Política

VIOLÊNCIA

Militância do candidato eleito parte para agressão contra jornalistas

Militância do candidato eleito parte para agressão contra jornalistas

DA REDAÇÃO

29/10/2012 - 00h00
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A equipe do Correio do Estado foi hostilizada, ontem, pela militância do candidato eleito prefeito de Campo Grande, deputado estadual Alcides Bernal (PP), durante a apuração dos votos. As agressões verbais às jornalistas, Roberta Cáceres e Jéssica Benitez, e ao repórter fotográfico, Gerson Walber, ocorreram tanto no comitê do progressista, quanto no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS).

Aos berros os militantes proferiram insultos ao Jornal Correio do Estado, e também ao diretor da empresa, ex-senador Antonio João Hugo Rodrigues. Eleitores revoltados ainda chutaram o veículo do jornal. O motorista Flávio Mesquita aguardava as repórteres e o fotógrafo retornarem da apuração do lado de fora do TRE-MS e foi obrigado a retirar o carro de onde estava para escapar dos ataques dos revoltados.

Durante o trajeto do TRE até o comitê do prefeito eleito pelo PP algumas pessoas, de dentro de seus carros, fizeram gestos obscenos à equipe.

A ira da mlitância é decorrente das inúmeras críticas feitas por Bernal em relação a alguns sites e jornais da Capital. “Muito jornal se entregou a interesses oficiais e com coisas maldosas atacaram minha honra”, disse ontem em seu discurso da vitória.

Profissionais de outros veículos de comunicação também relataram ter sofrido represálias da militância do PP, incluindo eleitores de candidatos derrotados no primeiro turno e aliados de Bernal no segundo. 

Eleições 2026

Vander diz ter apoio de 65 prefeitos e avança sobre espaço de Contar

O número representa mais de 82% dos gestores municipais do Estado

31/08/2026 08h00

O deputado federal Vander Loubet (PT) reunido com 12 prefeitos da região do Cone Sul do Estado

O deputado federal Vander Loubet (PT) reunido com 12 prefeitos da região do Cone Sul do Estado Foto: Divulgação

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O deputado federal Vander Loubet (PT), candidato ao Senado, afirma já contar com o apoio ou a simpatia de cerca de 65 dos 79 prefeitos de Mato Grosso do Sul, principalmente como opção para o segundo voto ao Senado. 

O número representa mais de 82% dos gestores municipais do Estado e, se confirmado nas urnas, revela um avanço expressivo do petista sobre a base política que sustenta a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP).

Segundo Vander, parte desses prefeitos manifesta apoio de maneira mais explícita, enquanto outra prefere manter a posição reservada diante da atual conjuntura política. Por isso, o candidato evita divulgar nominalmente a relação dos gestores que estariam dispostos a trabalhar pelo seu nome nos municípios.

A estratégia, conforme relatado pelo parlamentar, é permitir que o apoio se manifeste principalmente nas bases, com a participação de vereadores, lideranças municipais e apoiadores, evitando criar constrangimentos políticos aos prefeitos que também possuem compromissos com outros integrantes da aliança governista.

O movimento atinge especialmente o espaço do ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), candidato ao Senado apoiado oficialmente pela coligação de Riedel ao lado do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). Na prática, alguns prefeitos ligados ao grupo governista já sinalizaram preferência pela dobradinha Azambuja e Vander para as duas vagas em disputa.

ALIADOS DECLARADOS

Entre aqueles que já tornaram público o apoio ao petista estão os prefeitos Nelson Cintra (PSDB), de Porto Murtinho, Juliano Ferro (PL), de Ivinhema, e Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados.

Os três fazem parte de partidos inseridos na ampla aliança política em torno da candidatura de Riedel, mas optaram por apoiar Azambuja para uma das vagas e Vander para a outra, deixando Contar de fora de suas preferências para o Senado.

Em Porto Murtinho, a adesão de Nelson Cintra chamou a atenção porque superou inclusive diferenças políticas históricas. Nem a participação do PSDB na aliança governista nem a antiga rivalidade com o grupo do ex-governador Zeca do PT impediram a aproximação entre o tucano e Vander.

A ofensiva do petista sobre os prefeitos ganhou novo capítulo no sábado, durante uma reunião realizada em Tacuru com o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, prefeitos de 12 municípios.

Participaram da agenda gestores Elaine Aparecida Soligo (MDB), de Aral Moreira, Maria Lurdes Portugal (PL), de Caarapó, Niágara Kraievski (PP), de Coronel Sapucaia, Fabiana Maria Lorenci (PP), de Eldorado, Lídio Ledesma (PSDB), de Iguatemi, Thalles Henrique Tomazelli (PL), de Itaquiraí, Vitor da Cunha Rosa (PSDB), de Japorã, Gilson Marcos da Cruz (PSD), de Juti, Rosária de Fátima Ivantes Lucca Andrade (PSDB), de Mundo Novo, Heliomar Klabunde (MDB), de Paranhos, Erlon Fernando Possa Daneluz (PSDB), de Sete Quedas, Rogério de Souza Torquetti (PSDB), de Tacuru, Sérgio Diozebio Barbosa (MDB), de Amambai, e Rodrigo Massuo Sacuno (PL), de Naviraí.

