Política

GOVERNO DILMA

Líderes do movimento negro dizem que questão racial deve ser prioridade

Líderes do movimento negro dizem que questão racial deve ser prioridade

R7

20/11/2010 - 09h48
Continue lendo...

Neste sábado (20) é celebrado o Dia da Consciência Negra, o primeiro depois da aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho deste ano. Apesar de reconhecerem os avanços recentes, líderes do movimento negro afirmam que o próximo governo terá muitos desafios, como a ampliação do ProUni (Programa Universidade para Todos) e a aprovação de novos projetos que visem à igualdade de oportunidades.

A questão racial deve ser prioridade no país, segundo lideranças do movimento. Presidente do Instituto da Mulher Negra Geledés, Nilza Iraci Silva, afirma que o principal avanço do governo Lula foi a criação da Seppir (Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial), em março de 2003. Mas ela pondera que a situação está longe de ser a ideal. Nilza destaca que faltam políticas públicas efetivas que beneficiem a população negra.

- O problema é quais são os recursos destinados a essas secretarias, e [quais são] as políticas efetivas implementadas pelos outros ministérios.

Para o fundador da ONG Educafro, frei David Raimundos Santos, a maior conquista da população negra no governo Lula foi o ProUni (Programa Universidade para Todos), criado em 2004.

- Em cinco anos, só o ProUni colocou mais negros nas universidades do que os últimos cem anos de Brasil. E nós, negros, temos a consciência de que o que vai provocar a mobilidade social do povo negro é o acesso à educação de qualidade.

Entretanto, ele ressalta que o programa sozinho não é totalmente eficaz. O fundador da Educafro espera que Dilma amplie o projeto e crie uma bolsa para auxiliar os estudantes atendidos pelo ProUni nos gastos de transporte e alimentação.

- [Dilma precisa] fazer com urgência um plano para que todo aluno que entrou na universidade com bolsa possa ter direito à bolsa permanente [para transporte, alimentação e livros]. Porque muitas pessoas pobres e negras estão entrando na faculdade, mas, por não ter dinheiro [para se manter no curso], estão abandonando. E nós queremos otimizar em 100% o ingresso do negro e pobre na universidade.

Outro desafio para o próximo governo é, na opinião dele, aprovar com mais rapidez os projetos da comunidade negra que tramitam no Congresso.

- Existem mais de 15 projetos da comunidade circulando na Câmara e no Senado. Esses projetos todos estão abandonados porque a base governamental não teve prioridade em fazer com que eles fossem votados.

Questionada sobre as expectativas para o próximo governo, Nilza, do Instituto da Mulher Negra Geledés, afirma que espera um levantamento detalhado de onde e como vivem os negros e quais são os seus principais problemas. Segundo ela, só com esse levantamento será possível colocar em prática as políticas públicas que os beneficiem.

- É preciso levar a questão social a sério. [...] A gente precisa de indicadores sérios em todas as áreas, educação, saúde, trabalho, que demonstrem o lugar que ocupa essa população no Brasil. Uma vez de posse desses dados, podemos criar políticas efetivas de promoção dessa população.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2009, 6,8% dos brasileiros se declaram negros, 43,8% dizem ser pardos e 48,4% se consideram brancos. Outras etnias somam 0,9%, segundo os números da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios).

Comemoração em Campo Grande

Apoiadores atribuem vitória de Lula à mobilização nas ruas

Centenas de pessoas foram à Rua 14 de Julho, na Capital, para comemorar a reeleição

25/10/2026 22h17

Comemoração da virada de Lula, na 14 de Julho

Comemoração da virada de Lula, na 14 de Julho Gerson Oliveira

Continue Lendo...

Centenas de pessoas tomaram a Rua 14 de Julho, em Campo Grande, na noite deste domingo (25), para comemorar a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pela Presidência da República. Entre buzinaços, trânsito congestionado e manifestações de apoio, eleitores apontaram a mobilização popular, as conversas nas ruas e a articulação nas redes sociais como fatores que contribuíram para o resultado.

Para o ator Marcelo Lopes, de 32 anos, a vitória representa a força da escolha da maioria e a defesa de pautas sociais. “A mobilização, a escolha da maioria fez-se valer. As pessoas foram às ruas pensando no coletivo, nos direitos trabalhistas, nos direitos humanos, na segurança jurídica, na economia, em tudo que é melhor para esse país”, afirmou.

Marcelo também avaliou que a movimentação durante o segundo turno surpreendeu eleitores que consideravam a disputa definida após a primeira votação. Na avaliação dele, a mudança de cenário estimulou apoiadores a intensificarem a campanha nas ruas e nas redes sociais. “O segundo turno chacoalhou todo mundo, especialmente as pessoas que deixaram de votar. A tática de virar o voto valeu a pena. A galera se esforçou nas ruas, nas redes, deu certo”, disse o artista em entrevista ao Correoio do Estado. 

