Após quase três meses de duração, o julgamento da ação penal do mensalão já tem previsão para terminar. No próximo dia 29 de outubro, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, embarca para Dusseldorf, na Alemanha, para um tratamento de saúde. Apesar de não confirmarem oficialmente o fim do julgamento, integrantes da Corte acreditam que a conclusão deve ocorrer até a sessão marcada para o dia 25 de outubro.
Barbosa sofre de sacroileíte, uma doença inflamatória na articulação do sacro, na base da coluna, com o quadril e que gera dor e desconforto. Durante as sessões de julgamento, o ministro reveza ao menos três cadeiras no plenário, sem contar as inúmeras vezes em que pronuncia seus votos de pé, na tentativa de aplacar as dores insuportáveis.
Curiosamente, o destino de Barbosa na Alemanha foi citado várias vezes por ele na sessão de ontem do mensalão. Dusseldorf é o nome da empresa aberta pelo publicitário Duda Mendonça nas Bahamas e cuja conta, no Bank Boston de Miami, recebeu R$ 10,8 milhões do esquema do valerioduto. Duda e sua sócia, Zilmar Fernandes, foram absolvidos das acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Até agora, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) concluíram cinco dos sete capítulos da denúncia. Na sessão desta quarta-feira, eles deverão finalizar a análise do capítulo 7, que trata dos saques efetuados por políticos e assessores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT). Faltam os votos dos ministros Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto. Com o fim desta fatia, o STF passará a analisar o último item, sobre formação de quadrilha, no qual constam 13 réus, entre eles José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.
Antes do início da sessão das turmas, nesta terça-feira, o ministro Ricardo Lewandowski disse acreditar que o julgamento deve terminar antes mesmo da viagem de Joaquim Barbosa. Para o revisor do mensalão, que afirmou que não deve consumir nem metade de uma sessão para ler seu voto sobre formação de quadrilha, o processo deverá ser encerrado dentro das próximas duas semanas.
"Eu penso que nas próximas duas semanas, nesta e na outra, esse processo deve estar terminado, com dosimetria também. Dosimetria não é um problema muito sério, qualquer juiz com um mínimo de experiência faz isso", disse o ministro, lembrando que ainda falta definir o tempo de prisão de cada um dos 25 condenados até o momento.

