Segunda, 20 de Novembro de 2017

CORRUPÇÃO EM DOURADOS

Missão dos suplentes será cassar Artuzi e 11 vereadores

8 SET 2010Por 23h:48
adilson trindade e Fernanda Brigatti

A primeira missão dos suplentes de vereador de Dourados, depois de assumirem os cargos, será eleger a nova Mesa Diretora e abrir o processo de impeachment para cassar o mandato do prefeito Ari Artuzi (PDT) e do vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), que se encontram presos, e, logo em seguida, de todos os vereadores envolvidos no esquema de corrupção. Hoje, o Ministério Público Estadual estará fazendo a sua parte pedindo à Justiça o afastamento cautelar dos titulares da Câmara Municipal, à exceção de Délia Razuk (PMDB), que escapou do furacão da Polícia Federal que devastou da política douradense os acusados de corrupção.
A recomendação aos suplentes será de fazer uma limpeza na Câmara Municipal e tirar da política o prefeito e o vice-prefeito. Assim, eles ganharão a cadeira de titular no Legislativo e contribuirão para a retomada da estabilidade político-administrativa de Dourados.
O esforço do Ministério Público é não permitir o retorno aos cargos de nenhum político acusado de corrupção. Parte da estratégia já está dando certo: manter na cadeia o prefeito, o vice-prefeito e o presidente da Câmara Municipal, Sidlei Alves (DEM). Caso um deles fosse liberado, o juiz Eduardo Rocha teria que deixar o cargo de prefeito, impedindo a promoção da devassa nas contas do município, a fim de aprofundar as investigações de desvio de dinheiro do contribuinte.
A investigação da Polícia Federal que resultou na Operação Uragano flagrou o prefeito Ari Artuzi recebendo dinheiro vivo, resultado de propina, assim como o vice-prefeito. O presidente da Câmara, Sidlei Alves, é apontado no relatório da PF como o “mais voraz” dos vereadores. O delegado Bráulio Gallone, que conduziu a investigação, afirmou ainda que Sidlei “colocava a faca no pescoço” de Artuzi para obter dinheiro ilícito. Os flagrantes foram feitos em vídeo, com autorização judicial, pelo secretário de Governo, Eleandro Passaia.
Essas autoridades, consideradas pessoas influentes na cidade, foram mantidas na cadeia a pedido do Ministério Público, para não atrapalhar as investigações. Com elas presas, o promotor de Justiça, Paulo Cesar Zeni, espera concluir a “limpeza” na Câmara Municipal e na Prefeitura de Dourados. A situação fica mais fácil com o juiz Eduardo Rocha exercendo a função de prefeito da cidade. Ele poderá abrir as contas do município para uma devassa. A previsão é que ainda hoje sejam publicados os decretos de auditorias em todos os setores da prefeitura.
O esquema desmantelado pela Operação Uragano operava com o pagamento de propinas ao prefeito, vice-prefeito, aos vereadores e secretários municipais para garantir o direcionamento de licitações a empreiteiras e outras empresas que atuam na cidade. Os empresários chegavam a repassar dinheiro ao prefeito e aos demais semanalmente. Em todo contrato do município, os gestores públicos recebiam até 10% de “retorno”, como eles tratavam a propina. Ao todo, 67 pessoas foram indiciadas.

Novas eleições
Se a Justiça acolher o pedido para afastar os vereadores, os suplentes deverão acelerar a abertura de processo de impeachment do prefeito Ari Artuzi e do vice Carlinhos Cantor. A cassação do mandato deles permitirá a realização de novas eleições para prefeito e vice-prefeito. Se os dois forem afastados ainda neste ano, os eleitores serão convocados a voltar às urnas. Mas se deixarem para o próximo ano, a eleição será indireta. Os vereadores vão escolher o novo prefeito, que pode ser um integrante do Legislativo ou outro candidato que se inscrever para concorrer à eleição indireta.

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