Sábado, 25 de Novembro de 2017

Marinha de Israel ataca comboio humanitário

1 JUN 2010Por 06h:24
AGÊNCIA ESTADO, TEL-AVIV

Israel atacou ontem um grupo de seis navios que transportavam mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, deixando pelo menos nove pessoas mortas, segundo o Exército israelense. Metade das pessoas que estavam no navio eram de nacionalidade turca.

Israel defendeu sua ação, argumentando que ativistas armados atacaram soldados israelenses enquanto eles eram levados de helicóptero para o convés de um navio. O Exército de Israel afirmou que a arma de um de seus soldados foi tomada e usada para atacar os próprios militares do país. Ainda segundo o Exército israelense, ficaram feridos pelo menos 12 ativistas e 10 militares israelenses. A emissora de TV israelense Channel 10 citou 19 ativistas mortos e 36 feridos, mas posteriormente reduziu o número de mortos para dez.

A filial de Gaza da ONG turca NGO IHH, que tinha um grande navio de passageiros integrando a frota, disse à agência France Presse que tinha informações sobre 15 mortos, a maioria dos quais eram turcos. Estimativas sobre o número de feridos variam entre 20 e 30 passageiros e sete soldados israelenses, dos quais dois estariam em estado greve. Não há informações oficiais sobre o estado de saúde dos passageiros feridos, que estão sendo tratados em quatro hospitais de Israel.

O ataque ocorreu na madrugada de ontem, em águas internacionais no Mar Mediterrâneo, a 128 quilômetros da Faixa de Gaza. A União Europeia pediu uma investigação abrangente sobre o incidente. Antes da partida dos barcos, os organizadores da flotilha haviam informado que vários parlamentares europeus integrariam a frota humanitária, mas não está claro se algum desses políticos está entre as vítimas.
O comboio pretendia levar 10 mil toneladas de suprimentos à Faixa de Gaza, que sofre com um bloqueio israelense desde 2007. Segundo Israel, a flotilha que levava ajuda humanitária não acatou o bloqueio imposto à Faixa de Gaza por Israel.

Repercussão
O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu ontem em caráter de emergência e começou a discutir o ataque da Marinha de Israel a essa flotilha de seis navios civis. A Turquia, a União Europeia (UE), os países árabes, os palestinos, o Brasil e a Argentina pediram uma investigação internacional independente. O governo de Israel, embora tenha manifestado “pesar” pelas mortes, disse que os soldados agiram em defesa própria.

O vice-embaixador dos Estados Unidos na ONU, Alejandro Wolff, não fez menção a uma investigação internacional independente, dizendo: “Nós esperamos que aconteça uma investigação transparente e instamos com força o governo de Israel a que investigue totalmente o incidente”.
Uma das reações mais fortes partiu do governo da Turquia, já que a maioria dos mortos eram cidadãos turcos. O chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu, cujo país ocupa cadeira temporária no Conselho de Segurança (CS) da ONU, definiu a ação como “pirataria e banditismo” em alto-mar, além de “assassinato conduzido por um Estado”. Ele instou o CS a adotar um comunicado ordenando um pedido imediato de desculpas da parte de Israel, uma investigação urgente, ação legal internacional contra as autoridades e autores do ataque, além do fim do bloqueio israelense à Faixa de Gaza. A Turquia também pediu a libertação imediata dos ativistas e dos navios.

Brasil
O governo brasileiro recebeu com “choque e consternação” a notícia sobre o ataque israelense. Em nota divulgada ontem, o Ministério das Relações Exteriores afirma que o “Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário”.

O ministério também afirma que preocupa o governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava em uma das embarcações que compunham a flotilha humanitária. Segundo a nota, o ministro Celso Amorim determinou que sejam tomadas providências para a localização da brasileira.

Para o Brasil, o ocorrido deve ser objeto de investigação independente, “que esclareça plenamente os fatos à luz do Direito Humanitário e do Direito Internacional como um todo”.

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