Cidades

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Mandela deixa herança de US$ 4,1 milhões

Mandela deixa herança de US$ 4,1 milhões

exame

04/02/2014 - 01h00
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Nelson Mandela deixou dinheiro para sua família, para o partido Congresso Nacional Africano, mas nada para sua ex-esposa, Winnie.

A família de Mandela se reuniu em Joanesburgo e ouviu à portas fechadas a leitura do testamento. Escrito em 2004, foi atualizado pela última vez em 2008.

Mais cedo, o inventário provisório dos bens de Mandela tinha calculado um montante de 4,1 milhões de dólares.

A grande polêmica foi a ausência de Winnie Madikizela-Mandela, que viveu com ele durante 38 anos. Eles só se divorciaram em 1996, após Winnie se envolver em algumas denúncias.

Até os filhos de sua última esposa, Graça Machel, receberão parte da herança. Ela foi casada em comunhão de bens com ele e, portanto, tem direito a metade dos bens.

Antes da morte de Mandela, familiares apareceram em público discutindo sobre a herança, o que foi visto como desrespeitoso.

Em 2013, duas filhas foram à justiça lutar pelo controle de milhões do pai.

O documento também indicou: cerca de 9 mil dólares para cada uma das duas universidades que ele frequentou e o mesmo montante para cada uma de suas três escolas. 

Sua assistente pessoal, Zelda La Grange, e a mulher que limpava a sua casa, Albertina Petro Dima, receberam cerca de 4500 dólares cada uma.

O testamento também definiu que os royalties dos livros de Mandela, como a autobiografia "Longo Caminho para a Liberdade", serão dados a um grupo previamente designado de pessoas da família de confiança.

Com esse grupo, também ficarão suas casas de Joanesburgo, Cidade do Cabo, Qunu e Mthatha.

CAMPO GRANDE

Homem aponta arma para o Batalhão de Choque e morre em confronto

Os policiais apreenderam uma espingarda calibre 12 e um revólver .38, o qual foi usado pelo suspeito contra os agentes

01/09/2026 08h10

Arma longa foi apreendida durante a abordagem dos policiais no bairro Aero Rancho, em Campo Grande

Arma longa foi apreendida durante a abordagem dos policiais no bairro Aero Rancho, em Campo Grande Divulgação / Batalhão de Choque

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Guilherme de Souza Oliva, de 24 anos, vulgo "Sagaz", morreu durante uma ação do Batalhão de Choque da Polícia Militar, na noite desta segunda-feira (31), após apontar um revólver em direção aos policiais, na Rua Martinho Marques, cruzamento com a Travessa George Muche, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande.

De acordo com o boletim de ocorrência, ao perceber a presença policial, o indivíduo sacou um revólver calibre .38 e apontou a arma em direção aos agentes. Diante da situação, foram efetuados disparos em direção a Guilherme. 

O indivíduo foi desarmado e socorrido pela equipe, sendo encaminhado ao Hospital Regional de Campo Grande. Apesar do atendimento médico, ele não resistiu aos ferimentos e veio a óbito. 'Sagaz' possuia um mandado de prisão em aberto e já tinha registros criminais anteriores.

A ação começou após as equipes do Batalhão de Choque receberem informações sobre a reunião de indivíduos que estariam planejando um homicídio em Campo Grande.

Diante das informações, os policiais deslocaram-se até o imóvel abandonado na Rua Martinho Marques. Durante a ação, Guilherme de Souza foi localizado no interior do imóvel, retirando uma arma de fogo longa de dentro de uma mala.

Os policiais apreenderam uma espingarda calibre 12, modelo VR90 com um carregador; cinco munições calibre 12 intactas, além de um revólver calibre .38, com seis munições intactas.

A arma apresenta características semelhantes às de um armamento que teria sido utilizado em um homicídio ocorrido na última sexta-feira (28), na Rua Lagoa Bonita, em Campo Grande, tendo como vítima Bruno Pereira Barboza. A eventual relação entre as armas será objeto de análise pericial e investigação pela Polícia Judiciária.

Todo o material apreendido, bem como as armas e munições relacionadas ao confronto, foi encaminhado para os procedimentos periciais e demais providências legais.

Infraestrutura rural

No Pantanal, contrato milionário não tira produtores do atoleiro

Contrato chega ao fim, mas produtores dizem que estradas seguem intransitáveis; empresa alega verba insuficiente para os 472,7 km e que reajuste é recente

01/09/2026 07h55

Caminhão tenta circular pela estrada do Nabileque, que sofre com manutenção precária

Caminhão tenta circular pela estrada do Nabileque, que sofre com manutenção precária Foto: Marcelo Victor

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Um contrato assinado em dezembro de 2020 por R$ 9,1 milhões para conservar as estradas da região de Corumbá já consumiu, no mínimo, R$ 54,2 milhões dos cofres do Estado, seis vezes o valor original. Enquanto isso, produtores rurais do Pantanal do Nabileque, no extremo-sul do município, dizem que a estrada que dá acesso às suas fazendas continua intransitável.

