Sábado, 18 de Novembro de 2017

Laudo confirma ferrugem alaranjada em produção de cana do Estado

10 AGO 2010Por 04h:35
ADRIANA MOLINA

Foi confirmado pela Superintendência Federal da Agricultura de Mato Grosso do Sul (SFA) o primeiro caso da ferrugem alaranjada da cana-de-açúçar no Estado. Dois exames, um feito pela SFA e outro pelo Instituto Biológico de São Paulo, identificaram o fungo Puccinia kuehnii, em área da Usina ETH, unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul.
A lavoura infectada é da variedade RB 72454, tem cerca de 133 hectares e está dentro da fazenda Rancho Alegre, arrendada pelo grupo ETH Bioenergia. De acordo com o fiscal federal agropecuário Ricardo Hilman, a confirmação a princípio não deve gerar nenhum tipo de restrição de trânsito, assim como ocorre com outras doenças que atingem o setor agropecuário, como ferrugem da soja e febre aftosa.
“Como é uma doença nova, ainda não há legislação específica para tratar dos procedimentos em casos como esse. E como existem apenas duas variedades susceptíveis à doença, que representam cerca de 15% das lavouras de MS, acredito que logo, com a substituição delas, o problema será resolvido”, pondera.
Além da RB 72454, a SP 1115 também pode ser afetada pelo fungo que, segundo a fitopatologista, fiscal federal agropecuária, Sônia Maria Salomão Arias, age na planta causando uma espécie de ferrugem nas folhas, afetando a capacidade de fotossíntese. “Com a redução da fotossíntese, a produtividade fica comprometida, já que há diminuição na produção de sacarose, a matéria-prima usada na fabricação do açúcar e do álcool”, explica.

Prevenção
O procedimento adotado no Brasil, desde que a doença chegou a São Paulo, entre o final do ano passado e início de 2010, é a substituição das lavouras das duas variedades por outras com resistência à ferrugem alaranjada. Na Austrália, em 2000, o fungo afetou 86% dos canaviais, reduzindo em 30% a produtividade das áreas, segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
O presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Roberto Hollanda Filho, afirma que a identificação de focos no Estado já era esperada pela proximidade com São Paulo, onde ocorreram os primeiros no Brasil. E, segundo ele, as 21 usinas implantadas estão preparadas para minimizar as perdas, caso a doença se espalhe.
“Uma usina nunca planta mais que 10% da sua área de uma mesma variedade, ela sempre diversifica. Todas as que têm uma das duas que são susceptíveis ao fungo já estão se organizando para substituí-las em, no máximo, cinco ou seis anos, tempo de renovação dos canaviais”, diz.
Atualmente Mato Grosso do Sul tem cerca de 595 mil hectares com a cultura que, na safra 2010/2011, devem produzir 38 milhões de toneladas de cana, que serão transformadas em 1,9 bilhão de litros de etanol e 1,8 milhão de toneladas de açúcar.

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