Sexta, 24 de Novembro de 2017

Multado duas vezes pelo TSE, Lula ataca a oposição

27 MAR 2010Por 04h:32
Multado pela segunda vez por antecipação de campanha eleitoral em benefício da ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em sua própria defesa. Em uma breve entrevista publicada ontem e concedida por escrito ao jornal “A Tarde”, de Salvador, o presidente negou estar fazendo propaganda “dissimulada” e creditou a aplicação de multa a “barulho” da oposição. “Espero que a multa seja anulada, uma vez que, no meu entendimento, não houve nem tem havido campanha antecipada nem dissimulada”, afirmou. Na noite de anteontem, a pedido de partidos de oposição, o plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu multar o presidente em R$ 10 mil. Os ministros da Corte entenderam que Lula fez campanha disfarçada durante a inauguração da sede do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados de São Paulo, em janeiro. Na entrevista, Lula informou que ingressará com recurso na Justiça Eleitoral a fim de anular a multa. No início da semana, o TSE havia multado o presidente em R$ 5 mil pelos mesmos motivos. De acordo com Lula, o governo federal não pode ser prejudicado por “tomar iniciativas”. “O fato concreto é que todo esse barulho é feito pela oposição por razões políticas. Quando ela esteve no governo, não havia empreendimentos, não havia obras, não havia nada para ser inaugurado”, criticou o presidente. “Não podemos ser penalizados por tomar iniciativas, por criar programas, por investir em obras mais do que necessárias, que há muito tempo já deveriam ter sido feitas por outros governos”, afirmou. O presidente considerou ainda essencial a presença da ministra Dilma Rousseff nos eventos de inauguração ou lançamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). “Se a ministra Dilma Rousseff é a coordenadora do PAC, se ela se empenhou, se dedicou sua energia, por que na hora da inauguração tem que ficar recolhida em casa?”, questionou o presidente. “Estamos prestando contas à população e mostrando nossos serviços, como devem fazer todos os governos”. Ainda na entrevista, Lula disse não acreditar no diagnóstico feito por lideranças do PT de que a ministra deve cair nas pesquisas de intenções de voto no intervalo entre sua saída do governo federal, marcada para abril, e o início da campanha presidencial, em julho. “Afinal, livre das obrigações de governo, que não são poucas, ela terá todo o tempo livre para as articulações e posteriormente para se dedicar de corpo e alma à campanha”, afirmou. O presidente atribuiu ainda o crescimento da ministra nas últimas pesquisas de intenções de voto à sua “capacidade de trabalho” e ao seu “comprometimento com os projetos políticos”. Na última edição da pesquisa CNI/Ibope, divulgada no último dia 17, a pré-candidata do PT subiu dos 17% observados na amostra de novembro para 30%. Segundo Lula, Dilma deve crescer ainda mais “à medida que mais pessoas tomarem conhecimento do que ela representa”.

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