Quinta, 23 de Novembro de 2017

Mãe acusada da morte de bebê é libertada

26 MAI 2010Por 08h:53
Rose Rodrigues, Três Lagoas

A adolescente de 16 anos, mãe do bebê de cinco meses que morreu vítima de maus-tratos (traumatismo craniano e queimaduras), no final de semana, no município de Três Lagoas, já está em liberdade. Ela vai responder pelo crime em liberdade, por falta de vagas na Unidade Educacional de Internação (Unei) feminina em Campo Grande. O pai da criança, W.S.M, de 21 anos, também responsabilizado pelas agressões, juntamente com a menor, vai continuar na Penitenciária de Segurança Média e pode pegar até 12 anos de prisão.

O Conselho Tutelar da cidade também constatou, com o exame médico feito pelo pediatra José Augusto Morilla Guerra, no Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, que a criança, além do traumatismo e queimaduras causadas por cigarro, apresentava um quadro de desnutrição grave, pesando apenas quatro quilos, quando nesta idade, os bebês devem pesar, em média, seis quilos.

Segundo informações do delegado Orlando Vicente Sacchi, do 2º Distrito Policial, a Polícia Civil aguarda o resultado dos laudos do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para dar continuidade ao inquérito,  que deverá ser concluído até o dia 31, segunda-feira.
“Estamos ouvindo as testemunhas, os médicos e familiares”, disse o delegado. Ele confirmou ainda que  W.S.M.,  pai da criança, foi preso em flagrante por maus-tratos seguidos de morte e permanecerá em regime fechado até o julgamento.

 “Caso o juiz entenda que a adolescente deva ser punida com medidas socioeducativas, ela poderá responder pelo auto infracional apreendida em uma Unei”, explicou Orlando Sacchi. Ainda segundo o delegado, este foi o primeiro caso de morte de criança, por maus-tratos, registrado em Três Lagoas.

Versões
Conforme a coordenadora do Conselho Tutelar, Mirian Monteiro Hahmed, na delegacia o casal apresentou versões diferentes sobre o episódio. “Nós, do Conselho, tentamos conversar com os dois, mas eles se negaram a falar”, disse.

De acordo com a coordenadora, a equipe ficou sabendo do caso através dos médicos que atenderam a criança no hospital. “O médico pediu para chamar o Conselho Tutelar e lá vimos que o estado do bebê era assustador. A criança estava com a região da cabeça bastante inchada, muito magra, com ferimentos”. Mirian Hahmed afirmou, ainda, que a equipe médica confirmou que a criança não aguentaria a viagem para um outro hospital e que não sobreviveria. O bebê morreu algumas horas depois da chegada ao estabelecimento hospitalar.

Os pais, segundo a conselheira, haviam sido dispensados pelo hospital, “mas acionamos a polícia e eles foram chamados de volta e presos”, afirmou. A adolescente foi levada no veículo oficial do Conselho Tutelar para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac). O pai do menino seguiu no camburão da polícia. Na delegacia eles foram informados da morte do bebê.

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