Sexta, 17 de Novembro de 2017

Monólogo e parceria

24 MAR 2010Por 07h:15
A temporada teatral poderá trazer mais surpresas, principalmente para quem acompanha a trajetória do ator e diretor Arce Correia que, nos últimos anos, ficou mais conhecido por meio do personagem Maria Quitéria. “Muita gente nem sabe que tenho mais de 12 anos de carreira no teatro”, informa o ator. Longe do personagem que lhe trouxe notoriedade, aceitará o desafio de fazer o monólogo “Apareceu a Margarida”, sucesso teatral brasileiro da década de 1970, marcado pela atuação da atriz Marília Pêra. “Assisti a uma versão dessa peça em 1999, gostei muito e pensei em fazê-la, mas tive medo. Eu já era conhecido por uma personagem feminina, e fazer outra achei que pudesse ficar esteriotipado; mas, agora, acho que é hora de mudar isso”, afirma Arce. Para dirigi-lo, importou o ator e diretor baiano João Lima, que esteve várias vezes em Campo Grande. “Eu o chamei porque queria trabalhar com um profissional de outro lugar e, ao conhecer o que ele fazia, fiz o convite”. Sozinho em cena, Arce Correia interpreta uma professora do ensino fundamental que oprime os alunos. “Trata-se de um texto que já teve cerca de 300 montagens pelo mundo, inclusive na Broadway. Queremos trazer o autor da peça, Roberto Athayde”. A peça estreará no dia 24 de abril e recebeu R$ 30 mil do Prêmio Myriam Muniz para custear a produção. Dois matos A dobradinha Mato Grosso do Sul/Mato Grosso também acontecerá na parte teatral. Os responsáveis serão os grupos Flor e Espinho (Campo Grande) e Teatro Fúria (Cuiabá), um dos mais representativos do Centro-Oeste. “Ao encontrar Periclês Anarcos, do Teatro Fúria, em um evento em Brasília no ano passado, falei da possibilidade dele escrever um texto para o Flor e Espinho. Alguns meses depois, ele o apresentou e disse que desejava trabalhar com a gente. Desde o fim do ano passado começamos os ensaios”, relata Anderson Lima, diretor do grupo campo-grandense. Os ensaios acontecem no Teatro Glauce Rocha e destacam em cena cinco atores. A peça chama-se “A fonte de Aqui”, terá ensaios abertos a partir do próximo mês e recebeu convites para ser apresentada em festivais fora de Mato Grosso do Sul. A trama enfoca família presa numa casa, da qual apenas o pai pode sair à rua. O grupo Flor e Espinho foi contemplado com R$ 30 mil da Funarte para montagem, enquanto o grupo cuiabano recebeu do mesmo órgão apoio para excursionar pela região Sul e Sudeste. “Com isso, o espetáculo passará por vários estados”, destaca Anderson. Nelson Rodrigues Depois do sucesso de “No gosto doce e amargo das coisas que somos feitos”, o grupo dirigido por Nill Amaral prepara novo espetáculo. Desta vez, o texto escolhido é “A serpente”, de Nelson Rodrigues. O trabalho fará parte do Projeto Universo Rodrigueano, que prevê ainda outras atividades intelectuais em torno da produção do autor. “Essa é a última peça escrita por Nelson e destaca vários temas recorrentes em sua obra”, aponta o diretor. A partir dessa encenação, o grupo ganha o nome definitivo de Cia das Nuvens. Para concretizar o espetáculo será necessário patrocínio. “Inscrevemos no FIC (Fundo de Investimentos Culturais) e aguardamos a resposta. Somente com patrocínio será possível dar continuidade ao que estamos estabelecendo em termos de proposta teatral”, ressalta Nill. (OR)

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