Correio B

QUADRO DO 'CALDEIRÃO'

Luciano Huck é acusado de incentivar turismo sexual

Luciano Huck é acusado de incentivar turismo sexual

FAMOSIDADES

26/06/2014 - 09h45
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Luciano Huck acabou se envolvendo em uma polêmica daquelas nas redes sociais ao criar um quadro para turbinar o 'Caldeirão', da TV Globo, na Copa do Mundo.

O apresentador publicou um texto no site da atração, em seu perfil no Twitter e no Facebook recrutando jovens interessadas em arrumar um namorado estrangeiro.

'Carioca? Solteira? Louca para encontrar um príncipe encantado entre os 'gringos' que estão invadindo o Rio de Janeiro durante a Copa? Chegou a sua hora. Mande fotos e porque você quer um gringo 'sob medida'', postou, com um e-mail para as moças entrarem em contato com a produção.

Internautas não gostaram nada da ideia e detonaram Huck nas redes sociais. Muitos acusaram o marido de Angélica de estar incentivando o turismo sexual na Copa do Mundo.

'Se é leniência eu não sei, mas se idiotice fosse crime o Luciano Huck pegava perpétua', criticou um internauta.

Outro seguidor do famoso chegou a lembrar o apresentador sobre o artigo 227 do Código Penal, que fala sobre 'induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem'.

A repercussão negativa da ideia acabou fazendo com que Huck apagasse a mensagem de seu perfil no Facebook. Isso, contudo, não significa que a produção desistiu de levar a ideia adiante. A mensagem continua no ar no site da atração.  

CLÁSSICO

Ópera italiana "Cavalleria Rusticana" será apresentada no Teatro Glauce Rocha

Espetáculo do Coro Lírico Cant'Arte e da Companhia de Ópera do Pantanal será apresentado amanhã e nesta quarta-feira, com entrada solidária de 1 quilo de alimento não perecível

28/09/2026 10h15

A obra de Pietro Mascagni retrata uma cena do intermezzo da ópera

A obra de Pietro Mascagni retrata uma cena do intermezzo da ópera "Cavalleria Rusticana", com dois personagens em trajes tradicionais italianos dançando em uma rua de arquitetura clássica Wikimedia

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A música clássica e o teatro se encontram em Campo Grande amanhã e nesta quarta-feira, com a apresentação de “Cavalleria Rusticana”, ópera de Pietro Mascagni, no Teatro Glauce Rocha.

O espetáculo, realizado pelo Coro Lírico Cant’Arte e pela Companhia de Ópera do Pantanal, começa às 19h30min nos dois dias. A entrada é solidária, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível.

Estreada em 1890, em Roma, “Cavalleria Rusticana” é uma ópera em ato único e uma das obras mais conhecidas do chamado verismo italiano, corrente que ganhou força no fim do século 19, ao buscar representar personagens populares, conflitos sociais e situações marcadas por paixões intensas e consequências trágicas.

Com libreto de Giovanni Targioni-Tozzetti e Guido Menasci, a obra foi baseada na novela e na peça homônimas do escritor italiano Giovanni Verga.

A história se passa em um povoado da Sicília, no sul da Itália, durante o Domingo de Páscoa, e acompanha um triângulo amoroso que envolve desejo, ciúme, traição e vingança.

A trama começa com o retorno do soldado Turiddu ao povoado. Antes de partir para a guerra, ele mantinha um relacionamento com Lola, mas, durante sua ausência, ela se casou com Alfio, um carreteiro. De volta à cidade e diante do casamento da antiga paixão, Turiddu se envolve com Santuzza, uma jovem camponesa.

O relacionamento, porém, não se desenvolve de maneira tranquila. Santuzza percebe que Lola continua a se aproximar de Turiddu e passa a desconfiar de uma nova traição. A situação se agrava quando ela revela suas suspeitas a Alfio, que reage com fúria e decide confrontar o rival.

