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Psicologia

Músicas pop revelam a vaidade de uma geração

Músicas pop revelam a vaidade de uma geração

New York Times

01/05/2011 - 18h15
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Alguns anos atrás, enquanto seus colegas psicólogos debatiam se o narcisismo estava ou não aumentando, Nathan DeWall ouvia Rivers Cuomo entoar uma melodia familiar de século 19. O líder e guitarrista da banda Weezer chamou aquela canção de “Variations on a Shaker Hymn” (Tradução livre: “Variações de um Hino Shaker”). Enquanto os religiosos shakers do século 19 cantavam “Tis the gift to be simple, ’tis the gift to be free” (“Este é o dom da simplicidade, este é o dom da liberdade”), Cuomo fazia sua versão da letra: “I’m the meanest in the place, step up, I’ll mess with your face” (“Eu sou o mais cruel do pedaço, Eu vou te causar problemas”).

Ao invés da mensagem shaker de amor e humildade, Cuomo repetia sem parar a frase “I’m the greatest man that ever lived” (“Eu sou o homem mais importante que já existiu”).

O refrão deixou DeWall perplexo: “Quem cantaria isso em voz alta?”. Cuomo poderia até estar parodiando a grandiosidade de outros cantores – mas, mais uma vez, por que tanta grandiosidade presente na paródia? Seria a transformação da canção “Simple Gifts” (“Pequenos Dons”) em “Greatest Man That Ever Lived” um exemplo de uma tendência mais ampla?

Depois de uma análise linguística computadorizada de três décadas de canções de sucesso, DeWall e outros psicólogos alegam ter encontrado o que procuravam: uma tendência estatisticamente significativa em direção ao narcisismo e à hostilidade na música popular. Como já supunham os psicólogos, os pronomes “Eu” e “Mim” e termos relacionados à raiva aparecem com mais frequencia, ao mesmo tempo em que existe um declínio dos pronomes “Nós” e “Nos” e de termos que expressam emoções positivas.

“Os adolescentes e universitários de hoje amam muito mais a si mesmo”, diz DeWall, psicólogo da Universidade de Kentucky. Seu estudo englobou letras de canções de 1980 a 2007 de diversos gêneros, para evitar que os resultados fossem distorcidos pela popularidade crescente, por exemplo, do rap e do hip-hop.

Definir a personalidade de toda uma geração através de letras de canções pode parecer um pouco limitado, mas DeWall aponta para pesquisas realizadas por seus colegas de estudo que mostram pessoas da mesma faixa etária com pontuação semelhante na avaliação do narcisismo através de testes de personalidade. A extensão e o significado desta tendência despertaram discussões incensadas entre psicólogos. Alguns deles questionam mesmo a utilidade dos testes e dizem que os jovens de hoje não são mais egocêntricos do que as gerações passadas.

Alguém especial


O novo estudo sobre as letras de canções certamente não porá fim ao debate, mas sem dúvidas ele oferece outra forma de graduar o egocentrismo: a lista das 100 músicas mais vendidas da Billboard. Os pesquisadores constataram que as canções de sucesso nos anos 80 tinham maior probabilidade de enfatizar o “final feliz”, como a harmonia racial almejada por Paul McCartney e Stevie Wonder em “Ebony and Ivory”, ou a exuberância em grupo promovida pela banda Kool & the Gang, que cantavam: “Let’s all celebrate and have a good time”. Diana Ross e Lionel Ritchie falaram sobre os dois corações que batem como um só, em “two hearts that beat as one”, e a canção “(Just Like) Starting Over”, de John Lennon, enfatizava a importância da vida a dois (“our life together”).


De acordo com a análise linguística dos pesquisadores, as canções de hoje costumam ser sobre uma única pessoa muito especial: o cantor. “I’m bringing sexy back”, proclamava Justin Timberlake em 2006. No ano anterior, Beyoncé triunfantemente anunciava seu sex-appeal. E Fergie, que se gabava de seu poder sexual enquanto cantava com o Black Eyed Peas, em seguida lançou um álbum solo no qual dizia a seu amante que precisava de um tempo só para ela.

