Quinta, 23 de Novembro de 2017

Mineiros soterrados recebem água, glicose e hoje alimentos

24 AGO 2010Por 09h:42
AGÊNCIA ESTADO, COPIAPO

Os 33 mineiros encontrados com vida após 18 dias presos em uma mina de cobre e ouro no Chile devem ficar mais alguns meses no subterrâneo, enquanto esperam que se cave um túnel grande o suficiente para resgatá-los. No domingo, os chilenos celebraram a notícia de que os mineiros haviam sobrevivido. Ontem, os socorristas conseguiram enviar pequenas doses de água e de glicose aos 33 trabalhadores soterrados.
“Todos os trabalhadores estão bem, com exceção de um que sofre de problemas estomacais”, disse o ministro da Mineração do Chile, Laurece Golborne. O único ponto de contato dos mineiros com os socorristas é um pequeno buraco aberto pela perfuração, pelo qual passam a água, a glicose e, a partir de hoje, alimentos. Eles estão em uma câmara a 688 metros de profundidade.
As autoridades enfatizaram que junto à recuperação física será necessário um esforço intenso para garantir a situação psicológica dos mineiros. “É preciso estabelecer com urgência a situação psicológica deles”, disse o ministro da Saúde, Jaime Mañalich. Ele disse que os mineiros precisam entender que o resgate irá demorar e que se eles estiverem em boas condições físicas e psicológicas poderão suportar por bastante tempo.
As equipes de resgate perfuraram com uma sonda um fino buraco, através de 688 metros de rocha sólida, para chegar a um refúgio de emergência onde estavam reunidos os mineiros. Os trabalhadores presos enviaram duas notas que grudaram no extremo da sonda. Quando ela foi retirada, chegou à superfície a primeira mensagem dos mineiros, com grandes letras escritas em vermelho. “Estamos bem no refúgio dos 33”, afirmava o texto. “A notícia nos enche de alegria”, comemorou o presidente do Chile Sebastián Piñera, exibindo a mensagem.
Houve uma festa na superfície da mina para os familiares dos mineiros, com música, comida e velas, além de bandeiras do país. As equipes de resgate, porém, estimaram que pode levar até quatro meses para se cavar um túnel de 68 centímetros de diâmetro, a fim de que os mineiros sejam retirados um por um.
O pequeno buraco já perfurado será utilizado para o envio de cápsulas pequenas com alimento, água e oxigênio, caso seja necessário. Também haverá um sistema de comunicação, para que os mineiros dialoguem com seus familiares.
O anúncio da sobrevivência dos mineiros foi uma ótima notícia para o Chile, ainda se recuperando do terremoto de 27 de fevereiro e do posterior tsunami que mataram 521 pessoas e afetaram mais de 200 mil. Piñera viajou até a mina, localizada 850 quilômetros ao norte de Santiago, logo após a sonda chegar ao refúgio. Entre os 33 mineiros presos há um boliviano, Carlos Mamami Solíz, de 23 anos, que havia emigrado uns meses antes em busca de trabalho.
Em uma clara consequência do desmoronamento, uma avalanche de água e lama que soterrou os mineiros, e em meio a acusações de que a empresa proprietária da mina não cumpriu com as medidas de segurança, Piñera ordenou a abertura de uma investigação. Uma comissão foi designada e em 90 dias deverá apresentar propostas para reformas legais que incrementem a segurança trabalhista em todos os setores. O ministro Golborne afirma que “não haverá impunidade”. Familiares dos mineiros soterrados, que ainda ontem manifestavam alegria pela descoberta de seus parentes vivos, anunciaram ações na Justiça contra a empresa.
O milionário da mineração chilena, Leonardo Farkas, deu de presente US$ 5 mil a cada família de cada mineiro soterrado e ofereceu emprego a todos os 33, quando eles voltarem à superfície.

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