Terça, 21 de Novembro de 2017

Não devem faltar armazéns para a safrinha

31 MAI 2010Por 08h:29
Maurício Hugo

Das 80 mil toneladas de milho de Mato Grosso do Sul colocadas no primeiro dos 12 leilões PEP - Prêmio de Escoamento de Produto previstos, realizado na última quinta-feira, apenas 13,4 mil toneladas vão ser efetivamente escoadas. Do total de 1 milhão de toneladas foram vendidas 717 mil toneladas.
O milho de outros estados acabou sendo quase todo comercializado e os produtores de MS culpam a política fiscal interna que seria um complicador nesse processo de liberação dos excedentes de milho existentes hoje no Estado. Decreto determina que para cada saca de grãos que saía do Estado haja uma comercializada internamente.
Segundo o superintendente da Conab, Sérgio Rios, das 680 mil toneladas que representavam o estoque regulador do Governo, em janeiro, quando foi desencadeada a Operação Remoção, já foram removidas 130 mil e outras 30 mil toneladas serão escoadas até final de junho. Restam então nos armazéns da Conab e outros credenciados aproximadamente 520 mil toneladas de milho, quantidade ainda significativa levando-se em conta que a colheita da “safrinha” começa logo.
Sérgio acredita que não vai haver problema de armazenamento da “safrinha” de verão cuja colheita termina em julho. “Acredito que possa haver algum problema localizado apenas, como é o caso de São Gabriel do Oeste, mas no geral não vão faltar armazéns para o milho safrinha”, afirmou.

Soja
A comercialização da soja em Mato Grosso do Sul esteve um tanto emperrada logo após a colheita, no mês de março, “mas em abril a coisa fluiu e muita soja foi comercializada e escoada”, garantiu o superintendente da Conab. Com o escoamento da soja e mais a liberação de parte do milho que estava estocado em vários pontos do Estado, a Conab acredita que ocorram poucos registros de falta de armazéns até a próxima safra de soja.

Exportar é a saída
Mesmo terminado o primeiro dos leilões de milho da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com um total de 72% do grão comercializado para escoar o milho da região Centro-Oeste e Paraná para outros estados brasileiros, o problema do excesso do grão ainda pode prejudicar o abastecimento do País no próximo ano, avalia a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho). Para a entidade, a saída seria estimular também a exportação, e não apenas a movimentação interna dos estoques.
“No cenário atual, em que todas as regiões tiveram uma produção de milho excelente, o escoamento do produto pode atrapalhar as regiões”, explica João Carlos Werlang, presidente da Abramilho. “Se estivesse faltando milho em alguma região tudo bem, mas não é o caso. O fato é que quando tem excedente tem que exportar”, completa.
Além disso, o Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) – que tem variado de R$ 2,5 a R$ 6,5 por saca (em MS é de R$ 4,62) - não resolve a questão dos preços baixos do milho, o que desestimula o produtor a plantar milho. “Com rentabilidade tão baixa, dificilmente os produtores que plantaram milho na última safra repetirão a tendência na próxima. É possível até que falte milho no mercado no fim do ano que vem”, alerta Werlang. Ele lembra que a Abramilho é a favor dos leilões e do PEP, mas não vê as medidas como únicas saídas para o setor.

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