Quinta, 23 de Novembro de 2017

MS envia 66 militares para missão no Haiti

16 AGO 2010Por 22h:08
Silvia Tada

Noventa militares do Exército Brasileiro, sendo 66 de Mato Grosso do Sul, devem desembarcar na tarde de hoje, em Porto Príncipe, capital do Haiti. Eles fazem parte do primeiro escalão do 2º Batalhão de Infantaria de Força de Paz. O grupo partiu na manhã de ontem, da Base Aérea de Campo Grande, com destino a Boa Vista (RR), com escala em Brasília (DF). A segunda turma embarcará na quarta-feira (no total, são 810 pessoas que assumirão a missão, substituindo os atuais militares em atuação naquele país).

Dezenas de familiares foram até o local se despedir de irmãos, maridos, filhos e amigos. Cada militar, que aceita voluntariamente o serviço, passa seis meses no país caribenho, onde o Brasil lidera a Missão de Estabilização das Nações Unidas para o Haiti (Minustah). Nesse período, continuam recebendo os salários e contam com gratificação da ONU, que varia de US$ 900 a US$ 4.000, conforme patente militar.

Marcilene Ferraz de Souza despediu-se do marido, cabo Airton Souza, junto com os três filhos. A mais nova tem apenas cinco meses. “A gente sente uma tristeza por causa da separação, mas também é um orgulho”, contou. Para o marido, o sentimento é o mesmo. “É uma mistura de felicidade com tristeza. São seis meses longe da família, mas sempre pensei em ir para o Haiti e me preparei muito para estar aqui”, relatou, momentos antes de embarcar no boeing KC 137, da Força Aérea Brasileira.

“O coração fica apertado, mas se é o desejo dele, estou aqui para apoiá-lo”, declarou Idime Moura Castro, de 66 anos, mãe do tenente Luciano Moura, de 25 anos. Ela já sabe que, nos próximos meses, o contato maior com o filho será via internet. “Vamos conversar pelo Skype”, garantiu.

A vida de quem fica no Brasil acaba mudando bastante devido à missão militar no Haiti. No caso da família Rodrigues, a viagem do sargento Márcio Amâncio afetou também a vida da sogra, Vanda Chaves, de 66 anos. Ela mudou-se para Campo Grande, vinda de Araguari (MG), para ficar com a filha, Raquel, e o neto, Mateus. “Vou ficar esses seis meses em Campo Grande, para minha filha não ficar sozinha. Acabei trazendo mais duas netas”, contou.
Além dos militares de Mato Grosso do Sul  (seis de Coxim, seis de Corumbá, oito de Dourados e 46 de Campo Grande), o grupo era formado por um do Rio de Janeiro, sete de Jataí (GO) e 16 de Brasília. Devido à distância, algumas famílias não puderam comparecer para a cerimônia. “O momento da despedida é mais triste, mas todos estamos animados”, disse o soldado Sidnei Tiago do Nascimento, cuja família é de Cáceres (MT), observando o adeus dos colegas e familiares.

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