Narcisismo
 

W. Campbell e Jean M. Twenge, co-autores ao lado de DeWall, publicaram em 2009 o livro “The Narcissism Epidemic”, no qual argumentam que o narcisismo é cada vez mais predominante entre os jovens – e possivelmente também entre pessoas de meia idade, embora seja difícil afirmar isso porque grande parte dos dados disponíveis são de universitários.

Há várias décadas, estudantes vêm respondendo a um questionário intitulado "Inventário da Personalidade Narcisista", no qual devem optar entre uma das duas afirmações: “Tento não ser um exibicionista” e “Sempre que tenho a oportunidade, tento aparecer”. De acordo com uma análise de dados conduzida por Twenge e Campbell entre universitários, o nível de narcisismo avaliado por estes questionários vem subindo desde o início dos anos 80.

Durante este período, foram também relatados altos índices de solidão e depressão – o que pode não ser uma coincidência, na opinião dos autores do estudo sobre as letras de canções. Tais pesquisadores, dentre eles Richard S. Pond, da Universidade de Kentucky, ressaltam que o narcisismo já foi relacionado à raiva e a problemas em manter um relacionamento. A análise das canções mostra uma queda no número de palavras relacionadas a conexões sociais e emoções positivas (como “amor” e “querido”) e um aumento no número de palavras relacionadas à raiva e a comportamentos antissociais (como “odiar” e “matar”).

Amor
 

“Nas letras do início dos anos 80, o amor era fácil e positivo, e envolvia duas pessoas. As canções mais recentes são sobre o que o indivíduo quer, e como ele ou ela se decepcionou e se enganou”, diz Twente, psicóloga da Universidade Estadual de San Diego.

É claro que, de forma amadorística e não-científica, é possível encontrar de tudo um pouco em letras de canções - de qualquer época. Nunca foi dito que os Rolling Stones eram bonzinhos e fofinhos. Em “Sympathy for the Devil”, o diabo consegue o que merece cantando em primeira pessoa. Em 1989, Bobby Brown se gabava que ninguém podia lhe dizer o que fazer em “My Prerogative”, canção sobre sua magnitude.

Cantores da música country americana sempre tiveram seus momentos de egocentrismo e auto-piedade. Mas, as letras clássicas, que dizem que alguém sempre fez algo de errado ao próximo, não são necessariamente alusivas à raiva. Quando Hank Williams cantava “Your Cheatin’ Heart” ela não estava falando de detonar o carro da amada, como em “Before He Cheats”, de Carrie Underwood.

Alguns psicólogos são céticos sobre traços básicos de personalidade que podem mudar muito de uma geração para outra (ou de uma cultura para outra). Mesmo se os estudantes de hoje apresentam maior pontuação em testes de narcisismo, tais céticos dizem que isto pode acontecer simplesmente porque os estudantes de hoje estão mais abertos para admitir sentimentos que sempre existiram.

Twenge aceita que os estudantes de hoje sentem-se mais confortáveis em admitir que concordam com as afirmações do questionário, como “Eu serei uma pessoa importante” e “Eu gosto de me ver no espelho”. Mas ela diz que distorções sistemáticas de si mesmo provavelmente não são a única razão para as respostas diferentes e, de qualquer forma, esta disposição para gabar-se representa uma importante mudança cultural.

A análise das letras de canções, publicada no periódico Psychology of Aesthetics, Creativity and the Arts, ocorreu até o ano de 2007, o que a torna bastante atual para os padrões científicos. Mas, para os padrões da musica pop, 2007 é uma eternidade. Poderia o narcisismo ter apresentado uma queda desde então?

Para se ter certeza, seria necessária uma análise linguística computadorizada, mas também não existem razões para duvidar disso. Em 2008, mesmo ano do lançamento de “Greatest Man That Ever Lived”, da banda Weezer, Little Jackie teve sucesso com a canção “The World Should Revolve Around Me” ("O mundo deveria girar ao meu redor"). A lista atual da Billboard inclui a ode cômica de Cee-Lo Green à hostilidade com seu refrão impublicável, assim como o hino de Keri Hilson em louvor à sua própria beleza.

