Domingo, 19 de Novembro de 2017

REBELIÃO NA UNEI

Menores infratores retornam hoje para pavilhão reformado

14 SET 2010Por 09h:48

MICHELLE ROSSI

O pavilhão da Unidade Educacional de Internação (Unei) Dom Bosco, onde aconteceu a rebelião no último dia 2, foi reformado e  volta a abrigar os jovens infratores a partir de hoje. Eles haviam sido transferidos do local para outro pavilhão, na mesma unidade, durante o período de obras. Durante o motim foram arrancadas algumas grades das celas e os internos ainda queimaram todos os colchões. Não houve feridos.  
A Unei, instalada provisoriamente na antiga Colônia Penal Agrícola, em Campo Grande, tem capacidade para abrigar até 80 internos, segundo informações do coronel Hilton Vilassanti, superintendente de Assistência Socioeducativa das Uneis em Mato Grosso do Sul. Ontem, 60 adolescentes estavam na unidade. Depois da rebelião, 10 internos foram transferidos para Ponta Porã, mas o destino deles está incerto. “Não pensei sobre isso”, alegou o coronel ao ser questionado se os menores seriam trazidos novamente a Campo Grande.
As instalações originais da Unei Dom Bosco, na saída para Três Lagoas, passa por reformas depois de ter sido interditada por apresentar condições impróprias de hospedagem. Os reparos e a construção de um novo pavilhão na unidade devem ser concluídos em janeiro do próximo ano. Desde agosto os menores estão na antiga Colônia Penal Agrícola.

Internos x policiais
As visitas aos adolescentes estão suspensas desde o episódio da rebelião. Os colchões por eles queimados já foram repostos, mas os 12 policiais da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe) que estão a postos no estabelecimento desde que foram chamados para atuar contra o motim, descansam em “sacos de dormir”. “Estamos sem estrutura nenhuma nesse local. Nem temos onde dormir, pegamos sacos e descansamos no chão mesmo”, disse um dos policiais do Cigcoe . A retirada da equipe está prevista para hoje.
Desde o dia 2 de setembro, quando a equipe foi mobilizada para a Unei, Campo Grande não pode contar com a tropa especializada da PM nas ruas. “É justamente esse pessoal que atua em situações de risco. Sempre que há ocorrências mais graves como situações de assaltos, nós é que somos acionados, mas agora temos de ficar aqui fazendo o serviço de agente penitenciário”, desabafou outro policial.  
Os agentes que atuam na Unei ficam praticamente de braços cruzados com a presença do Cigcoe. Eles foram desarmados em agosto, depois que a promotora da Infância e Juventude da Capital, Vera Aparecida Cardoso Bogalho Frost Vieira, determinou que fosse suspenso o uso de cassetetes – única arma que era utilizada pelos agentes. A promotora baseou-se em preceitos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que compreende uma unidade de internação para jovens infratores como um local para ser aplicadas medidas socioeducativas e não de repreensão – as armas, portanto, intimidariam os adolescentes. Procurada pela reportagem, a promotora disse que não fará mais comentários sobre o assunto com a imprensa.
Um dos agentes da Unei disse que a relação é direta entre o desarmamento da equipe e a última rebelião. “Eles viram que a gente não tinha como reprimir nenhum ato violento e não deu outra, mais que depressa provocaram a rebelião”, descreveu.
São 89 agentes lotados na Unei Dom Bosco. Para cada período são escalados 10 homens. “Tem interno com delitos no currículo como latrocínio, homicídio e nós aqui ficamos expostos ao humor e temperamento deles. Além de sermos poucos, ainda estamos desarmados”, compara outro agente. No local, há jovens de até 21 anos.
Há cinco anos não há concursos para contratação de agentes. O salário-base é de R$ 800, mais acréscimo de R$ 530 e verba indenizatória de R$ 240 – esta substitui remuneração por risco de morte, que deveria estar incorporada no salário e representaria 50% da remuneração-base.

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