Paixão e ciúme

A ópera se desenvolve ao longo de um único ato, acompanhando os acontecimentos de um Domingo de Páscoa. Enquanto a população se reúne para a celebração religiosa, Santuzza procura Mamma Lucia, mãe de Turiddu, para falar sobre o sofrimento provocado pelo relacionamento.

A jovem conta que Turiddu amava Lola antes de ir para o exército e que, após retornar, passou a se relacionar com ela. Santuzza acredita, porém, que Lola voltou a seduzi-lo.

Quando Turiddu aparece, Santuzza tenta o convencer a não a abandonar. O diálogo entre os dois não resolve o conflito e a situação culmina na revelação feita por Santuzza a Alfio. A partir daí, o confronto entre os dois homens se torna inevitável.

Após a missa, os moradores se reúnem na taverna de Mamma Lucia. Turiddu oferece vinho aos presentes, mas Alfio se recusa a beber, fazendo uma referência à suposta traição de sua esposa. O confronto termina com o desafio para um duelo.

Antes de enfrentar Alfio, Turiddu pede a Mamma Lucia que cuide de Santuzza. O duelo acontece fora de cena e, pouco depois, uma mulher chega trazendo a notícia de que Turiddu foi morto.

Verismo

A estreia de “Cavalleria Rusticana” ocorreu em 17 de maio de 1890, no Teatro Costanzi, em Roma. A obra se tornou um marco do verismo, vertente da ópera italiana associada à representação de histórias mais próximas da realidade cotidiana e de personagens de origem popular.

Em vez de protagonistas ligados à nobreza ou a acontecimentos históricos grandiosos, a obra de Mascagni apresenta camponeses e trabalhadores envolvidos em conflitos pessoais. A narrativa também se caracteriza pela intensidade das emoções e pela presença de um desfecho trágico.

A ópera tem cinco personagens principais: Santuzza, soprano dramático ou mezzo-soprano, camponesa; Turiddu, tenor, aldeão recém-chegado do exército; Mamma Lucia, contralto ou mezzo-soprano dramático, mãe de Turiddu; Alfio, barítono, carreteiro; e Lola, mezzo-soprano, esposa de Alfio.

Em Campo Grande, a montagem será apresentada pelo Coro Lírico Cant’Arte e pela Companhia de Ópera do Pantanal, levando ao palco uma das obras fundamentais do repertório operístico italiano.

A apresentação conta com patrocínio do Correio do Estado, Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sesc-MS, APR Engenharia Elétrica e Consultoria, Concha Móveis, In Dó e Festa Fácil.

O apoio é da Academia Feminina de Letras e Artes de Mato Grosso do Sul (Aflams), da Casa de Ensaio, da Igreja Messiânica Mundial do Brasil e da Premier Viagens.

>> Serviço

“Cavalleria Rusticana”

Data: amanhã e nesta quarta-feira.
Horário: às 19h30min.
Local: Teatro Glauce Rocha, Campo Grande.
Entrada: 1 kg de alimento não perecível.

Saúde

Presidente da Associação Brasileira de Nutrologia alerta para uso de canetas emagrecedoras

Dr. Durval Ribas-Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia, afirma que agonistas incretínicos representam avanço no tratamento da obesidade, mas alerta para riscos do uso sem acompanhamento e defende que a doença seja tratada como condição

28/09/2026 10h00

Presidente da Abran, dr. Durval Ribas-Filho é especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia

Presidente da Abran, dr. Durval Ribas-Filho é especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia Foto: Divulgação

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As chamadas canetas emagrecedoras se tornaram um dos assuntos mais presentes nas conversas sobre perda de peso. Medicamentos à base de agonistas incretínicos, desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes, passaram a ser utilizados também contra a obesidade, depois que pesquisadores observaram a capacidade dessas substâncias de reduzir o peso corporal. 

O avanço, considerado uma revolução na terapia antiobesidade pelo presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Dr. Durval Ribas-Filho, especialista em Nutrologia, Clínica Médica e Endocrinologia, veio, no entanto, acompanhado da banalização do uso.

