Segunda, 20 de Novembro de 2017

Na cola da bola

19 MAI 2010Por 20h:09

Márcio Maio, TV Press

 

O futebol vai ocupar boa parte do espaço da grade das emissoras durante a Copa do Mundo. E isso não se resume a exibições de partidas ou melhores momentos dos jogos que acontecerão entre 11 de junho e 11 julho. De olho na paixão que os brasileiros têm pelo esporte e nas curiosidades que um evento desse porte carrega, alguns programas já fazem as malas para embarcar rumo à África do Sul. Seja para explorar os bastidores do campeonato ou mesmo a cultura, gastronomia e outras características do país anfitrião. "Estamos tentando ancorar o ‘Mais você’ junto com a parte de jornalismo que está sendo montada na África. Obviamente, quero mostrar coisas do país também", adianta a apresentadora Ana Maria Braga.

A Band divide com a Globo o direito de exibição das partidas na tevê aberta. E aproveita para incrementar sua programação com assuntos relacionados ao mundial ou ao continente africano. Tanto que dois integrantes do "CQC – custe o que custar" já confirmaram suas viagens para explorar os bastidores da competição. Felipe Andreoli fica com a parte esportiva, enquanto Rafael Cortez "faz uma social" pelo país. "Não temos nada específico ainda. A cobertura de uma Copa do Mundo depende de muitos aspectos", desconversa Felipe. Já Cortez respira aliviado por não ter de bancar "o cara que manja de futebol". "Vou fazer algo leve, fora do senso comum", generaliza.

A dúvida sobre a ida ou não para África ainda paira nas equipes de dois programas. O "Pânico na TV", da Rede TV!, só deve receber uma definição da emissora às vésperas do embarque. O que não parece preocupar o grupo. "Em 2006, só ficamos sabendo que iríamos para a Alemanha dias antes de viajar. Se não formos, conseguiremos um jeito de fazer um trabalho legal e diferente daqui mesmo. Mas acredito que a gente vá", analisa Rodrigo Scarpa, famoso por encarnar o Repórter Vesgo no humorístico. Situação semelhante vive o "Casseta & planeta urgente!", da Globo. No anúncio da nova programação, feito final de março, um comunicado chegava a conter aspas do diretor da atração, José Lavigne.

"O Beto Silva e o Hélio de La Peña irão gravar parte do programa por lá", resumia. Mas hoje, a informação é diferente. Segundo a assessoria de imprensa da emissora, a viagem ainda está sendo avaliada. A indecisão nos programas de humor sobre cobrir ou não o evento tem sua razão. O técnico Dunga teve problemas com uma equipe do "Legendários", da Record – que não vai à África do Sul –, e o caso chegou a ser levado à polícia. Depois disso, a CBF confirmou que não emitirá credenciais para programas de humor em coletivas da seleção. "Para mim, isso não tem problema. A minha proposta é outra", adianta Paulo Bonfá, que terá cinco minutos diários no "MTV no mundial – Paulo Bonfá na África" para mostrar sua rotina de torcedor. A ideia é explorar as experiências pessoais, como comer, passear e ir aos estádios por lá. "Muitas vezes, os bastidores são mais divertidos que as entrevistas com jogadores", sinaliza Rodrigo Scarpa, completando o coro.

Para sustentar um mês de matérias durante a cobertura, alguns passeios e assuntos já estão praticamente certos em todas as equipes com viagens confirmadas. O apartheid e seus reflexos devem ganhar espaço no "Mais você". Já a savana africana está nos planos de Paulo Bonfá, da MTV. Isso sem contar em todas as transformações que ocorrerão na região enquanto a Copa acontecer. "São 32 seleções em cidades diferentes. É um país inteiro com a sua rotina alterada. Isso gera muito assunto", avalia Bonfá.

 

Sem censura

Para as emissoras de tevê, vale tudo na hora de "pegar carona" na Copa do Mundo. Mas a variedade de possibilidades de assuntos para as coberturas nada mais é do que uma tentativa de atrair todos os tipos de público, sem direcionar para determinada classe ou sexo específico. "Este parece ser um ano mais fácil, com eleições e Copa do Mundo, mas estamos fazendo de tudo para surpreender a nós mesmos e aos telespectadores", jura Marcelo Tas, "cabeça" do "CQC".

No "Mais você" não é diferente. Mas a ideia de não segmentar o programa não se resume à época de Copa do Mundo. "O nosso programa é de entretenimento. A ideia é conseguir fôlego com coisas novas, um cardápio de atrações variadas. A gente fala com todo mundo. Então, quanto mais a gente falar, melhor", defende. Para Paulo Bonfá, não explorar a Copa é que é um problema. "Morando no Brasil, ninguém pode deixar o assunto passar. Por isso é comum que os programas de culinária aproveitem para explorar delícias locais, que os jornalísticos explorem questões políticas, econômicas e sociais e que os de humor façam piadas", resume.

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