Quinta, 23 de Novembro de 2017

Na encruzilhada

21 FEV 2010Por Perfil07h:51
Ignácio Coqueiro impressiona pela tranquilidade. De havaianas nos pés, rabo de cavalo e uma fala pausada, o diretor-geral de “Poder paralelo”, da Record, não demonstra qualquer estresse com a trama que termina no dia 2 de março – com uma série de assassinatos em cenas repletas de ação. Mesmo diante do atraso dos capítulos para as cenas finais, o diretor carioca avalia, com serenidade, o resultado de sua primeira parceria com o autor Lauro César Muniz. Em dúvida se deve ou não assinar com o SBT, que tem sondado o diretor, Ignácio se orgulha de seu lado “workaholic” e já pensa em dirigir um seriado, um filme e uma novela interativa. “Gosto de trabalhar sábado e domingo. Faço questão de estar em cenas no domingo pela manhã, com 40º C, no centro do Rio. Se eu estou, ninguém pode reclamar. Assim se segura uma equipe”, valoriza. “Poder paralelo” oscilou entre 8 e 15 pontos de média e a audiência foi crescente nas últimas semanas. Que avaliação você faz desses números? A audiência teria sido maior se a novela fosse exibida sempre no mesmo horário. O público se sente traído, isso é muito ruim. A Record é a única emissora que tem novela às dez da noite. O horário devia ser bem marcado. A gente perdeu uma grande oportunidade de tomar esse horário e o público fixar isso. Essa novela é muito boa, tem uma carpintaria incomum que o Lauro encontrou. Se você perde um capítulo, não entende nada. Tem um olhar diferente, é como capítulo de minissérie, um filme por dia. Mas me surpreendi positivamente também. É difícil ter harmonia com uma equipe que está gravando há um ano e meio uma novela que está há oito meses no ar. As relações se desgastam. Tem uma hora que você deixa de ser diretor e passar a ser síndico. Apaga fogo o tempo inteiro. Mas, com essa, consegui controlar a situação. No início da trama, as cenas de sexo foram censuradas pela Record e reeditadas. Como você reagiu? Trabalho numa empresa que tem seus balizadores. Fiz uma novela na Band (“Paixões proibidas”) que tinha um apelo sexual maior. Aqui eu sabia que não teria a mesma liberdade. Mas não salguei nada. Os diretores da Record me consultaram antes. Mas o que você vai fazer se o cara é quem paga meu salário? A Record briga com muita gente. As pessoas ficam antenadas para falar mal, a gente tem de estar atento a isso. É como um jogo de xadrez. Mas isso não me tira o prazer de fazer. Você trabalhou mais de 30 anos na Globo, desde que começou como operador de VT em “Saramandaia”, em 1975. Como foi essa ruptura e sua adaptação na Record? Fui criado na Globo. Comecei na época do incêndio na emissora, ajudei a tirar as fitas e ainda fazia faculdade de Música ( Ignácio é violonista clássico). Aprendi a fazer sonorização, colocava programas no ar, rodava por todas as máquinas, passei também pela Tupi e pela Band. Voltei para a Globo como editor para fazer “Malu mulher”. Depois, comecei a dirigir musicais do “Fantástico” e minha primeira novela como diretor foi “Bambolê”. Foi um caminho longo, mas que não senti muito quando vim para a Record. Tirando o tamanho, que o Projac é bem maior, aqui tenho a lente que quero, a grua que preciso, nisso é tão bom quanto. Talvez sua passagem pela Record seja breve. Seu contrato acaba no final de fevereiro e o SBT convidou você para assinar com a emissora. Como estão as negociações? Estou um pouco balançado, me ligaram, tenho vários amigos que trabalham lá e têm conversado comigo, mas prefiro não falar nisso (risos). Ainda não conversei diretamente com eles. Fui sondado sobre meu contrato, mas estou muito a fim de ficar na Record, estou negociando. O Lauro renovou com a Record e me pergunta quando vou assinar com o SBT (risos). Estou focado em novos projetos. Seria o “100 Idade”, o seriado que você iria produzir no SBT? Também apresentei esse seriado para a Record. São quatro mulheres de sessenta e poucos anos em um tipo de “Armação ilimitada”. Também estou desenvolvendo esse roteiro para o cinema e quero filmar logo. Tenho um projeto de uma novela interativa, a “Geração Y”. Apresentei na Globo há sete anos e, agora, para a Record. É a história de cinco irmãos criados por um tio milionário, que morre no primeiro capítulo e deixa a fortuna para um só. No fim de cada capitulo da tevê aberta, o público pode continuar acompanhando cada personagem pela internet, telefone ou no pay-per-view. Cada personagem continua com cenas com apenas uma câmara o seguindo. Quem descobrir, no final da novela, o verdadeiro herdeiro, através de pistas que são dadas ao longo dessas cenas, ganha R$ 1 milhão, parte da fortuna. Aposto muito nesse projeto e já estou com sete capítulos prontos.

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