Cidades

EDUCAÇÃO

Livro distribuído pelo MEC defende errar concordância

Livro distribuído pelo MEC defende errar concordância

Redação

14/05/2011 - 12h10
Continue lendo...

Um livro didático para jovens e adultos distribuído pelo MEC a 4.236 escolas do país reacendeu a discussão sobre como registrar as diferenças entre o discurso oral e o escrito sem resvalar em preconceito, mas ensinando a norma culta da língua.

Um capítulo do livro "Por uma Vida Melhor", da ONG Ação Educativa, uma das mais respeitadas na área, diz que, na variedade linguística popular, pode-se dizer "Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado".

Em sua página 15, o texto afirma, conforme revelou o site IG: "Você pode estar se perguntando: 'Mas eu posso falar os livro?'. Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico".

Segundo o MEC, o livro está em acordo com os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) --normas a serem seguidas por todas as escolas e livros didáticos.

"A escola precisa livrar-se de alguns mitos: o de que existe uma única forma 'certa' de falar, a que parece com a escrita; e o de que a escrita é o espelho da fala", afirma o texto dos PCNs.

"Essas duas crenças produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a forma de falar do aluno, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos", continua.

Heloísa Ramos, uma das autoras do livro, disse que a citação polêmica está num capítulo que descreve as diferenças entre escrever e falar, mas que a coleção não ignora que "cabe à escola ensinar as convenções ortográficas e as características da variedade linguística de prestígio".

O linguista Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, critica os PCNs.

"Há uma confusão entre o que se espera da pesquisa de um cientista e a tarefa de um professor. Se o professor diz que o aluno pode continuar falando 'nós vai' porque isso não está errado, então esse é o pior tipo de pedagogia, a da mesmice cultural", diz.

"Se um indivíduo vai para a escola, é porque busca ascensão social. E isso demanda da escola que lhe ensine novas formas de pensar, agir e falar", continua Bechara.

Pasquale Cipro Neto, colunista da Folha, alerta para o risco de exageros. "Uma coisa é manifestar preconceito contra quem quer que seja por causa da expressão que ela usa. Mas isso não quer dizer que qualquer variedade da língua é adequada a qualquer situação."
 

TRAGÉDIA

Vigilante morre após ser atingida por caminhonete conduzida por militar em Campo Grande

Entre os objetos apreendidos dentro da caminhonete estavam uma garrafa de whisky e latas de cerveja

20/06/2026 12h00

Impacto da batida lançou a motociclista ao solo; motorista perdeu o controle da caminhonete e atingiu uma árvore

Impacto da batida lançou a motociclista ao solo; motorista perdeu o controle da caminhonete e atingiu uma árvore Karina Varjão

Continue Lendo...

A vigilante Miriam Rosa Matos, de 44 anos, morreu na manhã deste sábado (20) após ser atingida por uma caminhonete conduzida por um militar do Exército na região central de Campo Grande. O acidente ocorreu no cruzamento das ruas Maracaju e Padre João Crippa.

O condutor do veículo, identificado como Victor Vicentin Rocha, de 22 anos, ficou ferido e foi encaminhado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Coronel Antonino. Após receber atendimento médico, ele foi liberado e levado à delegacia, onde deve prestar esclarecimentos sobre o caso.

As circunstâncias do acidente são investigadas pela Polícia Civil. Informações preliminares apontam que o motorista pode ter se envolvido em uma colisão anterior antes de atingir a motociclista. A suspeita é de que ele seguia em alta velocidade quando ocorreu a batida fatal.

Conforme os levantamentos iniciais, Miriam trafegava pela Rua Padre João Crippa quando foi atingida pela caminhonete que descia a Rua Maracaju. Com a força do impacto, a motociclista morreu no local.

Após a colisão, o motorista perdeu o controle da direção, atingiu uma árvore e parou próximo à entrada de uma clínica particular. Equipes de resgate e das forças de segurança foram acionadas para atender a ocorrência.

Durante os trabalhos no local, policiais encontraram recipientes de bebidas alcoólicas dentro da caminhonete. Entre os objetos apreendidos estavam uma garrafa de whisky e latas de cerveja.

Além disso, publicações feitas pelo próprio militar em uma rede social mostram que horas antes do acidente, ele aparece dentro da caminhonete exibindo uma garrafa de conhaque. Em outras postagens, o jovem aparece acompanhado de amigos durante a madrugada.