Não importa se os cantores realmente queriam expressar o que diziam, mas é óbvio que existe um mercado para sentimentos deste tipo.

“A cultura não vai ser mudada por completo da noite para o dia, tampouco as letras das canções”, disse Tweenga. Mas, ela tem um conselho sensato, que vale ser ouvido, para quem busca uma mudança de si mesmo ou de seus relacionamentos: “Sempre que possível, deixe seu ego fora da situação. É muito difícil fazer isso, mas a perspectiva alcançada é surpreendente. Faça a pergunta a si mesmo: ‘Como eu veria esta situação se ela não fosse sobre mim?’. Pare de pensar em vencer o tempo todo. Um sinal certeiro de que algo pode não ser assim, tão importante, é quando Charlie Sheen fala muito sobre isso”.

Felpuda

A ironia política está célere que só nos bastidores, diante da posição...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (25)

25/02/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Umberto eco - escritor italiano

"Nem todas as verdades são para todos os ouvidos, nem todas as mentiras podem ser reconhecidas como tais”.

 

FELPUDA

A ironia política está célere que só nos bastidores, diante da posição de figurinha que se diz um dos muitos pretendentes a vaga ao Senado. Por conta de sua manifestação, há quem esteja dizendo que seu slogan de campanha poderia ser “Comigo no Senado”, lembrando que ele acredita que basta apenas colocar a culpa nos “fenômenos climáticos” para continuar lépido e fagueiro com o sonho de ser “ungido” pelo seu partido. Só que sua pretensão, afirmam, está caindo no “buraco negro”... Afinal...

Diálogo

 Cadeira

Jaime Verruck, secretário da abrangente Semadesc, deverá deixar a administração estadual para disputar as próximas eleições. Ele é filiado no PSD, porém, tudo indica que deixará o partido – que está se “esvaziando” em MS –, migrando possivelmente para o PP.

Mais

Até então, ele também vinha falando em tentar ser indicado para a disputa ao Senado, mas isso não deverá acontecer e ele deverá disputar cadeira na Câmara. Conversa que circula por aí é de que ele teria apoio da direção da Federação das Indústrias de MS.

DiálogoDaniel Azevedo, que hoje comemora troca de idade 
DiálogoDra. Liliane Oppermann

 Parceria

O PT deverá ter a senadora Soraya T hronicke como futura parceira. Ela está negociando a saída do Podemos para se abrigar no PSB e disputar a reeleição. Em 2018, ela se elegeu pelo PSL – que depois se uniu ao DEM e virou União Brasil –, usando como slogan “a senadora do Bolsonaro”, obtendo 373.712 votos e desbancando outros candidatos, inclusive o hoje deputado estadual petista José Orcírio dos Santos. Mal iniciou seu mandato e rompeu com Bolsonaro.

Inimiga

Em 2022, Soraya Thronicke disputou a Presidência da República pelo União Brasil e, durante os debates, atacou o então presidente Jair Bolsonaro, que tentava a reeleição. Ele revelou, “olhos nos olhos”, o motivo que a levou a se tornar inimiga de sua administração: desejo por cargos. Desgastada diante do eleitorado por ser considerada “traidora”, obteve apenas 8.082 votos para presidente em MS. Em Campo Grande, contou só com 3.564 votos.

Defesa

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados hoje realiza reunião para ouvir o deputado Coronel Meira na condição de testemunha de defesa do deputado Marcos Pollon e o próprio parlamentar. Ele é alvo de representação que pede sua suspensão por declarações ofensivas ao presidente da Câmara durante ato público realizado em Campo Grande, em agosto de 2025. A reunião, às 14h, integra o andamento do processo e subsidia a deliberação do colegiado sobre o caso.

