Quarta, 22 de Novembro de 2017

Motivação “quo vadis” ?

16 AGO 2010Por 22h:38
O início de julho, na Universidade, foi marcado pela divulgação das notas obtidas durante o primeiro semestre letivo e também pela realização de inúmeras avaliações substitutivas. Um breve exame das muitas listas já afixadas permite concluir que o aproveitamento, especialmente o dos recém-ingressos na academia, foi decepcionante.  
Na UFMS o semestre que finda inaugura um novo sistema de avaliação que não mais conta com o exame final. Para ser aprovado, o aluno deve obter nas avaliações propostas pelo docente de cada disciplina, média igual ou superior a cinco. Na forma delineada em cada plano de ensino, uma avaliação substitutiva poderá suprir uma avaliação anterior perdida ou considerada, pelo aluno, como insatisfatória.
Reconheço, entre as causas possíveis, a baixa motivação. Sendo abstrata, a motivação é um ente ou construto que direciona os pensamentos e os comportamentos. Os anseios, esforços, sonhos e as esperanças modulam a intensidade da motivação. De forma simplista, esses moduladores podem ser posicionados em três contextos distintos, a saber: o núcleo familiar, o conjunto discente e a instituição de ensino.
Três universos distintos, mas complementares e fundamentais para o êxito do ensino como processo de aprendizagem. Nas universidades brasileiras em geral, e nas públicas em particular, a falta de investimentos na manutenção e modernização da estrutura física, na renovação e ampliação dos quadros de especialistas (professores e técnicos), são mazelas que redundam na estagnação das atividades didáticas e perpetuam um ensino pouco dinâmico, em nada criativo ou motivador.
Diante de um professor incapaz de motivar, seja por falta de ambiente, ferramentas ou capacidade; sem bibliotecas informatizadas, museus interativos e laboratórios bem equipados, resta aos adolescentes ingressantes atentar mais aos monitores repletos de ação virtual. O tempo se lhes escoa cada vez mais intensamente, até restar pouco ou nada para a alimentação, os exercícios, a convivência e o estudo.     
Posiciono nas famílias o infortúnio de pouco conseguirem, por meio de exemplos ou diálogos, influir na construção de personalidades preocupadas com o futuro. Constato que a maior parte dos “recém-universitários” desvia facilmente dos caminhos da subsistência para outros, repletos de imediatismo, imagens, sons e palavras mal escritas.
O francês Romain Rolland escreveu que o pessimismo da inteligência não deve abalar o otimismo da vontade, deixando claro que a partir da indiferença é impossível cultivar a vontade. O reforço do entusiasmo implica no sacrifício de prazeres imediatos e no cuidado com as emoções. A disposição para encarar as coisas pelo lado positivo e a esperança por um desfecho favorável estão vinculados à auto-estima, ao bem-estar psicológico e à saúde física e mental. Ser otimista não significa não ter eventuais pessimismos e vice-versa.
Diante do acima exposto, cabe uma reflexão acerca dos caminhos a trilhar em cada contexto. No âmbito familiar, creio seja necessária uma reeducação; não via condenação e exclusão dos novos aparatos tecnológicos, mas de sua limitação de uso a um tempo plausível, pela manutenção da saúde e das relações sociais humanas.
Aos discentes recém-ingressos, especialmente aos constrangidos pelo baixo desempenho inicial, interessa reencontrar o norte de suas vidas e buscar motivação no contexto universitário que lhes foi possível. Nunca, como agora, as fontes de informação foram tantas e tão disponíveis e isso constitui um diferencial vantajoso em relação aos estudantes do passado, entre eles muitos pais e avós.
A recomposição das instituições universitárias, especialmente das públicas, depende da mudança da postura governamental, a iniciar pela auditoria dos meandros de cada instituição, pois o ensino nunca foi compatível com os interesses do monopólio do poder universitário. Urge, por outro lado, otimizar o retorno social dos impostos e reorientar a aplicação dos recursos lotéricos para a melhoria dos programas de saúde e educação. Dessas medidas, entre outras, dependerá a resposta à pergunta-título;  motivação, para onde vais?   
    
José Luiz Lorenz Silva, – Geólogo. Prof. Dr. da UFMS/Campus de Três Lagoas
E-mail lorenzjl@zipmail.com.br

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