Quarta, 22 de Novembro de 2017

Muhpan promove a harmonia social

6 ABR 2010Por 20h:32

Um olhar na história, nem sempre percebida ou valorizada, com foco na cidadania. Buscando esse despertar numa cidade que ainda não deu conta da riqueza e da importância de seu patrimônio cultural, o Museu de História do Pantanal (Muhpan) trabalha com o tema deste ano do Dia Internacional dos Museus – a harmonia social – envolvendo crianças e jovens em situação de risco em experiências lúdicas. A primeira atividade do museu mantido pela Fundação Barbosa Rodrigues, no centenário casarão Wanderley & Baís, no porto geral, reuniu adolescentes da Casa de Acolhimento Dona Laura Pinheiros Martins, que funciona no Bairro Popular Nova.

Sílvio Andrade, Corumbá

 

O grupo participou de uma oficina em que se aprende a produzir uma câmera fotográfica artesanal, usando uma caixa de fósforos com filme de 35 mm. A técnica, chamada de "pinlux" ou "pinhole" (do inglês, buraco de agulha), que remonta aos primórdios da fotografia, hoje é difundida por profissionais da fotografia e instituições culturais por todo o País. A ideia de envolver os jovens corumbaenses nesse projeto tem duas vertentes: atrair novos públicos para o Muhpan e resgatar a história real, perdida com a influência da internet no cotidiano das pessoas.

"A construção da imagem em evidência, sem os recursos atuais, possibilita trazer de volta a história não virtual, focando a criança e o jovem nas coisas que lhes cercam e foram deixadas para trás", explica Juliano Borges, coordenador do Muhpan. Esse olhar se encontra na compreensão de um fenômeno físico, a câmara escura, transformando em imagens fotográficas a percepção da realidade em que se vive.

 

Descobertas

Na oficina ministrada por monitores do Muhpan – são estagiários dos cursos de História e Pedagogia da Universidade Federal de MS –, o grupo acompanha todo o processo, da produção da câmera à cópia fotográfica. Depois de aprenderem a criar a "pinlux", os jovens saíram às ruas para captar imagens das belezas arquitetônicas e monumentos expostos no Jardim da Independência e no porto geral.

"Isso está mexendo com a autoestima deles", diz a coordenadora da casa de acolhimento, a psicóloga Márcia Julio Barbosa. "É uma atividade de motivação, que permite novas descobertas e os faz sentir-se úteis, valorizados. Todos estão levando a sério." A casa de acolhimento protege garotas de 12 a 17 anos, vítimas de maus-tratos e violência sexual, com moradia temporária e apoio psicológico.

 

Exposição

As fotografias em preto e branco captadas pelas jovens – o coreto, os monumentos da praça e os casarões que compõem o conjunto arquitetônico na orla – foram reveladas e farão parte de uma exposição temporária no Muhpan, no segundo semestre deste mês. A próxima oficina vai reunir os ex-usuários de drogas assistidos pelo Caps-ad (Centro de Atenção Psicossocial). Em maio, será a vez dos garis.

A oficina está aberta a outros grupos sociais, informa Juliano Borges, explicando que o Muhpan integra as comemorações da oitava edição da Semana Nacional dos Museus, de 17 a 23 de maio, intensificando suas relações com a sociedade fronteiriça. Além de abrir seu acervo aos turistas, o Muhpan quer estimular a visita de grupos tradicionais, como os ribeirinhos, pescadores e camponeses.

 

Serviço

O Muhpan conta a história de ocupação do Pantanal, que ocorreu há oito mil anos, com acervo que retrata a identidade do homem pantaneiro. Está instalado desde 2008 no prédio de número 275 da Rua Manoel Cavassa, no porto geral de Corumbá. Horário de visitação: de terça a sábado, das 13h às 18h. Telefone: 3232-0303.

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