Terça, 21 de Novembro de 2017

Moradores revoltados querem investimentos

14 FEV 2010Por 04h:54
Enquanto a Prefeitura de Campo Grande pretende gastar mais de R$ 50 milhões em obras como a do Centro de Belas Artes, a de uma praia artificial, e ainda incrementar a merenda escolar com carne bovina orgânica e de avestruz, famílias do Bairro Costa Verde, em Campo Grande, estão revoltadas com a falta de investimentos no local. Os moradores reclamam que estão sem coleta de lixo, não há linha de ônibus, as ruas foram invadidas pelo mato, animais peçonhentos têm invadido as residências e em dias de chuva não é possível sair a pé de casa sem se sujar. Em represália ao abandono, os moradores ameaçam invadir uma área de propriedade da prefeitura que foi tomada pelo mato e está servindo de criadouro para animais peçonhentos como cobras, aranhas e escorpiões. “Se o Nelsinho Trad não quer essa área, nós vamos lotear e falar para pessoas que não possuem casa vir morar aqui. Pelo menos vai ter alguém para cuidar”, ameaçou a dona de casa Elizabethe Caldeira Rocha. Além de conviverem com a sujeira, os moradores ainda ficam suscetíveis a contrair doenças como leishmaniose e dengue. Elizabethe, por exemplo, se recupera da dengue. A jovem Claudiane Dias Alves, 27 anos, está com a filha Mariana, 4 anos, fazendo tratamento contra leishmaniose após ter ficado 30 dias internada. “Ela pegou a doença lá em casa, sendo que a gente nem tem cachorro. Imagina quanto mosquito que transmite dengue e leishmaniose não existem aqui nesse bairro sujo e esquecido pelas nossas autoridades”, reclamou Claudiane. A falta de iluminação também preocupa os moradores que precisam sair ou chegar à noite em casa. “Durante a noite sair aqui é um grande risco. Para dizer a verdade, é um desafio. Temos que pegar o ônibus no Bairro Monte Castelo – Bairro mais próximo do local – e para chegar até lá temos que andar bastante”, disse a moradora Joana Conceição Alves, 55 anos. Ela fez questão de ressaltar que paga pela iluminação pública que não existe. “Além de cobrar a luz que não tem, o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) não falha. O lixeiro não sabe nosso endereço para passar aqui, mas a fatura do IPTU a prefeitura manda sem falta”, enfatizou Joana. O comerciante Cléber de Holanda Tiago, 33 anos, lamentou a situação do bairro e disse que as pessoas nem conseguem chegar até seu comércio porque a situação da via é muito precária. “Só quem mora perto mesmo para ir comprar alguma coisa. Os que moram um pouco longe não querem enfrentar a lama da rua. Isso é vergonhoso até porque pagamos todos os impostos”, salientou Cléber.

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