Terça, 21 de Novembro de 2017

Mãos amarradas?

1 JUL 2010Por 06h:57
A Polícia Federal fechou, na noite de terça-feira, mais um cassino em Campo Grande e apreendeu quase duas dezenas de máquinas caça-níqueis que estavam instaladas num imóvel a cerca de cem metros da Cepol (Centro Especializado de Polícia), que fica aberto 24 horas por dia, e que também abriga a Deops (Delegacia Especializada de Ordem Política e Social), responsável pela investigação e repressão a este tipo de crime.
  
 É evidente que a polícia não tem obrigação de saber tudo o que acontece ao seu redor. Porém, o fato de uma casa que explora jogatina ter se instalado na vizinhança de uma delegacia que funciona 24 horas por dia e nas barbas da especializada revela, no mínimo, que os contraventores tinham a quase  certeza de que não seriam incomodados. Ela já estava ali fazia algum tempo, pois estava lotada de "clientes". A não ser, é claro, que estivessem desafiando as autoridades estaduais, o que não seria uma estratégia inteligente, pois criminoso ou contraventor nenhum é estúpido ao ponto de jogar dinheiro fora. Além disso, não existem motivos para desafios, pois há algumas semanas não se tinha notícias sobre ações policiais contra a jogatina em Campo Grande, que insiste em sobreviver. E, se isto acontece, é sinal evidente de que ela é altamente lucrativa. Quando aconteciam algumas ações esporádicas, normalmente eram recolhidas máquinas obsoletas.

    A princípio, a obrigação de combater os jogos ilegais é da polícia civil. A PF "intrometeu-se" no assunto e apreendeu as máquinas alegando que os equipamentos são fruto de contrabando. Indiretamente, a PF está dizendo: já que vocês não agem, então deixa com a gente. A possibilidade de a PM ou a Polícia Civil ignorarem a existência do cassino é muito remota, pois é inimaginável que  os agentes federais soubessem da existência do cassino e tenham agido sem nenhum comunicado à polícia local. Se isto aconteceu, algo muito grave existe no relacionamento das instituições, ainda mais sabendo que o secretário estadual de Segurança foi delegado federal durante décadas e mantém integrantes da PF em sua assessoria.

    Basta acompanhar a atuação  (ou falta dela)  da Polícia Federal no Estado nos últimos anos para concluir que a instituição não está lá com este embalo todo para se "intrometer" no trabalho de outras corporações. Então, o mais provável é que a ação de uma tenha sido fruto da omissão de outra. Outra possibilidade, esta a mais provável, é que interferências externas e superiores tenham impedido os policiais estaduais de cumprir com sua obrigação e por isso, para impedir que o cassino continuasse desmoralizando a instituição, acionaram a força federal. E, se esta hipótese for a mais acertada, então a situação é extremamente grave, pois indica que o crime organizado pode estar ditando as ordens.  

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