A estudante Maria Vitória, de 20 anos, também destacou a importância do contato direto entre eleitores. Para ela, a mobilização nas ruas ajudou a ampliar a visibilidade da campanha e permitiu que as pessoas conversassem sobre as propostas dos candidatos.

Comemoração da virada de Lula, na 14 de Julho

“Eu acreditava, mas era difícil imaginar que realmente acontecesse. Ver o povo saindo às ruas fez acreditar que isso poderia acontecer”, relatou. “O que mais foi fundamental foi o povo sair na rua de novo, esse corpo a corpo que uniu de novo e até as pessoas conversarem entre si", completou. 

O autônomo Otávio Nunes, de 22 anos, atribuiu parte da mudança de cenário à circulação de informações nas redes sociais e à busca dos eleitores por dados sobre os candidatos. Para ele, a estratégia de estimular as pessoas a pesquisar e conferir informações ajudou a ampliar o apoio a Lula, especialmente entre quem não havia participado da votação no primeiro turno.

“O canal no WhatsApp fomentou muito mais os votos e as pessoas começaram de fato a pesquisar no Google.Vamos pesquisar, então vamos ver de verdade quais são os fatos, o que a mídia está falando”, concluiu o jovem. 

Crescimento dos votos eem Campo Grande e em MS

Os dados da apuração mostram que Lula ampliou sua votação entre os dois turnos, embora Flávio Bolsonaro (PL) tenha terminado à frente em Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande, Lula passou de 159.856 votos no primeiro turno para 199.121 no segundo, aumento de 39.265 votos. Flávio Bolsonaro também cresceu na Capital, de 289.672 para 312.867 votos, acréscimo de 23.195.

No Estado, Lula recebeu 628.973 votos no segundo turno, ante 516.855 no primeiro, crescimento de 112.118 votos. Flávio passou de 873.351 para 927.892 votos, somando mais 54.541.

Apesar do avanço da votação de Lula, Flávio venceu em Mato Grosso do Sul, com 59,60% dos votos válidos, enquanto o petista obteve 40,40%. No resultado nacional, Lula foi reeleito presidente da República.

Eleições 2026

Nunes Marques: Não houve nenhuma alteração advinda de decisão do STF

Presidente do TSE destacou que tem "absoluta segurança de todo o processo eleitoral"

25/10/2026 22h00

Ministro Kassio Nunes Marques

Ministro Kassio Nunes Marques Foto: Divulgação / X

Continue Lendo...

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, sustentou que a Corte adotou todas as providências necessárias para cumprir a decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou o encerramento da votação em segundo turno em todo o País neste domingo, 25. Ele também destacou que tem "absoluta segurança de todo o processo eleitoral". Por decisão do ministro Cristiano Zanin, proferida às 17h01, o fechamento das urnas foi adiado de 17h para 19h.

"Mesmo diante de todas essas circunstâncias, adotamos todas as providências que se fizeram necessárias e fomos absolutamente exitosos. Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial. Houve prorrogação na forma em que foi decidida. O TSE cumpriu a decisão nos estritos termos em que ela foi proferida e logo após demos fluência à totalização e à disponibilização. Então, temos absoluta segurança de todo o processo eleitoral", afirmou.

Judicialização da política traz consequências para tempo de resposta

Em declaração na noite deste domingo, Nunes Marques, afirmou que as eleições brasileiras experimentaram "um grau elevado de judicialização". Segundo ele, foram submetidos ao Tribunal Superior Eleitoral um total de 2.265 processos referentes às eleições de 2026, dentre esse número foram 827 representações e 446 direitos de resposta.

O presidente da Corte eleitoral deu uma declaração na sede do TSE, em Brasília, após a Corte confirmar a reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 51,78% dos votos válidos, ante 48,22% do adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Nunes Marques não respondeu a perguntas de jornalistas, diferentemente do que ocorreu após a declaração dos resultados no primeiro turno, em 4 de outubro. Estavam presentes na mesa o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e os ministros André Mendonça e Dias Toffoli, além dos demais ministros do TSE, mas nenhum deles se manifestou.

"A hiperjudicialização da disputa política produz consequências inevitáveis para o tempo de resposta jurisdicional. Cada processo exige exame, contraditório, análise técnica, fundamentação e, quando cabível, apreciação colegiada", criticou Nunes Marques.

"A celeridade é indispensável em matéria eleitoral, mas celeridade não pode se sobrepor à adequada prestação jurisdicional. Nosso desafio para os próximos ciclos será, portanto, continuar aperfeiçoando procedimentos, racionalizar fluxos e encontrar mecanismos que permitam oferecer respostas ainda mais céleres sem abrir mão das garantias que caracterizam o devido processo legal", completou.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).