Sábado, 18 de Novembro de 2017

Mudança na lei teria custado R$ 90 mil

3 SET 2010Por 20h:01
Antonio Viegas, de Dourados

Pela quantia de R$ 90 mil, a Câmara Municipal de Dourados teria alterada na “surdina” uma lei que previa o fim das queimadas nas lavouras de cana até o fim do ano passado. Com a mudança, esse procedimento seria prorrogado por mais um ano, ou seja, até dezembro próximo, para beneficiar uma única usina que não havia adquirido o maquinário específico.
O secretário de Governo, jornalista Eleandro Passaia, que levantou em conjunto com a PF todas as informações que permitiram derrubar o grande esquema de corrupção na Prefeitura de Dourados, garantiu ontem ao Correio do Estado que no processo de alteração da chamada “lei da cana”, a propina foi do empresário Celso Dal Lago, dono da usina Dourados Álcool e Açúcar.
Segundo o secretário, documentos relativos a essa denúncia estão nas mãos da Polícia Federal e o esquema “foi bem armado para que o prefeito Ari Artuzi não ficasse mal com a população e com os ambientalistas”. A Câmara aprovou a mudança “na calada da noite” e encaminhou para a sanção do prefeito. Artuzi teria vetado propositalmente para que a lei retornasse à Câmara para ser derrubada e promulgada.
De acordo com o que foi apurado, o autor do pedido de modificação, encaminhado em meados de março deste ano, foi o vereador Paulo Henrique Bambu (DEM), um dos presos na Operação Uragano. A lei original foi criada em 2007, de autoria do então vereador do PT, Elias Ishy, atendendo reivindicações de entidades ligadas à defesa do meio ambiente.
Conforme relatos da época em que o assunto voltou à Câmara, teria havido acordo entre os vereadores para evitar a unanimidade. Com isso, dois deles, o presidente da Casa Sidlei Alves (DEM) e José Carlos Cimatti (PSB), também presos pela PF, votaram contra o novo texto. O voto deles não impediu, porém, a aprovação da alteração.
Eleandro Passaia conta que dos R$ 90 mil repassados pelo empresário, R$ 70 mil foi entregue ao presidente da Câmara, Sidlei Alves, para ser repartido entre os vereadores e os outros R$ 20 mil teriam ficado com o prefeito Ari Artuzi. O jornalista ressalta  que esse foi apenas mais um ato de corrupção envolvendo a Prefeitura de Dourados e a Câmara de Vereadores.

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