A Polícia Civil também recolhe imagens de câmeras de monitoramento da região e aguarda os laudos periciais que irão apontar a velocidade do veículo e auxiliar na reconstituição da dinâmica do acidente. O caso segue em investigação.

Assine o Correio do Estado

CAMPO GRANDE

Assassino de agente penitenciário é morto pelo Choque em Campo Grande

Homem também era apontado como receptador e investigado por crimes graves; execução de agente penitenciário aconteceu em 2015 em frente a Casa do Albergado

20/06/2026 11h30

Ocorrência foi registrada na noite desta sexta-feira (19), no São Conrado, em Campo Grande

Ocorrência foi registrada na noite desta sexta-feira (19), no São Conrado, em Campo Grande Divulgação

Continue Lendo...

Um homem de 45 anos morreu após ser baleado por policiais do Batalhão de Choque (BPChoque) durante uma abordagem na noite desta sexta-feira (19), na Vila São Conrado, em Campo Grande. Identificado como Marcelo da Silva Gonçalves, conhecido como “Buguinho”, ele era procurado por equipes que realizavam patrulhamento em busca de uma motocicleta vermelha utilizada no roubo de um iPhone.

Conforme o boletim de ocorrência, os policiais avistaram um veículo com as mesmas características trafegando na contramão e iniciaram a abordagem. Ao perceber a aproximação da viatura, Marcelo parou a motocicleta e desembarcou.

Ainda segundo o registro policial, ele desobedeceu às ordens da equipe e, em determinado momento, tentou sacar uma arma que carregava na cintura. Diante da situação, o comandante da guarnição efetuou cerca de quatro disparos contra o suspeito.

Marcelo foi desarmado e socorrido pelos próprios policiais ao Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, mas não resistiu aos ferimentos. A perícia apreendeu um revólver calibre .38 com numeração suprimida e cinco munições intactas. Também foi constatado que a motocicleta utilizada por ele era produto de furto registrado no dia anterior.

Segundo informações da polícia, Marcelo possuía extensa ficha criminal, com registros por homicídio, tentativa de homicídio, associação criminosa, tráfico de drogas, receptação, porte irregular de arma de fogo, furtos e evasão de custódia, entre outros delitos.

Além disso, ele estava entre os investigados pela execução do agente penitenciário Carlos Augusto Queiroz de Mendonça, assassinado em fevereiro de 2015 em frente à antiga Casa do Albergado, em Campo Grande. À época, as investigações apontaram Marcelo como mentor da ação, motivada por desavenças com agentes penitenciários.

Letalidade policial volta ao nível de 2023

Esta foi, conforme acompanhamento da imprensa, a 61ª morte do ano em decorrência de intervenção policial em Mato Grosso do Sul. Com mais este caso, a letalidade policial volta a registrar em 2026 praticamente o mesmo ritmo observado em 2023, ano que fechou com recorde histórico de 131 mortes decorrentes de ações das forças de segurança no Estado.

Com mais este caso, a letalidade policial, que vinha apresentando redução nos dois últimos anos, voltou a operar em um ritmo semelhante ao registrado em 2023, quando o Estado alcançou o maior número de mortes por "intervenção legal de agente do Estado" desde o início da série histórica disponível. 

Naquele ano, primeiro da gestão do governador Eduardo Riedel e do então comandante-geral da Polícia Militar, coronel Renato dos Anjos Garnes, foram contabilizados 131 óbitos. O número representou uma morte a cada 66,8 horas. 

Agora, depois dos 171 dias de 2026, as 61 mortes registradas equivalem a um intervalo médio de aproximadamente 67 horas entre cada ocorrência, praticamente o mesmo índice observado no ano recorde. 

Em 2024, quando os dados oficiais apontaram 86 mortes, o intervalo médio entre os casos foi de 101,8 horas. Já em 2025, houve nova queda, para 73 registros, o equivalente a uma morte a cada 120 horas, ou cinco dias. 

Mesmo assim, as 73 mortes registradas em 2025 permaneceram acima dos números observados em qualquer ano anterior a 2023. O recorde anterior pertencia a 2019, quando a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) contabilizou 70 mortes decorrentes de intervenção policial. 

Os dados oficiais da Sejusp apontam 54 mortes neste ano. Já o levantamento realizado por veículos de imprensa, com base nos registros divulgados pelas forças de segurança, contabiliza 61 casos até este sábado (20).

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).