Aniversariantes

Daniel Azevedo,
Dr. José Eduardo Silveira dos Santos,
Renata de Rezende Kroetz,
Rosana Maria Orro Razuk,
Ester Quintanilha Nogueira,
Miriam Eliza Schupp Lescano,
José Andrade de Moraes,
Artur Mory Miyashiro,
Anne Yurie Monteiro Oshiro,
Eduardo Shiguenori Yura,
Esther de Arruda Zurutuza,
Evanir Midon Ramos,
Marcelino Henrique da Costa,
Matias dos Santos Miranda,
Kátia Antonn,
Gomercindo Anes Neto,
Sylvio Ribeiro Ferreira,
Emerson Ramos de Moraes,
Nelson Bruno,
Gilberto Smozinski,
Nilma Brito da Silva,
Alice Ferraz Fortes,
Mônica Essir Simioli,
Dr. Marcelo Muniz da Silva,
Dra. Rosane Afonso Borges,
Vergilia Barbosa Mateus,
Nádia Nadalon Viana,
Beatriz Domingues Xavier,
Thaynara de Oliveira Viana,
Carlos Wilhelms,
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Dr. Sérgio Willian Anibal,
Daisy Conto,
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Devid Barbosa Rodrigues,
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Mirelle dos Santos Ottoni,
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Juliene Botelho Souto,
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Marinaldo Alves da Silva,
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Iara Sonia Marchioretto,
Nadia Cristina Hermann,
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Valter Antunes Marinho,
Alexandra Brehm de Oliveira Fontoura,
Roberto Sá e Silva,
Clair de Carli,
Maria Auxiliadora Menezes.

COLABOROU TATYANE GAMEIRO

SAÚDE

Mais do que atividade física, yoga é uma prática milenar que promove equilíbrio e autoconhecimento

A atividade física yoga é uma prática milenar indiana que integra posturas, respiração e meditação para promover equilíbrio e autoconhecimento

24/02/2026 10h00

A prática dos asanas (posturas físicas) é um dos oito fundamentos do yoga

A prática dos asanas (posturas físicas) é um dos oito fundamentos do yoga Freepik

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Em um mundo que corre cada vez mais rápido, a busca por equilíbrio e bem-estar se tornou uma necessidade fundamental. É nesse contexto que o yoga, uma prática milenar com raízes profundas na filosofia indiana, destaca-se como atividade física e estilo de vida.

Além da execução de posturas, o yoga é um caminho de autoconhecimento que promete a integração plena do corpo, da mente e do espírito.

A palavra yoga deriva da raiz sânscrita yuj, que significa unir, juntar ou integrar. Essa etimologia resume a essência da prática: a busca pela conexão harmoniosa entre todos os aspectos do ser humano.

Tradicionalmente, o yoga se refere a uma disciplina física e mental que se originou na Índia e está associada às práticas meditativas do hinduísmo, do budismo e do jainismo.

Dependendo da perspectiva do praticante, o objetivo final dessa união pode variar. Para alguns, representa a ligação da alma individual com o divino.

Para outros, é a percepção de que o eu é puramente espiritual e imaterial.

Há ainda aqueles que, sob uma ótica mais racional e agnóstica, buscam no yoga o bem-estar físico e mental, uma ferramenta poderosa para viver uma vida mais consciente e plena.

FILOSOFIA

Embora no ocidente o yoga seja frequentemente associado apenas às posturas físicas (asanas), a filosofia clássica é muito mais abrangente.

O sábio Patanjali, em seus “Yoga Sutras”, sistematizou a prática em oito etapas, conhecidas como ashtanga yoga (os oito membros do yoga). Este é um caminho progressivo de purificação e autoconhecimento.

O raja yoga (ou ashtanga) é considerado o caminho clássico e descreve oito etapas:

1) Yama (proibições ou princípios éticos): são os votos de conduta social, que incluem a não violência (ahimsa), a verdade (satya), o não roubar (asteya), a conduta brahmánica ou celibato (brahmacharya) e o não apego (aparigraha);

2) Niyama (receitos ou observâncias pessoais): dizem respeito à autodisciplina e à pureza interior, como a limpeza física e mental (shaucha), a satisfação plena (santosha), a disciplina (tapas), o estudo de si mesmo e das escrituras (svadhyaya) e a entrega a uma força superior (ishvara pranidhana);

3) Asana (postura): é a prática das posturas físicas. O objetivo original era preparar o corpo para longos períodos de meditação, mantendo a coluna ereta e o corpo estável e confortável. É neste membro que o hatha yoga se concentra;