Durante o Congresso Brasileiro de Nutrologia 2026 (CBN), realizado de sexta-feira a domingo, o médico afirmou que a popularização desses medicamentos precisa ser acompanhada de informação e monitoramento.

Para ele, o problema não está na existência dos medicamentos, mas na transformação de uma terapia médica em uma solução rápida para quem pretende perder poucos quilos.

“Os agonistas incretínicos não deixam de ser uma revolução na terapia antiobesidade. É uma descoberta maravilhosa”, afirmou. Segundo Ribas-Filho, a mesma velocidade com que as substâncias ganharam espaço no mercado também contribuiu para que fossem utilizadas fora do contexto para o qual foram desenvolvidas.

O especialista compara o fenômeno ao que ocorreu com o minoxidil, originalmente sintetizado para o tratamento da hipertensão arterial e que posteriormente passou a ser utilizado principalmente contra a queda de cabelo.

No caso dos agonistas incretínicos, a descoberta do efeito sobre o peso abriu caminho para uma nova geração de medicamentos contra a obesidade.

A origem dessas substâncias, explica o médico, é anterior às atuais canetas. Em 1932, o médico belga Jean La Barre identificou os hormônios produzidos pelo intestino e utilizou o termo incretinas.

Décadas depois, técnicas de DNA recombinante permitiram modificar a duração da ação dessas moléculas no organismo.

O GLP-1 natural, por exemplo, apresenta ação muito curta. A partir do desenvolvimento farmacológico, surgiram moléculas com duração muito maior.

A liraglutida passou a ter ação de cerca de 13 horas, enquanto a semaglutida e a tirzepatida apresentaram ação prolongada. Dessa forma, medicamentos passaram a reproduzir mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade por períodos muito maiores.

A banalização

Para Ribas-Filho, a popularização dos medicamentos revela também uma dificuldade histórica de tratar a obesidade como uma doença. O médico afirma que, durante décadas, a condição foi encarada predominantemente como uma questão estética ou como consequência de escolhas individuais.

Ele utiliza uma situação cotidiana para ilustrar a diferença de percepção. Em uma festa, segundo o especialista, uma criança com diabetes tipo 1 costuma receber imediatamente a proteção dos adultos em relação ao consumo de açúcar. Já uma criança em tratamento contra a obesidade pode ouvir que “só hoje” não há problema em comer bolo ou tomar refrigerante.

“A obesidade nunca foi considerada uma doença, e sim um problema estético”, disse.

Na avaliação do médico, essa percepção ajuda a explicar por que o uso de medicamentos para emagrecimento acaba sendo banalizado. Ele relata que, ao longo de sua experiência clínica, já atendeu cerca de 55 mil pacientes impactados pela obesidade e ouviu repetidamente relatos de pessoas que começaram a tomar medicamentos prescritos para outras pessoas.

“Quantos e quantos chegam e dizem: ‘Olha, eu vim aqui porque a minha vizinha perdeu peso. Mas eu peguei o remédio dela e comecei a tomar e achei que foi bom’”, contou.

A mesma situação, segundo ele, seria muito menos comum com medicamentos destinados ao tratamento do diabetes. Para Ribas-Filho, isso demonstra que ainda existe uma percepção de que o tratamento da obesidade pode ser feito de maneira improvisada.

O médico cita ainda situações em que pacientes chegam ao consultório após iniciarem o uso por conta própria ou sem acompanhamento adequado. Entre os possíveis problemas estão náuseas, vômitos, constipação e alterações gastrointestinais. Ele também chama atenção para casos graves, como a pancreatite, que exigem atendimento hospitalar.

“Você fica sabendo que fulano perdeu 10 quilos, ciclano perdeu 20 quilos, beltrano perdeu 30 quilos. Mas quem foi internado por pancreatite, por refluxo, por náuseas e vômitos severos, por constipação intestinal, a gente não fica sabendo. Então, o problema é esse: a banalização”, afirmou.

