Sexta, 24 de Novembro de 2017

Mel sul-mato-grossense terá rastreamento

11 MAR 2010Por 08h:31
Mato Grosso do Sul deve ser o primeiro Estado brasileiro a ter 100% da produção de mel georreferenciada, rastreada e com garantia de qualidade. A meta é chegar a esse montante em cerca de três anos, através da implantação do Programa Nacional de Georreferenciamento Apícola, que foi apresentado ontem, pela Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), em Campo Grande. O objetivo é cadastrar 1,3 mil apicultores do Estado, que hoje produzem cerca de 650 toneladas ao ano, e fazer um diagnóstico da atividade, que deve se tornar base para projetos de capacitação e ainda regulamentação da apicultura. Cada apiário terá demarcação geográfica feita por GPS. Informações, como origem (localização e produtor), serão colocadas em banco de dados nacional, tornando possível o rastreamento dos produtos. Dessa forma a apicultura sul-mato-grossense começará a fazer parte de um processo de organização da atividade nacional, que hoje conta com oito estados, entre eles, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul e Pará. “Inicialmente será um cadastro, mas depois queremos atingir a rastreabilidade, que é uma tendência mundial e já ocorreu com a carne bovina”, explica o presidente da CBA, José Gumercindo Corrêa da Cunha. Segundo ele, outros países já saíram na frente com projetos parecidos. “No ano passado, em um congresso na França, a Turquia apresentou algo similar. Mas o nosso está bem mais completo”, afirma, lembrando que o Brasil é hoje o 11º em produção de mel e 5º em exportação, e vendeu ao exterior, em 2009, cerca de 25 mil toneladas, totalizando US$ 65 milhões. É certo de que um produto rastreado, com garantia de qualidade, é muito mais valorizado no mercado internacional, porém, Mato Grosso do Sul, ao implantar o georreferenciamento não pretende avançar nesse campo. Conforme o coordenador da Câmara Setorial da Apicultura do Estado, Gustavo Nadeu Bijos, as exportações sul-mato-grossenses são insignificantes e a meta hoje é incentivar a comercialização local, por meio de campanhas de consumo. Atualmente uma pessoa ingere cerca de 60 gramas de mel por ano. “Pretendemos chegar a 100 gramas por pessoa ao ano”, conta, explicando que produtos rastreados trarão mais segurança alimentar através da garantia de qualidade. Além disso, com o mel e outros produtos da apicultura rastreados, os produtores poderão ter remuneração cerca de 20% maior.

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