Segunda, 20 de Novembro de 2017

MS elevou em 80,5% o volume de trabalhadores

1 MAI 2010Por 05h:53
ADRIANA MOLINA

Em dez anos o número de trabalhadores em Mato Grosso do Sul cresceu 80,5%, conforme os últimos dados publicados pela Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Em 1998 o Estado empregava cerca de 275,4 mil pessoas, enquanto em 2008 o volume subiu para 497,3 mil postos. A maior parte deles, hoje, encontra-se na administração pública, cerca de 125,4 mil, quase 25,3% do total.

O setor é ainda o segundo que melhor paga no Estado, com média salarial de R$ 2.012,00, pouco menos que os R$ 2.611,24 oferecidos pelos serviços industriais de utilidade pública − o primeiro quando o assunto é maior remuneração. O setor de serviços, considerado o que mais emprega no País, com 32% dos 39,5 milhões de trabalhadores, tem em MS cerca de 112,6 mil funcionários, ganhando média de R$ 1.095,49 − 22% menos que os R$ 1.337,50 pagos nacionalmente.

“Na realidade, recebemos menos que a média brasileira em sete dos nove setores econômicos em que o Brasil é subdividido”, afirma o economista Áureo Torres. Os em que estamos acima das médias nacionais são: administração pública, onde enquanto recebemos R$ 2.012,00, a média brasileira fica em R$ 1.879,54 (diferença de 7%); e nos serviços industriais de utilidade pública, em que a diferença percentual é de 6,7%, considerando-se que em MS se recebe R$ 2.661,24 e a do País ficou em torno de R$ R$ 2.495,16.

Já entre os que pior pagam uma surpresa: o setor que é considerado um dos maiores geradores de emprego em Mato Grosso do Sul, por sustentar atividades importantes na economia regional, o agropecuário é o que mais remunera mal, com média de R$ 770,99 − fica atrás inclusive do comércio, cuja média salarial é de R$ 774,91. Nos valores brasileiros, as remunerações são de R$ 742,61 e R$ 880,39, respectivamente.

“O fato de ganharmos menos que a média do Brasil, não só nesses dois, como também em outros cinco, reflete a falta de valorização do profissional por parte das empresas. Infelizmente o patrão hoje ainda vê o funcionário apenas como empregado e não um colaborador de grande importância para o crescimento de seu negócio”, explica o economista, justificando que as grandes potências no País, como São Paulo, por exemplo, puxam o índice para cima por conta dessa mudança de mentalidade e ainda a adequação ao custo de vida, que exige melhores salários.

Escolaridade
Quanto à educação recebida pelos trabalhadores nos últimos 10 anos, os dados da Rais revelam crescimentos de 1.328% na formação com mestrado e 427% com doutorado − números bastante representativos já que, em 1998, não havia nenhum funcionário no Estado com esse tipo de qualificação.
Igualmente cresceram os que concluíram o nível superior, passando de 48,4 mil para 157,6 mil em 2008, revelando aumento de 142,7%. Mesmo assim, os com nível médio ainda são maioria, representando 31,7% do total de empregados no Estado, cerca de 157,6 mil. Uma boa notícia:  o número de analfabetos caiu em MS cerca de 51% na década, passando de 6,3 mil em 1998, para 3,1 mil em 2008.

Gênero
Além do analfabetismo, foi reduzida ainda a desigualdade de gênero, ou seja, homens e mulheres começaram a ser tratados com mais igualdade. Em 10 anos, o montante de mulheres no mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul cresceu 102,%, passando de 97,8 mil para 198 mil. No mesmo período, o volume de homens foi acrescido em 68,6%, saltando de 177,5 mil para 299,3 mil vagas.
E quando o assunto é salário para o mesmo posto, ainda existe diferença, de 13,8%. Enquanto o homem recebe no Estado R$ 1.268,68 em média, a mulher recebe R$ 1.114,49. Nacionalmente a desigualdade é ainda maior, de 21,4%, com homens ganhando a média de R$ 1.463,36 e mulheres R$ 1.205,32.
Idade
Ainda de acordo com a Rais, mais de 29% dos que estão no mercado de trabalho em Mato Grosso do Sul, cerca de 144,5 mil, têm entre 30 e 39 anos. E quanto mais idade, maior o salário recebido, por conta dos planos de carreira e permanência por muitos anos numa mesma empresa. Enquanto os com entre 17 e 49 anos recebem valores numa escala crescente entre R$ 446,16 e R$ 1.560,82, os trabalhadores entre 50 e 64 anos ganham, em média, R$ 1.748,86.
Vagas
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), revelam que 45,11% dos empregos gerados no Estado, entre 2008 e março de 2010, estão em Campo Grande. O segundo município que mais emprega é Dourados, com 8,67%, seguido de Três Lagoas, com 4,91% do total de 520 mil postos de trabalho. Veja os 10 municípios que mais empregam em MS no gráfico.

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