Quarta, 22 de Novembro de 2017

Mesmo após vídeo, marido de arquiteta alega ser inocente

10 JUL 2010Por 07h:58
MICHELLE ROSSI     

O projetista Luiz Afonso de Andrade, 42 anos, continua negando que tenha matado sua esposa, a arquiteta Eliane Aparecida Nogueira de Andrade, 39, mesmo depois da divulgação do vídeo de câmeras de segurança da conveniência Sadan Festas, na Avenida Três Barras, quase esquina com a Avenida Eduardo Elias Zahran, em horário bastante próximo ao que o corpo de Eliane foi encontrado carbonizado em seu carro, nas proximidades do local.  As imagens reforçam bastante as suspeitas sobre Luiz, que está presos desde o dia 2 deste mês, quando a arquiteta foi encontrada morta.
Quando questionado pelo delegado Wellington de Oliveira, da 4ª Delegacia de Polícia Civil, sobre o que ele estava fazendo na conveniência naquela madrugada, ele contestou a veracidade do vídeo e, inclusive, o horário das gravações. “Ele também não se reconhece nas imagens”, informou o delegado. No entanto, em depoimento, o funcionário da Sadan Festas, que atendeu Luiz na madrugada do crime, fez o reconhecimento do projetista nas imagens.
Na gravação, Luiz aparece às 4h06min do dia 2 de julho na conveniência onde comprou cigarros, fósforo e chiclete. Um minuto depois, ele sai no sentido centro/bairro do local com o carro da arquiteta, um Polo prata, que havia estacionado na rua do lado oposto à conveniência. Neste momento, a arquiteta não é vista no carro. Às 4h28min, Luiz é gravado pelas câmeras da conveniência passando à pé, sentido bairro/centro.
O funcionário ainda acrescentou que no momento em que ele teve contato com o Luiz, este “exalava forte odor de bebida”.  

Lacunas
Agora a polícia tenta desvendar outros pontos que ainda não foram esclarecidos na investigação. Um deles é como o projetista chegou a sua loja “Luz e Design”, localizada na Rua José Antônio, 783, Centro. A pessoa que faz ronda de segurança naquela região afirmou que o carro de Luiz foi estacionado no local depois da 5h, pois antes deste horário havia passado pelas ruas e o carro não estava na loja.
Da Sadan Festas até a loja uma pessoa levaria aproximadamente 30 minutos de caminhada e 7 minutos de carro, segundo referências do Google Map. Mas, ele não chegou à pé em casa e sim, com o seu carro – um Volvo vermelho, que segundo o delegado deveria estar estacionado em frente ao prédio onde Eliane morava (na Avenida Mato Grosso, 1.290), desde às 19h quando ele foi se encontrar com a esposa para irem juntos a festa.
“Para ele ter passado em frente ao Sadan às 4h28min e ter chegado à loja às 5h com o seu carro que, provavelmente, estava em frente ao prédio da Eliane, deve ter pegado um táxi, ou mototaxi, porque demoraria mais tempo para ir à pé até o prédio, pegar o carro e chegar a loja no horário em que foi visto”, observou o delegado.
A polícia agora está no rastro da trajetória do retorno do marido à loja para esclarecer se o carro dele estava mesmo estacionado em frente ao prédio e como ele chegou até o veículo. Outro ponto é determinar o local onde houve a discussão do casal e a morte de Eliane.

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