Cidades

Gleisi Hoffmann:

Laudos da Funai não serão desconsiderados nas demarcações

Laudos da Funai não serão desconsiderados nas demarcações

Agência Brasil

03/06/2013 - 19h00
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Diante da onda de protestos indígenas pelo país contra as mudanças no processo de demarcação de terras indígenas, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, disse hoje (3) que a ampliação do número de instituições a quem os processos serão submetidos não desconsidera o papel da Fundação Nacional do Índio (Funai) no trâmite.

A Funai é responsável pela elaboração dos laudos antropológicos que determinam a criação de novas terras indígenas. No entanto, o governo quer que esses processos sejam submetidos a pareceres da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário. O governo já suspendeu novas demarcações no Paraná e no Rio Grande do Sul.

“A Funai tem, claro, a sua palavra no laudo antropológico, não vai ser desconsiderada de maneira nenhuma. Nós queremos apenas ter instrução de outros órgãos para que a gente possa basear as decisões, porque a decisão de demarcações não é uma decisão só da Funai. Ela sobe para o ministro da Justiça e para a presidenta da República. É importante que a gente tenha o procedimento claro”, argumentou Gleisi.

Segundo a ministra, a incorporação de outros pareceres deixará o processo de demarcação “transparente” e vai permitir que mais setores da sociedade se manifestem, principalmente em áreas de conflito fundiário, que já estão ocupadas por não índios. “O que nós queremos é que naquelas áreas em que já vivam outras pessoas, ou que sejam áreas de produção, principalmente de agricultura e pequena agricultura, que nós possamos ter uma manifestação dos órgãos que têm relação com essas áreas”. As mudanças, na avaliação do governo, deverão reduzir os questionamentos judiciais de demarcações e as disputas fundiárias.

Em relação às ordens de reintegração de posse contra indígenas, Gleisi disse que o governo vai cumprir o que for determinado pela Justiça. Na última quinta-feira (30), um indígena terena foi morto a tiros na Fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS), durante um conflito com a Polícia Federal, que cumpria ordem de desocupação.

“Nós temos muitas decisões judiciais que nos colocam obrigações de execução. No caso da Fazenda Buriti nós temos uma decisão judicial que é contrária à demarcação, que data de junho de 2012. E temos uma determinação de desocupação. Temos que seguir o que determina a Justiça, o Estado de Direito é isso. Ele dá direito aos índios, aos agricultores, à população brasileira. E o Executivo tem que cumprir”, disse.

Saúde

Idosa com infecção no pé tem dentes arrancados e morre na Santa Casa

Família alega não ter sido informada do motivo e acionou a Defensoria Pública, que enviou ofício à instituição

30/06/2026 08h00

Marli da Silva morreu em abril deste ano após infecção no pé

Marli da Silva morreu em abril deste ano após infecção no pé Foto: Arquivo Pessoal

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Marli da Silva Andrade, de 66 anos, morreu após uma infecção no dedo do pé se espalhar para o restante do corpo. A idosa estava internada na Santa Casa e a família alega que enfermeiros retiraram todos os dentes da paciente sem autorização prévia e sem esclarecer justificativa para o procedimento dentário.

Por lutar contra a diabetes e ter uma idade avançada, Marli chegou a uma condição em que precisava passar por duas cirurgias em março deste ano. 

Primeiro, o cateterismo, intervenção médica minimamente invasiva utilizada para diagnosticar ou tratar problemas cardiovasculares. Segundo, retirar o dedão do pé direito, que estava infeccionado e precisava ser amputado para que o problema não se espalhasse para a perna.

Depois de três dias aguardando sem que os procedimentos fossem realizados, Marieide da Silva Andrade, filha de Marli, acionou o Núcleo de Atenção à Saúde (NAS), da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. 

As cirurgias foram feitas e foi dada alta para a paciente, mas Marieide diz que sua mãe foi para casa sem avaliação médica de como estava o ferimento. Por isso, a filha afirma que a infecção voltou pouco tempo depois, sendo necessária uma nova intervenção.

“Minha mãe ficou três dias em casa e, então, o pé dela começou a necrosar. Voltamos para Campo Grande e na Santa Casa deixaram a infecção tomar conta do corpo dela e a entubaram. Ela ficou mais de cinco dias com infecção no corpo para depois eles fazerem a retirada da perna dela”, relata a filha à reportagem.

Porém, o caso de Marli ganharia um novo episódio polêmico. Durante os dias internada depois da nova cirurgia, os dentes da idosa foram extraídos sem explicação à família.

“Tiraram os dentes dela sem autorização ou comunicação com alguém da família. Eu fiquei sabendo quando fui visitá-la na UTI [Unidade de Terapia Intensiva] e vi ela com a boca suja de sangue. Perguntei para o enfermeiro e ele não justificou o procedimento, fiquei revoltada. Estamos revoltados com a Santa Casa porque foi uma negligência médica”, comenta.

Após quase 30 dias internada na Santa Casa de Campo Grande, Marli foi transferida para a cidade de Paranaíba, em 21 de abril, onde morreu oito dias depois. 

Agora, a intenção da família é ir atrás da Justiça e processar a instituição hospitalar e os dentistas que realizaram o procedimento dentário sem permissão de parentes.

