandes empresas privadas. E, numa cidade em que não existem recursos nem mesmo para manter em funcionamento um banheiro público na região central, simplesmente não faz sentido continuar investindo em autódromo. E, para ficar na área do recapeamento, recentemente a prefeitura da Capital divulgou que está pedindo R$ 117 milhões ao Governo federal para recapear as principais ruas e avenidas, tanto as centrais quanto as de acesso ao centro. A maior parte do R$ 1 milhão gasto no ano passado, contudo, foi para refazer o asfalto do autódromo, que ficou “um brinco”. Isto mostra a contradição, pois os carrões ou caminhões que disputam corridas estão rodando em pavimento invejável, enquanto  aqueles que pagam os impostos não têm qualquer perspectiva de ver o fim das danosas trepidações.
         
  Mas, as sinuosas linhas daquele negócio fechado pelo então prefeito André Puccinelli vão muito além das curvas do autódromo. Construir, e manter, postos de combustíveis, empreendimentos que são altamente poluentes, no meio de avenidas ou em outras áreas públicas é algo simplesmente injustificável. Tratou-se de uma aventura que não tinha razão de ser. Mesmo assim, o Executivo patrolou tudo e todos e permitiu as construções, que até para o trânsito são uma verdadeira bomba-relógio.
  
 Agora, repentinamente, e com a mesma pressa de “negócios” misteriosos anteriores, eis que a administração municipal voltou à carga para licitar novamente estes empreendimentos e concedê-los à iniciativa privada por mais duas décadas. Quanto e quem vai sair ganhando com esta disputa só os diretamente envolvidos sabem. E, em vez de corrigir um erro que se estende por mais de uma década, a municipalidade está se mostrando disposta a permitir a conclusão de um dos postos que virou elefante branco e conceder terreno para que uma sexta unidade seja construída, na saída para Aquidauana. Então, se já está definido que existe interesse na construção de mais uma unidade naquela região da cidade é sinal mais do que evidente que está em curso um jogo de cartas marcadas, que tem o aval dos vereadores e será travestido com a carapuça da legalidade, por meio de licitação. Ou alguém acredita que uma nova área seria ofertada se já não estivesse tudo combinado com o vencedor da disputa?

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