Sábado, 18 de Novembro de 2017

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Mãe de Eliza Samúdio alega estar sofrendo ameaças

28 AGO 2010Por 08h:38
anahi zurutuza

A mãe de Eliza Samúdio, Sônia de Fátima Marcelo da Silva Moura, 44, estaria recebendo ameaças para não comparecer às audiências do Caso Bruno e para que retire o advogado que a representa, José Arteiro, da condição de assistente de acusação dos processos nos quais o ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, é réu. De acordo com Arteiro, Sônia teria recebido vários telefonemas, na semana passada, de um homem que a ameaçava de morte.
Por conta disso, a mãe de Eliza não foi ao Rio de Janeiro (RJ) nessa quinta-feira (26), quando foram ouvidas as testemunhas de acusação do processo que Bruno responde por sequestro, cárcere privado e lesão corporal contra a amante. Além da ação que tramita na Justiça do Rio de Janeiro, Arteiro é assistente de acusação também do processo que acusa Bruno de sequestro, cárcere privado e homicídio, e que tramita na Justiça Criminal de Minas Gerais (MG).
O advogado de Sônia diz que tem suspeitas de quem é o autor das ameaças. “A gente imagina quem está fazendo isso, mas como não temos certeza é melhor nem falar. Não vamos acusar ninguém sem provas”. Arteiro afirma, ainda, que Sônia está muito preocupada com a situação, mas ele acredita que as ligações que a mãe de Eliza recebeu “são ameaças vazias, só para assustá-la”. De qualquer forma, o advogado diz ter orientado a cliente a procurar ajuda da polícia. “Falei para ela fazer um boletim de ocorrência só por precaução, mas, pela minha experiência, não acredito que alguém tentará alguma coisa contra ela”.
A reportagem tentou contato com Sônia, mas ela não atendeu às ligações. O advogado explica que ela não quer comentar o assunto. “Ela está muito nervosa mesmo”. A mãe de Eliza mora com o segundo marido e o neto, Bruninho, que seria filho de Bruno Fernandes com a filha de Sônia, em uma chácara no distrito de Anhanduí, a 50 quilômetros de Campo Grande.

Audiência
Na audiência realizada na quinta-feira, na 1ª Vara Criminal de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, foram ouvidas a delegada, Maria Aparecida Mallet, que era titular da Delegacia de Atendimento a Mulher (Deam), em outubro de 2009, quando Eliza Samúdio registrou queixa contra Bruno Fernandes. A jovem acusava Bruno de, junto com o amigo dele, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, tê-la sequestrado, espancado e a obrigado a tomar medicamentos abortivos. O fato teria acontecido depois que Eliza contou a Bruno que estava grávida e o pressionava a reconhecer a paternidade do filho. Macarrão é réu no mesmo processo. Ele e Bruno são defendidos pelo advogado Ércio Quaresma.
Na quinta-feira, o juiz Marcos José Mattos Couto, da 1ª Vara Criminal, também ouviu uma amiga de Eliza, a estudante de Direito, Milena Baroni Fontana, que teria visto a amante de Bruno machucada no dia seguinte ao que a jovem disse ter sido sequestrada. Na semana que vem, segundo o advogado de Sônia, serão ouvidas as testemunhas de defesa. Em seguida, será estipulado prazo para as alegações finais e o juiz dará a sentença.

Caso
Bruno e Macarrão também são acusados pela Justiça de Minas Gerais de ter sequestrado e matado Eliza Samúdio. A polícia mineira começou a investigar o sumiço de Eliza em 24 de junho, depois de receber denúncias de que uma mulher foi agredida e morta perto do sítio de Bruno. A jovem falou pela última vez com parentes e amigas no início de julho. O corpo de Eliza não foi encontrado. Mas os investigadores consideram a jovem morta.

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