RESPOSTAS

Para que o caso fosse esclarecido, a Defensoria Pública requisitou à Santa Casa o prontuário médico de Marli. Nele, constava apenas a expressão “extração dentária”, mas não constava o motivo e nem outras informações do procedimento. Por isso, o órgão enviou um novo ofício requisitando esses detalhes e a instituição tem até sexta-feira para responder.

“Foi expedido novo ofício requisitando informações sobre o motivo da extração dentária feita na paciente, pois de início não teria relação com a enfermidade dela, bem como a quantidade de dentes extraídos e qual o destino dado aos dentes. Este último, ainda estamos aguardando resposta, com prazo que vencerá daqui a quatro dias”, disse a defensora Eni Diniz, que coordena o NAS.

Ainda segundo ela, dependendo da resposta da Santa Casa, o caso pode ser encaminhado para autoridades para que seja investigado a fundo. 

“Talvez com a divulgação desse caso, apareçam novos casos similares que podem contribuir para uma apuração. A partir da resposta faremos os encaminhamentos necessários”, conclui.

Em resposta ao Correio do Estado, o hospital afirmou que o procedimento foi realizado pois a paciente apresentava “uma condição bucal bastante comprometida”, além de garantir que manteve contato com a família de Marli durante todo o tempo de internação no hospital.

‘‘A equipe médica manteve diálogo constante com a família, que estava plenamente ciente da situação clínica e relatou inclusive que a paciente já havia buscado atendimento em unidades básicas de saúde, sem conseguir realizar as extrações necessárias. Todas as condutas adotadas seguiram protocolos médicos e foram discutidas com os familiares, assegurando transparência e responsabilidade no atendimento prestado”, pontua a Santa Casa. 

OUTRO CASO

O caso da Marli se assemelha ao de Jussara Marisa Aparecida Pereira Delmondes, de 49 anos, a família dela também pretende ir atrás da Justiça após entender que teria havido negligência por parte da Santa Casa no tratamento da mulher.

Ela morreu em outubro do ano passado por causa de uma infecção bacteriana, após o hospital não retirar uma haste intramedular de sua perna no tempo estipulado clinicamente, como mostrou matéria do Correio do Estado.

No fim de 2024, Jussara teve o fêmur quebrado após sua mãe tentar colocar a fralda nela. Ela foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, posteriormente, encaminhada para a Santa Casa.

Após analisar a situação, o médico responsável pelo caso decidiu que a melhor opção era colocar a haste intramedular, implante ortopédico de titânio ou aço que atua como uma tala interna, que tem a função de estabilizar a fratura, manter o alinhamento e distribuir a carga. Essa cirurgia foi realizada em janeiro de 2025.

Porém, depois de diversas tentativas de retorno, sem sucesso, e 16 dias depois de a família conseguir judicializar o caso na Defensoria Pública, Jussara morreu no dia 23 de outubro, quase 10 meses depois da cirurgia.

Na certidão de óbito, a causa da morte aparece como “insuficiência respiratória aguda, choque séptico, foco cutâneo de joelho direito, haste intramedular extrema infectada (outras condições significativas que contribuíram para a morte), fratura de fêmur direito em 2024”.

* Saiba 

Na semana passada, a Defensoria Pública ingressou com três ações civis públicas contra a Santa Casa de Campo Grande, após a visita no local apontar irregularidades assistenciais que estariam prejudicando pacientes do hospital.

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dose zero

Após casos de sarampo, Ministério da Saúde recomenda vacinar bebês

Imunizante deverá ser aplicado em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias

29/06/2026 22h00

Vacina contra o sarampo

Vacina contra o sarampo Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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O Ministério da Saúde reforçou a necessidade da aplicação da vacina contra o sarampo na capital paulista após três crianças menores de dois anos contraírem a infecção na zona norte da cidade, na última sexta-feira (26). O órgão também recomenda a aplicação do imunizante em Guarulhos, devido à intensa circulação de pessoas.

A vacina recomendada é a “dose zero”, que deve ser aplicada em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias. O imunizante reforça a proteção em uma faixa etária altamente suscetível a infecções e agravamentos da doença. O procedimento também contribui para impedir que mais indivíduos sejam infectados.

A dose não substitui as já previstas no Calendário Nacional de Vacinação, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas de 12 meses a 59 anos.

Além do reforço vacinal, estão sendo adotadas medidas de vigilância para conter a transmissão local, como busca ativa de casos suspeitos, identificação e monitoramento de contactantes, investigação epidemiológica e bloqueio vacinal nas áreas de risco.

Casos de sarampo

O Ministério da Saúde informa que os três casos de infecção podem ter ocorrido por meio do contato com pessoas procedentes do exterior. Além disso, das três crianças que testaram positivo, duas estudam na mesma creche e a terceira mora na mesma região.

No ano passado, o Brasil registrou 38 casos de contaminação por sarampo. Contudo, permanece o status de país livre do sarampo, visto que os casos aconteceram por importação.

O mesmo não pode ser dito de outros países do continente americano, principalmente da América do Norte, que concentram alta circulação da doença. No México, foram registrados 11.771 casos neste ano. Nos Estados Unidos, foram 2.104 pessoas infectadas e no Canadá, 1.073 casos.

A ascensão do sarampo fez com que a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) retirasse do continente americano, no ano passado, o status de região livre de transmissão endêmica.

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