Sexta, 17 de Novembro de 2017

Michel Temer reúne PT e PMDB em Nova Andradina

1 JUN 2010Por 06h:49
lidiane kober

O presidente nacional do PMDB e pré-candidato a vice-presidente na chapa da ex-ministra Dilma Rousseff (PT), deputado federal Michel Temer, reunirá adversários políticos na próxima segunda-feira, em Nova Andradina. Ficará frente a frente o senador Delcídio do Amaral (PT), candidato à reeleição na chapa do ex-governador José Orcírio dos Santos (PT), com o deputado federal Waldemir Moka (PMDB), principal rival do petista na eleição ao Senado, por integrar a coligação do governador André Puccinelli (PMDB), que, se mantiver sua agenda, deixará de recepcionar o dirigente número 1 do partido.

Temer participará do 1º Fórum Legislativo de Nova Andradina. Às 14 horas, ele ministrará a palestra “Desafios do Poder Legislativo no Mundo Contemporâneo”. Lideranças do PMDB afastam qualquer relação do evento com a corrida eleitoral. Por outro lado, petistas marcarão presença no encontro para fortalecer a unidade do PMDB de Temer com o PT na sucessão presidencial.

“Com certeza vou participar do evento”, afirmou Moka, que vai trabalhar contra Temer na sucessão presidencial. O deputado deve se aliar a José Serra (PSDB) contra Dilma Rousseff na disputa pela Presidência da República. O PMDB indicou Temer para vice de Dilma.

Indagado se reforçará ao presidente nacional do partido a tendência de o PMDB caminhar com o PSDB na eleição nacional, ele se apressou em afastar qualquer conotação política do fórum. “Não tem ligação (política). A visita é quase que acadêmica, pois reunirá, além de vereadores, universitários”, explicou.
Da mesma forma analisou o presidente regional do PMDB, Esacheu Nascimento. “Não tem nada a ver com campanha eleitoral (a visita de Temer ao Estado)”, garantiu. Ele, inclusive, cogitou a ausência de Puccinelli no encontro de vereadores. “No mesmo dia, o André estará em Ponta Porã”, revelou. “Tentei falar com ele hoje (ontem) para discutir a possibilidade de recepcionar o Temer em Nova Andradina, mas não consegui”, completou. “Eu só irei se der tempo, pois tenho compromisso no mesmo dia”, concluiu.
Enquanto isso, o senador Delcídio do Amaral vem se preparando, desde ontem, para receber o presidente nacional do PMDB no Estado.

Lado oposto
O desinteresse dos peemedebistas é contraste à empolgação dos petistas por conta da aproximação do partido em Mato Grosso do Sul com José Serra, pré-candidato do PSDB à sucessão presidencial. Michel Temer foi indicado pela cúpula nacional como candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff e faz pressão para a legenda reproduzir nos estados a aliança. O PMDB até fez consulta ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) visando a descobrir uma maneira de forçar as direções regionais a repetir a parceria com os petistas.

O problema em Mato Grosso do Sul é a candidatura de José Orcírio ao Governo do Estado. “Para a gente, é uma estratégia equivocada apoiar a Dilma, porque forçaria uma terceira candidatura ao governo”, ressaltou Esacheu, referindo-se à ameaça do PSDB de lançar a senadora Marisa Serrano na corrida pelo comando do Estado, na eventualidade de Puccinelli montar um segundo palanque para Dilma.

Convicto de que o melhor caminho é a aliança com os tucanos, o deputado estadual Youssif Domingos (PMDB) se antecipou em descartar chances de a visita de Temer ao Estado alterar o cenário político. “Não vai mudar o sentimento dos peemedebistas de apoiar Serra”, declarou. “Se por ventura, o André viesse a apoiar a Dilma, ele teria dificuldade de aglutinar o partido”, alegou.

Oficialmente indefinido, Puccinelli acabou evidenciando sua preferência por Serra em encontro do PSB anteontem. “Mostrei a pesquisa (disse sobre a sucessão estadual), e olha o chumbo que eu levo (se a Marisa entrar na disputa)”, afirmou.

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