A relação de Vander com os prefeitos da região também passa pela ampliação da atuação da Itaipu no Estado. Até 2023, a presença da Binacional estava praticamente restrita a Mundo Novo. Após articulações envolvendo Vander, a empresa e o governo federal.

“Foi para isso que trabalhamos: para abrir portas que antes estavam fechadas para Mato Grosso do Sul. Hoje temos uma região organizada, prefeitos unidos e novas possibilidades de investimento. No Senado, terei ainda mais força para fazer esse tipo de articulação e trazer resultados concretos para os municípios e para a população”, afirmou o deputado federal. 

CONTESTAÇÃO

Por meio de nota enviada à reportagem na tarde desta segunda-feira (30), a Prefeitura de Naviraí contestou a inclusão do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores que teriam participado da agenda realizada no sábado (29), em Tacuru. 

A administração municipal informou que Sacuno não esteve no encontro e enviou representantes do município e, ainda conforme a nota, a reunião ocorreu a partir de convite oficial feito aos integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Sul de Mato Grosso do Sul (Conisul) para uma visita técnica ao Complexo Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Tacuru, com participação de representantes da Itaipu Binacional.

A administração de Naviraí ressaltou que o convite do Conisul definiu a atividade como uma agenda técnica, destinada à troca de experiências sobre gestão e destinação de resíduos sólidos entre os municípios consorciados. Por isso, afirma que a participação de representantes de Naviraí não deve ser interpretada como manifestação de apoio político ou eleitoral à candidatura de Vander Loubet (PT) ao Senado.

Confira abaixo a nota na íntegra:

PREFEITURA MUNICIPAL DE NAVIRAÍ – MS

Assessoria de Comunicação

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Naviraí/MS, 31 de agosto de 2026.

A Prefeitura Municipal de Naviraí, por meio da Assessoria de Comunicação, vem a público prestar esclarecimentos sobre informações veiculadas na matéria "Vander diz ter apoio de 65 prefeitos e avança sobre espaço de Contar", publicada pelo jornal Correio do Estado em 31/08/2026, que menciona o nome do prefeito Rodrigo Sacuno entre os gestores presentes a uma agenda realizada no município de Tacuru/MS, no dia 29 de agosto de 2026.

Esclarecemos que o prefeito Rodrigo Sacuno não esteve no evento e mandou representantes. Ademais, o referido encontro decorreu de convite oficial aos municípios integrantes do Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento da Região Sul de Mato Grosso do Sul (CONISUL), para a Visita Técnica ao Complexo Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos de Tacuru/MS, com a presença de representantes da Itaipu Binacional.

O convite formal, subscrito pelo presidente do CONISUL, definiu expressamente o caráter técnico da agenda, voltada ao conhecimento das soluções adotadas pelo município de Tacuru na gestão e destinação de resíduos sólidos e à troca de experiências entre os municípios consorciados.

Tratou-se, portanto, de agenda de natureza técnica e institucional, vinculada à cooperação regional entre municípios consorciados, e não de ato de caráter político-partidário ou eleitoral.

A atual gestão reafirma seu compromisso com a transparência e com uma comunicação institucional pautada exclusivamente pelo interesse público, permanecendo à disposição da imprensa para esclarecimentos adicionais.

Assessoria de Comunicação
Prefeitura Municipal de Naviraí – MS

Campo Grande

Grupo já articula para que Nelsinho Trad seja candidato a prefeito em 2028

O senador Nelsinho Trad (PSD) é cotado para ser o candidato a prefeito de Campo Grande em 2028

31/08/2026 07h50

O senador Nelsinho Trad (PSD) é cotado para ser o candidato a prefeito de Campo Grande em 2028

O senador Nelsinho Trad (PSD) é cotado para ser o candidato a prefeito de Campo Grande em 2028 Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

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O senador Nelsinho Trad (PSD), candidato a primeiro-suplente do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) na disputa pelo Senado neste ano, poderá ser o nome do grupo político liderado pelo governador Eduardo Riedel (PP) para disputar a Prefeitura de Campo Grande nas eleições de 2028.

O Correio do Estado apurou, com interlocutores do senador e integrantes do grupo político, que existe uma articulação para que Nelsinho seja o candidato do bloco governista na sucessão da prefeita Adriane Lopes (PP).

