Sábado, 18 de Novembro de 2017

Lula e Lugo declaram guerra ao tráfico

4 MAI 2010Por 07h:00
EDILSON JOSÉ ALVES, PONTA PORÃ

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega paraguaio Fernando Lugo declararam ontem, em Ponta Porã, guerra contra o narcotráfico na fronteira do Brasil com o Paraguai. Depois de participar de cerimônia de cumprimentos na linha de fronteira, o presidente Lula condenou todo o tipo de criminalidade e defendeu a integração entre Brasil e Paraguai no combate ao narcotráfico na região. Prometeu, em discurso, combater tudo que estiver à margem da lei e toda a criminalidade “tenha ela a cara que tiver”. Lula ofereceu ao Paraguai toda a ajuda que for necessária dentro do processo de integração.
O ministro da Justiça,  Luiz Paulo Teles Barreto, disse que base da Força Nacional está sendo instalada na área urbana do Assentamento Itamarati I, em Ponta Porã, e que junto com as demais forças federais e estaduais vão intensificar o combate ao crime organizado. A ideia, segundo o ministro da Justiça, é manter 46 homens da Força Nacional de prontidão na região.

Revelou que o projeto é inédito e vai consumir R$ 60 milhões na construção e instalação de 11 bases ao longo das fronteiras do Brasil, até o final deste ano, cada uma com o mesmo número de soldados da Força Nacional que serão destacados em Ponta Pora, para trabalhar em conjunto com as demais forças locais. 

“A partir daí, vamos ter combate mais sistemático, envolvendo, inclusive, serviço de inteligência e aeronave não tripulada para patrulhar zonas de ação de integrantes do narcotráfico, como áreas de plantação de maconha e de acampamentos onde funcionam laboratórios para produção de pasta-base para refino de cocaína”, disse o ministro.

O objetivo é atuar de forma conjunta com o Paraguai para impedir ações de facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e também do grupo guerrilheiro denominado Exército do Povo Paraguaio (EPP), que seria responsável por crimes de sequestro e saques em várias regiões do país vizinho.

Facções
Com relação às facções criminosas com atuação no lado paraguaio da fronteira, o ministro disse que não existe nenhum dado que comprove a ação delas em Ponta Porã. Porém, ressaltou que o governo brasileiro pretende implementar novas medidas com combate sistemático ao crime organizado.
Conforme o ministro brasileiro, os investimentos se fazem necessários diante da escalada da violência na fronteira dos dois países. Ressaltou que as sociedades aguardam respostas concretas sobre crimes ocorridos na fronteira de Ponta Porã com Pedro Juan Caballero. “Mas o combate só será possível com atuação conjunta, visando ao esclarecimento de crimes ocorridos na divisa dos dois países, como o atentado contra o senador Robert Acevedo, ocorrido no último dia 26”.

Lula
Durante pronunciamento no Centro de Convenções de Ponta Porã, inaugurado ontem, o presidente Lula foi aplaudido por empresários e políticos fronteiriços ao afirmar que na região “há mais pessoas honestas, trabalhadoras e decentes do que traficantes. Mas sabemos que o narcotráfico é uma organização poderosa e muito difícil de ser combatida. Se fosse fácil, os Estados Unidos e a União Europeia já tinham acabado com esse tipo de crime por lá”.
Lula disse que o Brasil tem 16 mil quilômetros de fronteira seca e cerca de oito quilômetros de por mar; disse que vai continuar investindo em inteligência, ressaltando a importância da “Lei do Abate”, que permitiu às Forças Armadas a derrubar aeronaves clandestinas no espaço aéreo brasileiro. Falou que seu governo está adquirindo avião não tripulado de Israel para auxiliar na fiscalização nas regiões de fronteira. “Temos que sofisticar nossas ações e não atacar somente os traficantes,  mas também os consumidores de drogas”.

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