Domingo, 19 de Novembro de 2017

Mineiros enfrentam fome e falta de ventilação

25 AGO 2010Por 05h:28
SANTIAGO

Os 33 mineiros presos há 19 dias em uma mina de cobre e ouro no Chile devem sobreviver com uma dieta de peixe, leite e pêssegos, que eles receberão a cada dois dias. Os mineiros disseram que os maiores problemas enfrentados no subterrâneo são a fome, a falta de ventilação e o pó. A alimentação sólida dos mineiros, contudo, só começará daqui a quatro dias. Nos 19 dias em que já estão soterrados, em um espaço de 25 metros quadrados da câmara de segurança, eles têm se alimentado cada um de meio biscoito, meio copo de leite e duas colheradas de atum em lata a cada 48 horas. Os mineiros, porém, têm acesso a outras câmaras na mina fora do espaço de 25 metros quadrados de segurança, inclusive um câmara vizinha que usam como banheiro.
Segundo a médica Paula Newman, o grupo já recebeu um solução com glicose a 5% e comprimidos de omeprazol, um medicamento para revestir o estômago para evitar possíveis úlceras devido à falta de alimentação.
Eles estão em um refúgio de emergência a 688 metros de profundidade e o contato com o mundo exterior foi estabelecido através de um pequeno buraco aberto pela perfuração. A mina em que o grupo está preso fica perto de Copiapó, cidade no norte do país. Ontem, os mineiros receberam mensagens de seus familiares. “Força, não deixem de lutar”, pedia uma das mensagens.
Um dos 33 mineiros soterrados é Franklin Lobos, que no passado chegou a jogar pela seleção chilena de futebol. Carolina, filha de Lobos, diz que preparou com os primos uma carta longa, pois o pai terá todo o tempo do mundo para lê-la. “Queríamos te mandar uma bola, mas não cabe no buraco”, brinca o texto.

Máquina
Equipes de socorro se preparavam ontem para instalar uma grande máquina perfuradora que lhes permitirá cavar um poço e assim alcançar os mineiros. A máquina Strata 950 era esperada ontem à acidentada mina de cobre e ouro de San José, no norte do Chile, mas as atividades de perfuração de um poço com quase 700 metros de profundidade e 66 centímetros de diâmetro começarão apenas no final da semana.
A representante do governo na região do acidente, Ximena Matas, disse que a previsão é concluir dentro de dois dias a instalação da máquina, vinda da divisão andina da gigante Codelco, a maior produtora mundial de cobre. A nova máquina de perfuração deve avançar a um ritmo diário de 10 a 15 metros. Portanto, serão vários meses de trabalho.

Presidente
O presidente do Chile, Sebastián Piñera, tentou ontem, manter o otimismo sobre o resgate dos 33 mineiros presos na mina do norte do país desde o dia 5 de agosto. “Provavelmente eles não vão estar conosco na superfície para o bicentenário (18 de setembro), mas vão estar conosco para o Natal e o Ano-Novo”, disse o presidente após participar de um ato religioso em homenagem aos trabalhadores.
“Estamos fazendo o humanamente possível para tê-los até o fim do ano”, disse o presidente. Ainda de acordo com Piñera, os operários estão cheios de fé e preocupados com outros companheiros de trabalho. “São exemplos de como queremos que seja este país”, completou.

Sobrevivência e resgate
Ontem, o ministro de Minas do Chile, Laurence Golborne, fez o primeiro contato por telefone com os 33 mineiros, quando cantaram o Hino Nacional. Segundo ele, os trabalhadores estão “bem de saúde”, mas ainda não sabem que as operações para tentar retirá-los podem levar até quatro meses.
O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas.

Assessoria da Nasa
As autoridades de saúde chilenas pediram a ajuda da Nasa para alimentar os 33 mineiros, informou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich.
Segundo o ministro, a quase 700 m de profundidade, às escuras, com pouca ventilação e sem acesso a alimentos, a situação dos 33 mineiros é muito parecida com a que os astronautas vivem quando estão no espaço.
A ajuda pedida, explicou o ministro, diz respeito especialmente ao processo de alimentação a que devem ser submetidos os mineiros, com pequenas doses de alimentos condensados, mas ricos em proteínas.

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