A construção, no entanto, ainda estaria condicionada ao cenário político que se formará depois das eleições deste ano. Até 2028, novas composições poderão surgir e Nelsinho poderá rever seus planos, como já ocorreu neste ano, quando deixou de disputar a reeleição ao Senado para integrar, como primeiro-suplente, a chapa encabeçada por Reinaldo Azambuja.

Oficialmente, Nelsinho está registrado como primeiro-suplente de Azambuja na eleição deste ano e, ao ser procurado pela reportagem, preferiu não comentar a possibilidade, dizendo que ainda está muito cedo para tratar dessa questão, pois “muita água ainda vai passar por baixo da ponte”. 

Hoje, porém, segundo a apuração do Correio do Estado, o entendimento entre interlocutores do grupo é de que o senador deverá ser preparado para assumir um papel de destaque na disputa pela sucessão municipal.

SUCESSÃO

A discussão ocorre porque Adriane Lopes, reeleita prefeita de Campo Grande em 2024, estará impedida de concorrer a um terceiro mandato consecutivo no cargo, afinal, sua reeleição foi oficializada pela Justiça Eleitoral naquele ano.

Dessa forma, o grupo político que hoje reúne Riedel, Azambuja, Adriane e a senadora Tereza Cristina (PP) precisará definir outro nome caso pretenda disputar a continuidade no comando da prefeitura em 2028.

É nesse cenário que Nelsinho estaria sendo colocado como uma das principais opções para encabeçar a futura chapa. Caso essa articulação seja mantida até 2028, o senador voltaria a disputar o comando da cidade que já administrou por dois mandatos.

Antes disso, contudo, o cenário dependerá diretamente do resultado das eleições deste ano. Nelsinho abriu mão de tentar permanecer no Senado como titular e passou a integrar a chapa de Reinaldo Azambuja como primeiro-suplente, movimento confirmado nos registros da disputa eleitoral.

FATOR ROSE

Uma eventual candidatura de Nelsinho pelo grupo de Riedel também teria reflexos sobre as articulações envolvendo a ex-deputada federal Rose Modesto (União Brasil), que neste ano disputa uma vaga na Câmara dos Deputados.

Ela concorreu à Prefeitura de Campo Grande em 2024 e chegou ao segundo turno contra Adriane Lopes. Por isso, seu nome naturalmente continua inserido nas discussões políticas sobre a próxima sucessão municipal.

Caso o grupo governista mantenha Nelsinho como seu candidato em 2028, Rose teria de definir, mais adiante, qual caminho político seguiria em uma eventual nova tentativa de chegar à prefeitura.

Como ainda faltam dois anos para a eleição municipal, composições partidárias e alianças poderão sofrer mudanças até a definição das candidaturas.

IRMÃO X IRMÃO

Outro personagem diretamente alcançado pela movimentação é o vereador Marquinhos Trad (PV), candidato a deputado federal nas eleições deste ano.

Ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos também poderá voltar a colocar seu nome na disputa municipal em 2028. Caso ele mantenha esse projeto e a candidatura de Nelsinho pelo grupo de Riedel seja confirmada, os dois irmãos poderão se encontrar em lados diferentes na corrida pela prefeitura.

Marquinhos comandou Campo Grande entre 2017 e 2022, quando deixou o cargo para disputar o governo de Mato Grosso do Sul. Depois, retornou à política municipal e foi eleito vereador em 2024.

Nelsinho, por sua vez, também já comandou a Capital, antes de seguir carreira política na Câmara dos Deputados e no Senado.

Assim, uma eventual confirmação de ambos como candidatos produziria uma situação incomum na política campo-grandense, com dois ex-prefeitos da mesma família disputando novamente o comando da Capital, porém, no pleito deste ano Nelsinho já está do lado oposto ao do seu outro irmão, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), que é candidato a governador.

PLEITO ATUAL

Apesar das conversas sobre 2028 já terem começado nos bastidores, o desenho definitivo da sucessão de Adriane deverá depender do resultado das urnas neste ano.

A prioridade imediata do grupo é esta eleição, na qual Riedel tenta permanecer no governo do Estado e Reinaldo Azambuja disputa uma das vagas ao Senado, tendo Nelsinho como primeiro-suplente.
Somente depois desse processo é que as articulações para Campo Grande deverão avançar de forma mais clara.

No cenário discutido atualmente por interlocutores do grupo, Nelsinho apareceria como o nome a ser preparado para a sucessão de Adriane.

Até lá, entretanto, a candidatura dependerá da manutenção dos acordos políticos, das composições partidárias e, principalmente, da disposição do senador em voltar a disputar a prefeitura.

* Saiba 

Nelsinho Trad foi prefeito de Campo Grande por dois mandatos consecutivos, entre 2005 e 2012. Caso a articulação para 2028 avance e ele confirme a candidatura, poderá tentar retornar ao comando da Capital 16 anos depois de deixar o cargo. 

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