O Contrato nº 237/2020 é mantido pela Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) com a empresa RR Ceni. O objeto é a manutenção e conservação de 472,7 quilômetros de rodovias pavimentadas e não pavimentadas da 8ª Residência Regional, sediada em Corumbá. Seis anos e 12 aditivos depois, ele segue em vigor.

Nesta semana, produtores da região gravaram mensagens de áudio relatando o estado da via. As identidades são preservadas a pedido das fontes, que temem represálias.

“A gente descobriu agora que a Agesul tá lá. Mas vai só fazer um pedaço lá pro [omitido nome de fazenda] e vai abandonar nossa estrada. Então, hoje eu vou receber umas fotos dos lugares ruins, nem mexeram lá”.

Em outra mensagem, um segundo produtor descreve o mesmo padrão: “Eu tô sabendo que eles vão só fazer lá um pedaço lá, que é o pedaço lá da [omitido nome da fazenda], e vão abandonar”.

Aditivos

Os números da execução financeira estão no Portal da Transparência do Estado. Entre 2023 e agosto deste ano, a Agesul empenhou R$ 59.648.244,18 no contrato e pagou R$ 54.269.360,71 à empresa.

O valor é um piso, não um total: o extrato consultado começa em fevereiro de 2023, e os pagamentos referentes aos dois primeiros anos de execução, de dezembro de 2020 a dezembro de 2022, não constam do documento.

Há um ponto específico que chama atenção no exercício deste ano. Entre 4 de fevereiro e 5 de maio, a Agesul empenhou R$ 16.289.100,25 no contrato. O valor total previsto para a vigência anual, fixado no 11º termo aditivo, era de R$ 14.339.023,81. Ou seja: em pouco mais de três meses, o órgão comprometeu R$ 1,95 milhão a mais do que o contrato permitia para o ano inteiro.

O ajuste veio depois. Em 28 de julho, o 12º termo aditivo elevou o valor do contrato para R$ 16.459.168,86, apenas R$ 170.068,61 acima do que já havia sido empenhado meses antes. A nota de empenho que custeia esse aditivo foi emitida em 23 de julho, cinco dias antes de o próprio aditivo ser assinado.

O contrato está na sexta renovação e soma 72 meses de vigência, o teto máximo que a Lei Federal nº 8.666/93 admite para serviços contínuos, somados os 60 meses ordinários à prorrogação excepcional de mais 12 meses.

O 11º aditivo, assinado em dezembro de 2025, não fixa apenas uma data final. Ele condiciona a vigência a “12 meses […] ou até a celebração de uma nova contratação referente ao mesmo objeto, o que ocorrer primeiro”. Em outra cláusula, a contratada aceita a rescisão sem ônus assim que essa nova contratação for celebrada.

Neste ano, após o escândalo que derrubou o diretor-presidente da Agesul, Rudi Fioresi, o Estado lançou 18 lotes de licitação para manutenção de rodovias, somando cerca de R$ 2,1 bilhões, entre eles uma concorrência com lotes destinados à região do Pantanal.

Empresa

A RR Ceni não cuida apenas da conservação das estradas da região. A empresa também venceu, na mesma 8ª Residência Regional, o contrato para implantar 45 km da MS-228 até o acesso a Porto Rolon, por R$ 43,4 milhões, obra embargada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) em 2023 por falta de licenciamento ambiental.

Em janeiro deste ano, a empresa foi contratada por mais R$ 65.142.918,32 para recuperar 160,6 km da mesma MS-228, num trecho que outra empreiteira já havia recebido R$ 54,1 milhões para pavimentar.
Somados, os três contratos ultrapassam R$ 164 milhões, todos na mesma região administrativa e com a mesma contratada.

A reclamação dos produtores do Nabileque não é de agora. Em fevereiro deste ano, já se registrava a falta de duas pontes na região, sobre a Vazante do Relógio e o Rio Naitaca, destruídas nos incêndios que atingiram o Pantanal entre 2020 e 2021.

As estruturas provisórias de madeira erguidas em 2022 também queimaram. A reconstrução em concreto seguia, até então, em fase de projeto, à espera de licenciamento ambiental do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul. Sem as pontes, produtores relatam ter de fazer um desvio de 140 km por estrada de terra, via Miranda, na época da cheia.

O efeito chega também às escolas. Em um dos áudios obtidos pela reportagem, um morador afirma: “Tem a escola Estâncias Esmeraldas e tá desde maio um ônibus só funcionando, as crianças sem aula. […] Só um ônibus funcionando, tinha aula duas vezes na semana”.

O que diz a empresa

Procurada, a RR Ceni afirmou que a extensão da malha sob sua responsabilidade, os 472,7 km da 8ª Residência Regional, não é integralmente coberta pelo valor originalmente licitado, que segundo a empresa está defasado desde a assinatura do contrato, em 2020. A empresa disse que o reajustamento do valor contratual “foi feito agora”, em referência ao 12º aditivo.

A resposta explica, em linhas gerais, por que o valor pago cresceu ao longo de seis anos, a defasagem de preços em contratos longos de manutenção rodoviária é conhecida e prevista no próprio instrumento, que estabelece reajuste pelo índice do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

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