4) Pranayama (controle da respiração): envolve técnicas de controle da energia vital (prana) por meio da respiração. O objetivo é expandir e regular essa energia no corpo;

5) Pratyahara (retração dos sentidos): é o processo de interiorização, em que os sentidos se retiram dos objetos externos e a atenção se volta para o mundo interior;

6) Dharana (concentração): a capacidade de focar a mente em um único ponto ou pensamento, sem distrações;

7) Dhyana (meditação): o estado de fluxo ininterrupto da concentração, um estado de profunda quietude e percepção, em que não há mais esforço para se concentrar;

8) Samadhi (iluminação ou absorção total): o estágio mais elevado, de união completa com o objeto de meditação, transcendendo o “eu” individual.

É importante notar que a maioria das aulas de yoga modernas foca no terceiro (asana) e quarto (pranayama) membros, mas o conhecimento dos princípios éticos e meditativos enriquece e aprofunda a experiência de qualquer praticante.

A prática dos asanas (posturas físicas) é um dos oito fundamentos do yogaFlexibilidade mental promovida pelo yoga possibilita um estado de relaxamento profundo - Foto: Freepik

ESTILOS

A popularização do yoga no ocidente deu origem a uma vasta gama de estilos, cada um com ênfases e metodologias específicas. A chave para começar é entender que o yoga se adapta a você, e não o contrário.

Conhecer as características principais de cada modalidade é o primeiro passo para encontrar a que melhor se alinha aos seus objetivos e personalidade.

  • Hatha Yoga

O hatha yoga é o estilo mais praticado e conhecido no mundo, sendo a porta de entrada para a maioria dos iniciantes. O termo hatha significa sol (Ha) e lua (Tha), simbolizando o equilíbrio de forças opostas. É um estilo essencialmente físico, mas de ritmo pausado.

As aulas geralmente combinam posturas básicas (asanas) com exercícios de respiração (pranayama) e um momento final de relaxamento. Seu principal objetivo é preparar o corpo para a meditação, promovendo alongamento, fortalecimento e consciência corporal.

Por ser acessível a todas as idades e níveis de condicionamento físico, o hatha yoga é o ponto de partida ideal para quem deseja conhecer os fundamentos da prática e reduzir o estresse do dia a dia.

  • Vinyasa Yoga

O vinyasa yoga, também conhecido como flow yoga, é um derivado dinâmico do estilo hatha. Sua principal característica é a sincronização do movimento com a respiração, criando uma sequência fluida e contínua entre as posturas. Vinyasa significa exatamente união de respiração e movimento.

As aulas são criativas e podem variar muito em intensidade, mas geralmente são mais aeróbicas, elevando os batimentos cardíacos e proporcionando um trabalho cardiovascular significativo.

É uma prática que, além de tonificar os músculos e aumentar a resistência, melhora a concentração e ensina o praticante a fluir diante das mudanças. É a escolha certa para quem gosta de dinamismo e desafios físicos.

  • Ashtanga Yoga

O ashtanga yoga é frequentemente descrito como uma meditação em movimento, mas é também um dos estilos mais exigentes fisicamente. Diferentemente da liberdade criativa do vinyasa, o ashtanga segue uma estrutura fixa. São seis séries de posturas, com sequências sempre realizadas na mesma ordem.

O aluno só avança para a série seguinte após dominar completamente a anterior. O ritmo é ágil e o foco está na força, resistência e purificação do corpo por meio do calor interno gerado pela prática. É o estilo ideal para pessoas disciplinadas, com muita energia e que buscam um treino completo para ficar em forma.

  • Iyengar Yoga

Fundado pelo mestre B. K. S. Iyengar no século 20, o Iyengar yoga é conhecido por sua abordagem meticulosa e precisa na execução das posturas. O foco principal é o alinhamento perfeito do corpo, com as posturas sendo mantidas por períodos mais longos para permitir a correção e o aprofundamento.

Uma característica marcante deste estilo é o uso de diversos acessórios (props), como blocos, cintos, mantas, cadeiras e cordas, que permitem que pessoas com lesões, limitações ou pouca flexibilidade possam experimentar os benefícios da postura de forma segura e correta.

