Sexta, 24 de Novembro de 2017

Mídia regional

24 FEV 2010Por 06h:41
O que seria do Brasil sem as redes de comunicação regionais? Essa é uma pergunta muito interessante e que, em eventos e encontros com especialistas do mercado financeiro, editorial e publicitário, sempre acaba vindo à tona. Para respondê-la é preciso analisar profundamente as características dos jornais, rádios e TVs locais e sua importância para a sociedade. As empresas regionais de comunicação, com alguns solavancos nos últimos meses – fruto da instabilidade econômica como um todo e não de fatores localizados – vêm apresentando bom desempenho financeiro e atraindo, cada vez mais, empresas interessadas em anunciar produtos e serviços em suas páginas. Isso se deve ao fato de o Brasil passar por um momento de descentralização do consumo e da renda. Dados apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último dia 18 de novembro mostram que a participação de São Paulo – grande mercado consumidor do País – no Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 37,3% para 33,9% nos últimos 12 anos. No sentido inverso, Goiás viu sua fatia neste bolo crescer de 2% para 2,5% em igual período. Parece pouco, mas em termos reais este 0,5% representou um salto significativo em nosso dia a dia. Este incremento cria grandes oportunidades para todos os segmentos econômicos do Estado. Mais empresas investindo na região representam melhorias em infraestrutura, novos empregos gerados, renda circulando, vendas crescentes no varejo, serviços para atender à demanda e, por consequência, mais anúncios e investimentos publicitários em eventos e parcerias estratégicas para o negócio. Saindo um pouco da teoria para comprovar, na prática, este movimento, a Organização Jaime Câmara, um dos maiores grupos de mídia da região Centro-Norte do Brasil com 26 veículos, entre eles os jornais O Popular, Daqui e Jornal de Tocantins, bem como 11 emissoras da Rede Anhanguera de Televisão, registrou aumento de 13% em seu faturamento derivado de investimentos publicitários nos últimos 11 meses. Este montante não foi destinado apenas por gigantes nacionais e internacionais, mas também pelas redes regionais de varejo, atacado e serviços, que continuam de olho na nova realidade econômica goiana. Redes estas que também se aproveitaram do boom econômico que a região passa para manter ou ampliar seu market share, não deixando a concorrência abocanhá-lo. Em um cenário competitivo, todos querem garantir o seu e faturar mais. Só que para isso ocorrer é preciso ser visto pela população. E a melhor maneira de ser lembrado é apostar em veículos de credibilidade, que estão junto com o povo, fazem parte de sua educação, formação e cultura. São os veículos de comunicação locais que contribuem para o crescimento do País. Eles é que desbravam territórios, criam produtos, vendem ideias, compartilham momentos felizes e tristes com a comunidade local. As grandes grifes da comunicação fazem um bom trabalho ao levar suas marcas até os confins do País, mas a mentalidade e o comportamento do brasileiro ainda estão ligados ao jornal, a revista, a rádio e a TV de sua cidade. São estes veículos que pautam o dia a dia da população. Quem é de fora das grandes capitais sabe. Quando ocorre alguma tragédia na cidade ou um evento importante, todo mundo fala: vamos esperar para ver o que o jornal da cidade vai falar. Esta é a realidade brasileira, mesmo com todo o avanço que experimentamos na era da Internet. Somos um país de proporções continentais e dependemos das mídias regionais. Sem elas, conheceríamos muito pouco do Brasil. Arrisco até a dizer que um País que não valoriza seus veículos de comunicação não pode ser grandioso. Se somos o que somos, é graças ao trabalho desenvolvido pelos profissionais que 24 horas por dia, 7 dias por semana, mantêm este mundo girando.

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