Segunda, 20 de Novembro de 2017

Lula avisa ao PT que fará a campanha dos mais chegados

25 MAI 2010Por 07h:32

adilson trindade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende levar os seus quase 80% de popularidade à campanha eleitoral dos candidatos mais chegados. Um deles é o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT), pré-candidato à sucessão estadual, que deve contar com a participação de Lula na campanha eleitoral. O presidente já havia manifestado a sua intenção de ajudar José Orcírio, a quem chama de Zeca — um dos seus melhores amigos — na disputa contra o governador André Puccinelli (PMDB).

Lula mostra com isto não estar preocupado com os conflitos regionais dos partidos aliados e avisou aos dirigentes do PT, segundo o blog de Josias de Souza, da Folha Online, a sua decisão de não seguir a política de dois palanques, que permeia os acertos com os aliados, sobretudo o PMDB.

“Esse negócio de palanque duplo vale para a Dilma, não para mim”, declarou Lula. Em Mato Grosso do Sul, o PMDB é rival histórico do PT. Portanto, não há acordo dos dois partidos para formação de aliança e muito menos para a construção de dois palanques para Dilma Rousseff (PT). A maior resistência vem do PMDB. O presidente regional do partido, Esacheu Nascimento, disse ter tomado a decisão de fazer aliança com o PSDB no Estado. Ele não aceita em hipótese alguma a ideia de montar palanque para Dilma em Mato Grosso do Sul.

O deputado federal Waldemir Moka (PMDB), pré-candidato a senador, reforçou a posição de Esacheu ao comunicar o virtual candidato a vice de Dilma e presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), a decisão do governador André Puccinelli de apoiar a candidatura de José Serra (PSDB) à Presidência da República. A informação foi, também, publicada no blog de Josias de Souza.

André, por sua vez, vem negando insistentemente ter definido apoio a Serra. Mas a imprensa nacional, principalmente o blog de Josias de Souza, revela constantemente os bastidores da conversa de André ou de um parlamentar do Estado com Temer sobre aliança com Serra em Mato Grosso do Sul.

Alheio aos conflitos regionais, Lula está decidido a trilhar o seu próprio caminho na campanha eleitoral. Ficou acertado que, nos estados onde houver divisão, só Dilma estará obrigada a prestigiar os dois lados. O que não é o caso de Mato Grosso do Sul. Embora André Puccinelli seja do PMDB, ainda não firmou nenhum compromisso de apoiá-la. Muito pelo contrário, está negociando com todos os partidos — PSDB, DEM e PPS — da base política de Serra para defender a sua reeleição. Em troca, ele ficaria com o tucano na sucessão presidencial.

O maior obstáculo ao acordo para fechar com Dilma é a pré-candidatura de José Orcírio. O governador não vê nenhum sentido se engajar na campanha da petista e ter de enfrentar outro petista na sucessão estadual.

Reação
O PMDB reagiu contra a movimentação isolada de Lula na campanha eleitoral. Os dirigentes do partido, principalmente os pré-candidatos a governos estaduais, cobram “tratamento igualitário” para os dois lados — PMDB e PT.
Isto não é possível acontecer em Mato Grosso do Sul. André e José Orcírio já estão em pré-campanha eleitoral e sobrou apenas o PT e seus aliados para defender Dilma Rousseff à Presidência da República.

Mato Grosso do Sul não é um caso isolado onde há conflito do PMDB com o PT. Na Bahia, já está acertada a construção de dois palanques. Mas o pré-candidato a governador do PMDB, deputado federal Geddel Vieira Lima, é contra a participação de Lula na campanha do seu rival, governador Jaques Wagner. Geddel exige paridade de tratamento.

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