É uma verdadeira fisioterapia para o corpo, ajudando a aliviar dores, melhorar a postura e reduzir o estresse.

  • Kundalini Yoga

O kundalini yoga é frequentemente chamado de “yoga da consciência” e tem um forte componente espiritual. Seu objetivo é despertar a energia kundalini, que, segundo a filosofia hindu, encontra-se “adormecida” como uma serpente enrolada na base da coluna.

A prática vai além das posturas físicas, que geralmente são mais simples, e integra técnicas de respiração intensas (como a “respiração de fogo”), cânticos de mantras, meditação e gestos com as mãos (mudras).

As aulas visam equilibrar os chakras e limpar os canais de energia, promovendo uma profunda sensação de relaxamento, clareza mental e conexão espiritual. É recomendado para quem busca autoconhecimento e uma prática que acalme a mente e as emoções.

  • Bikram Yoga

O bikram yoga é a versão mais famosa do chamado hot yoga (yoga quente). Criado por Bikram Choudhury, consiste em uma sequência fixa de 26 posturas e 2 exercícios de respiração, praticada durante 90 minutos em uma sala aquecida a aproximadamente 40°C e com alta umidade.

O calor intenso visa aquecer os músculos para aumentar a flexibilidade e promover uma profunda sudorese, que supostamente ajuda na eliminação de toxinas.

É uma prática extremamente desafiadora, que testa os limites físicos e mentais, auxiliando na perda de peso e no fortalecimento da força de vontade. No entanto, exige cuidados especiais com a hidratação e não é recomendado para pessoas com problemas cardíacos ou de pressão baixa.

ESTILOS CONTEMPORÂNEOS

Além dos clássicos, o yoga continua a evoluir, dando origem a modalidades contemporâneas e especializadas, que atendem a necessidades e públicos bem específicos.

> Yoga pré-natal: projetado para acompanhar a mulher durante a gestação, utiliza posturas de baixo impacto, exercícios de respiração e relaxamento para fortalecer o corpo, aliviar desconfortos comuns da gravidez e preparar a futura mãe para o parto, promovendo uma conexão profunda com o bebê.

> Yoga restaurativo e yin yoga: são focados no relaxamento profundo. No yin yoga, as posturas são mantidas por vários minutos para alongar os tecidos conjuntivos profundos. No yoga restaurativo, o uso de muitos acessórios (almofadas, mantas) permite que o corpo relaxe completamente nas posturas, acalmando o sistema nervoso.

> Aero yoga (ou yoga aéreo): uma prática moderna e lúdica em que as posturas são realizadas suspensas em uma rede ou tecido preso ao teto. Isso permite descomprimir a coluna, alongar mais profundamente e trabalhar o equilíbrio por meio de uma nova perspectiva.

> Yoga fitness e power yoga: vertentes mais ocidentalizadas que mesclam as posturas tradicionais com exercícios de condicionamento físico, como o uso de pesos leves ou repetições, para um treino mais intenso de fortalecimento muscular e queima calórica.

BENEFÍCIOS

A ciência moderna tem corroborado o que os sábios indianos já sabiam há milênios: a prática regular de yoga traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental.

> Benefícios físicos: aumento da flexibilidade, fortalecimento muscular, melhora do equilíbrio e da postura. Além disso, auxilia no bom funcionamento dos órgãos internos, estimula a circulação sanguínea e pode contribuir para a perda de peso.

> Benefícios mentais: redução significativa do estresse, da ansiedade e da depressão. A prática melhora a capacidade de concentração, acalma a mente, promove o autoconhecimento, aumenta a autoestima e ajuda a controlar a raiva.

Uma pesquisa colaborativa entre Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade de São Paulo (USP), Harvard e Hospital Albert Einstein identificou redução do declínio de funções cognitivas na velhice, como a atenção e a memória, em idosas praticantes do hatha yoga.

> Benefícios emocionais e espirituais: proporciona sensação de paz interior, equilíbrio emocional e uma conexão mais profunda consigo mesmo, ajudando o praticante a lidar melhor com os desafios da vida.

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