Quinta, 23 de Novembro de 2017

MS está fora de negociação para atrair o PMDB

25 JAN 2010Por 08h:21
O ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu assegurou ao ex-governador José Orcírio dos Santos a “exclusão de Mato Grosso do Sul de qualquer tipo de negociação para acomodação política do PMDB”. Ele aconselhou, semana passada, em Brasília, José Orcírio a colocar o “pé na estrada” atrás de votos para tentar vencer o governador André Puccinelli (PMDB). Zé Dirceu disse a José Orcírio que a aliança nacional com o PMDB não será obstáculo para concorrer ao Governo do Estado. Até porque não se trata de problema isolado. Há conflitos, por exemplo, na Bahia, Minas Gerais, Pará e Ceará. O deputado federal Vander Loubet participou, também, desta reunião com Zé Dirceu. O resultado do encontro, na sua avaliação, mostra a disposição do Planalto e do PT de alavancar a candidatura de José Orcírio. “Temos o aval do comando nacional do PT para tocar a campanha sem se preocupar com André e com o PMDB”, comentou Vander. Antes de conversar com José Orcírio, Zé Dirceu reuniu- se com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, para avaliar os efeitos das relações conflituosas do PT com o PMDB em Mato Grosso do Sul. Os dois partidos estão para fechar aliança nacional. Então era necessário analisar as implicações políticas deste confronto nos estados considerados problemáticos. No acordo com o PT, o PMDB indicaria o deputado federal Michel Temer (SP) para ocupar a vaga de vice na chapa de Dilma Rousseff. Mesmo sem o acerto dos dois partidos em Mato Grosso do Sul, a ministra, segundo Vander, deu aval ao nome de José Orcírio para concorrer ao Governo do Estado. “Zeca será o candidato de Dilma e do presidente Lula no Estado”, afirmou. Para ele, André Puccinelli perdeu a confiança do Planalto com a sua posição dúbia em relação à sucessão presidencial. Na avaliação de Dilma e Zé Dirceu, o PT não pode abrir mão da candidatura de José Orcírio, porque ele está hoje entre os quatro petistas mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais nos estados. Um exemplo citado na reunião foi o desempenho do ministro da Justiça, Tarso Genro, na corrida eleitoral no Rio Grande do Sul. Ele lidera a preferência do eleitorado com a média de 35% das intenções de voto, enquanto José Orcírio, em qualquer cenário em Mato Grosso do Sul, está com mais de 30%. Atrás apenas do governador. Sem vinculação Zé Dirceu – que vem articulando apoio com outros partidos à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República – disse a José Orcírio para organizar a campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul, independentemente da aliança nacional do PT com o PMDB. “O André que tome o destino que desejar”, comentou o ex-ministro, segundo Vander Loubet, numa referência à ameaça de o governador apoiar o tucano José Serra na sucessão presidencial no caso de José Orcírio entrar na disputa pelo Governo do Estado. “Não tenho mais dúvida: a candidatura de Zeca (José Orcírio) é irreversível”, disse Vander, depois de sair da reunião, sexta-feira (22), realizada no escritório do ex-governador. “O Zeca sabe das dificuldades que terá pela frente, mas o apoio que vem recebendo de todo o PT, da ministra Dilma e do presidente Lula, pode superar todos os obstáculos”, afirmou. Vander acha, ainda, que o confronto do PT com o PMDB no Estado não vai prejudicar o desempenho de Dilma. “O presidente Lula vai fazer diferença na campanha eleitoral em todo o País. Ele alavancará a candidatura de Dilma e, consequentemente, ajudará os candidatos do PT, como é o caso do Zeca em Mato Grosso do Sul”, previu o deputado petista.

Leia Também