Domingo, 19 de Novembro de 2017

Mulheres do MST discutem demandas sociais

7 MAR 2010Por 00h:31
Acampadas desde a noite de sexta-feira na entrada do Conjunto Habitacional Coophavila II, região da saída para Sidrolândia, em Campo Grande, cerca de 300 mulheres ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) estarão em atividades até amanhã, para discutir questões de gênero, reforma agrária e outras demandas sociais, como educação e saúde – pautas que costumam estar na rotina das mulheres, tanto no campo quanto na cidade. Na programação estão previstas reuniões e noites culturais. “É importante estarmos juntas para que possamos discutir temas pertinentes à nossa realidade e também falarmos sobre a questão de gênero”, classificou ontem, uma das organizadoras do encontro, Sandra Procópio, 37 anos, moradora do Assentamento Santa Mônica (região de Terenos). Formada em filosofia, Sandra – é casada e tem três filhos – ressalta que 34% dos lotes do assentamento onde mora pertencem a mulheres. Elas são ligadas diretamente a algumas questões do cotidiano e por isso acabam se envolvendo com lutas sociais em determinadas áreas, como educação e saúde. “Nossos filhos vão para as escolas da zona rural e sofrem com o transporte inadequado, com a má qualidade dos cursos oferecidos. Muitas vezes o prédio pode até ser de boa qualidade, mas o que se ensina dentro dele não dá quase para aproveitar: falta material, mão de obra qualificada”, descreve Sandra. Ela estava acompanhada da filha de 10 anos, que concordou com a mãe. “O transporte é perigoso, ontem (sexta-feira) mesmo, quase que o ônibus se envolveu num acidente. Não tem segurança e as estradas não são boas”, comentou Maíra Silva da Cruz, 10 anos, que estuda na zona rural de Sidrolândia. O baixo índice de mortalidade infantil e também o bom nível de nutrição das crianças dos assentamentos em Mato Grosso do Sul são outros dados acompanhados de perto pelas mulheres ligadas ao MST. “Temos um cuidado especial com as nossas crianças para que a alimentação faça toda a diferença na saúde delas”, apontou a coordenadora da saúde do MST, Ely Regina de Oliveira, que emendou. “Uma das coisas que estamos falando aqui é a questão das farmácias vivas que estão sendo implantadas nos assentamentos, com remédios feitos com ervas nativas e utilizados pelos assentados”, citou a coordenadora. Patriarcalismo As mesmas lutas sociais travadas pelas mulheres nas cidades, repetem-se na zona rural. Até o momento foram várias conquistas, e agora, é tempo de inserir cada vez mais mulheres nas discussões sociais, lado a lado com os homens. “Quando os assentamentos começaram, as mulheres não podiam ter a titularidade da terra, mas agora ela já sai em nome do casal, ou mesmo, é destinada a uma mulher, divorciada ou solteira”, lembrou Valdirene de Oliveira, outra organizadora do evento, 33 anos, assentada, e estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). Durante a reunião, as mulheres também vão discutir a reforma agrária no Brasil, o modelo de produção agrícola no Estado e também questões ligadas ao meio ambiente. “Há várias pessoas que ainda precisam de terra e também precisam saber como usar o solo sem prejudicar a natureza. Essas discussões estão presentes no nosso dia a dia, para homens e mulheres”, apontou a filósofa Sandra. (MR)

Leia Também