Obesidade não tem fim

Outro ponto destacado pelo especialista é que a perda de peso não encerra o tratamento da obesidade. Para Ribas-Filho, o maior desafio não é apenas fazer o paciente emagrecer, mas ajudá-lo a manter o peso perdido.

“Obesidade é doença crônica. Doença crônica requer tratamento crônico. Se o tratamento para, a doença volta, a doença recrudesce”, declarou.

O raciocínio, segundo ele, é semelhante ao de outras doenças crônicas, como hipertensão e diabetes. A interrupção do tratamento pode levar novamente à alteração dos parâmetros que estavam controlados.

O organismo também apresenta mecanismos de defesa contra a perda de peso. De acordo com o médico, quando uma pessoa emagrece, alterações hormonais podem aumentar a fome e favorecer a recuperação do peso. Por isso, interromper abruptamente uma terapia sem acompanhamento pode dificultar a manutenção do resultado.

Ribas-Filho afirma que ainda não existem respostas definitivas para todas as questões relacionadas à manutenção do peso após o uso dos agonistas incretínicos. Segundo ele, uma das possibilidades estudadas na prática clínica é uma redução gradual da frequência ou da dose, mas a estratégia deve ser individualizada e acompanhada por profissional habilitado. “Parar totalmente é muito, muito, muito difícil”, disse.

Desafio sanitário

A popularização das canetas também abriu espaço para um mercado paralelo, com produtos de procedência duvidosa, armazenamento inadequado e substâncias que ainda não foram aprovadas para uso.

Ribas-Filho cita como exemplo a retatrutida, que vem sendo divulgada nas redes sociais como se já estivesse disponível para tratamento. Segundo ele, a substância ainda não havia sido aprovada para comercialização como medicamento.

“A ânsia por algo novo é tão grande que as pessoas acreditam que já tem a retatrutida no mercado e que podem utilizar. Ela não foi aprovada”, afirmou.

O médico classifica a comercialização de produtos apresentados como retatrutida como um grave problema de saúde pública.

Outra preocupação está relacionada ao armazenamento e ao transporte clandestino de medicamentos. Segundo Ribas-Filho, alguns pacientes chegam ao consultório com produtos transportados de maneira inadequada, fora das condições recomendadas de conservação.

“Esses produtos são iguais à insulina, tem que ter uma boa conservação, então, nós estamos diante de um desafio sanitário”.

O problema não se restringe à origem do produto. A forma como uma substância é armazenada, transportada e administrada também pode interferir em sua segurança.

No caso de medicamentos manipulados, o especialista ressalta que a manipulação de medicamentos faz parte da prática farmacêutica regulamentada e pode ser utilizada em situações específicas, como ajustes individualizados de doses. O problema, segundo ele, está nos produtos sem procedência, comercializados irregularmente ou utilizados sem acompanhamento.

Desinformação nas redes

Outro capítulo da popularização das canetas está nas redes sociais. Para Ribas-Filho, a velocidade de circulação de informações falsas ou distorcidas é um dos maiores desafios atuais da medicina.

O especialista chama atenção especialmente para adolescentes e jovens que buscam formas rápidas de emagrecer. Segundo ele, o fenômeno guarda semelhanças com períodos em que outras substâncias eram utilizadas indiscriminadamente com a promessa de perda rápida de peso.

“A versão de um fato científico é mais forte, é mais robusta do que o próprio fato científico”, destacou.

Ele cita uma pesquisa que, segundo seu relato, comparou a reação de jovens diante de informações científicas e versões não científicas de determinados fatos. A conclusão apresentada por ele é de que a forma como uma informação é apresentada pode ter grande influência sobre a crença do público.

Para o médico, isso cria uma vantagem para conteúdos produzidos por pessoas com grande alcance nas redes sociais, mesmo quando não têm formação ou respaldo científico para fazer determinadas afirmações.

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