Quinta, 23 de Novembro de 2017

Logística precária custa R$ 4 bilhões ao ano para agronegócio

24 AGO 2010Por 09h:26
Fabiola Gomes (AE)

A ineficiência logística custa ao Brasil US$ 4 bilhões ao ano. O cálculo, apresentado ontem pela consultora Elizabeth Chagas, da E.C. Consultoria e Assessoria em Comércio Internacional, durante o congresso Crop World South America, leva em conta perdas geradas na colheita, no transporte – como manuseio e trocas de modal –, na armazenagem e, em menor escala, nos segmentos de varejo e consumo, com apenas 2% deste total.
“Quanto mais eficiente o produtor é antes da porteira, mais ele contribui para que as perdas aumentem, por causa dos problemas logísticos”, afirma. O cálculo foi feito com base na projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta produção de 147 milhões de toneladas para 2009/10 e perda de 10% do volume produzido. “A participação do complexo logístico neste valor supera 80%”, acrescenta.
A consultora observa que com os US$ 4 bilhões perdidos por ano, o País poderia construir quatro portos com 16 berços de atracação, ou 20 terminais de fertilizantes iguais aos que já existem no porto de Santos ou ainda dragar cinco metros em pelo menos 33 pontos de atracação, o que aumentaria a capacidade de receber embarcações e diminuir as filas de navios nos portos brasileiros. “Quando se fala em agricultura, foram criados vários ‘Brasis’ no Centro-Oeste e no Mapitoba (referência às fronteiras no Maranhão, Piauí, Tocantins e oeste da Bahia).
Mas quando se fala em logística, é como se o País tivesse terminado aqui no Sul e Sudeste”, afirma a consultora. Ela observa que as principais obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) dão prioridade para os portos de Paranaguá, Santos e Vitória, mas ressalta que o governo precisa reforçar as alternativas de escoamento da safra pelas regiões Norte e Nordeste.
No caso da soja, Elizabeth estima que o gargalo no escoamento faz o Brasil perder US$ 23 por tonelada de oleaginosa em comparação aos Estados Unidos e Argentina se considerar o preço FOB de US$ 390/tonelada, por conta dos gastos maiores com frete e custo portuário.
Ela calcula que seria preciso construir pelo menos mais dois portos em três anos e dobrar os atuais 28 mil quilômetros de ferrovias em cinco anos para atender a crescente demanda do setor agrícola. Uma das saídas, segundo ela, seria atrair mais investimentos externos para melhorar o sistema logístico nacional. “O País terá que fazer novos investimentos rapidamente se não quiser perder competitividade no mercado global”, avalia.

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