Sexta, 17 de Novembro de 2017

Leilão do PTB pode gerar rebelião no partido

2 ABR 2010Por 21h:21

Marco Eusébio

 

Lideranças do PTB de Mato Grosso do Sul contrárias a apoiar a reeleição do governador André Puccinelli (PMDB) ameaçam rebelar-se contra o que classificam de "leilão" promovido pelo presidente regional da legenda, Ivan Louzada. Defensores de aliança com o ex-governador José Orcírio Miranda dos Santos (PT), cuja proposta entendem como "mais política do que financeira" e que pode ajudar no crescimento do partido, petebistas como o produtor rural Zelito Ribeiro, o advogado Antônio Trindade Neto e Eduardo Lopes Miranda prometem, se necessário, acionar a direção nacional, a bancada do PTB no Congresso e até pedir intervenção.

"Estamos convocando lideranças de todo o Estado para vir a Campo Grande, no dia 9, acompanhar a reunião da executiva para decidir sobre o apoio ao André ou ao Zeca (Orcírio)", disse ontem o advogado Antônio Trindade. Zelito Ribeiro, que participou da reunião de Louzada com o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, em Cuiabá (MT), no fim de semana, disse que na ocasião ficou combinado que a decisão em Mato Grosso do Sul teria participação do diretório regional. Entretanto, depois de receber na terça-feira o governador Puccinelli, Louzada anunciou que a decisão será tomada pela executiva, formada por dez integrantes.

Os descontentes alegam que na executiva só existe gente ligada ao presidente, o que pode significar "cartas marcadas" na decisão. "O partido tem de ser ouvido em sua base. O presidente e seu grupo não podem decidir sozinhos", afirmou. "Essa executiva não tem representatividade política, já que nenhuma grande liderança do PTB participa", disse o advogado, citando Zelito Ribeiro, de Aquidauana; o ex-deputado Valdenir Resende, de Dourados; o empresário e suplente de senador Antônio João Hugo Rodrigues, da Capital; e outros nomes que, "apesar da representatividade, são excluídos das decisões".

 

Proposta política

Trindade, Zelito e outras lideranças consideram a proposta do PT, que ofereceu a vaga de vice da chapa majoritária, duas secretarias num eventual governo, estrutura de campanha e possibilidade de manter a suplência do senador Delcídio do Amaral com o partido, "é uma proposta política" que alavancaria o crescimento do partido. "Eleger um vice-governador é importante e, caso o Delcídio conquiste o governo daqui a quatro anos, o PTB estadual pode ter um representante no Senado", ponderou Trindade Neto. "O PTB não pode se dar o luxo de descartar essa proposta, como faz o presidente Louzada dizendo à imprensa que não interessa a vice, nem secretaria, que só quer dinheiro. A não ser que esteja querendo resolver algum problema pessoal", afirmou.

Trindade Neto admite que a proposta de Puccinelli "é atraente na questão financeira, pois o governador afirmou que estrutura não será problema". Lembrou, porém, que a participação política do PTB será nula com o PMDB. "O governador deixou bem claro que o PTB não terá espaço na sua chapa majoritária nem no primeiro escalão do governo. Isso é desestimulante para um partido que quer se fortalecer", lastimou. "Para piorar, corre em sites de notícia que o presidente do PTB já teria batido o martelo em favor da oferta do governador. O que mais preocupa é que o presidente não veio a público se explicar", reclamou o advogado. "Se Getúlio Vargas estiver vendo o que estão fazendo no Estado com a história do PTB, deve estar se revolvendo no túmulo", emendou.

Em Dourados, o ex-deputado estadual Valdenir Machado disse acreditar que Louzada conduz corretamente as conversações. "Primeiro defendeu candidatura própria, com o Zelito para governador e comigo para o Senado. Como o Zelito desistiu por falta de estrutura, está ouvindo propostas do Zeca e do André", ponderou. Para Valdenir, a decisão do dia 9 será tomada pelo conjunto do partido, com participação do diretório regional. "A maioria do partido tende a apoiar o Zeca, porque entende que a proposta do PT é melhor", disse ontem Machado. Conforme anunciou o presidente Louzada, entretanto, a decisão será tomada pelos dez membros da executiva. O presidente Ivan Louzada foi procurado ontem, mas não respondeu às ligações. (colaborou Fábio Dorta, de Dourados)

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