Sábado, 18 de Novembro de 2017

Justiça Federal em Goiás decide hoje destino de contrabandista de MS

15 ABR 2010Por 04h:36
Thiago Gomes

Alcides Carlos Greijianin, de 49 anos, conhecido como Polaco e apontado como um dos maiores contrabandistas de cigarros da região de fronteira com o Paraguai, poderá ter a sua pena regredida para o regime fechado e ser transferido para o Presídio Federal de Campo Grande. Pelo menos essa é a pretensão do Ministério Público Federal, que hoje participa da audiência de justificação do acusado, na 5ª Vara da Justiça Federal em Goiás.
Residente em Mato Grosso do Sul, Greijianin encontra-se preso na Superintendência Regional do Departamento de Polícia Federal de Goiás, depois de ter sido capturado no mês passado, em Porto Murtinho, durante barreira da Polícia Federal e Força Nacional.
Ele também é suspeito de envolvimento em pelo menos dois assassinatos, um deles o do auditor da Receita Federal Carlos Renato Zano. O outro é de Amauri Francisco da Silva, esquartejado na cidade paraguaia de La Paloma.

Regressão
O procurador da República Marcelo Ribeiro, do Núcleo de Persecução Criminal, que acompanha o processo, informou ontem que o esforço do MPF é pela manutenção de Greijianin na prisão, uma vez que ele teria demonstrado desinteresse em cumprir suas condenações anteriores, previstas inicialmente para o regime aberto e depois para o semiaberto. A evasão do semiaberto é que teria motivado a sua prisão no mês passado.
Conforme o procurador, o MPF quer a confirmação da cautelar que deu regressão de regime ao condenado, que também é apontado em denúncias da Operação Contranicot, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal.
Ainda segundo seus esclarecimentos, por volta de 2001, Greijianin foi condenado em Goiás a cumprir pena em regime aberto, por crime de contrabando. Como era morador da cidade de Eldorado, em Mato Grosso do Sul, a Justiça permitiu que a pena fosse cumprida no Estado. Todavia, mais tarde descobriu-se que teria usado documentos falsos na execução penal, como comprovando trabalho em empresa inexistente.

Punição
Diante da falsidade, o Ministério Público Federal requereu que houvesse regressão de regime e que a pena fosse cumprida em regime semiaberto. Com as investigações no inquérito instaurado para apurar a falsidade dos documentos apresentados por Greijianin, a Justiça constatou que ele também não comparecia ao semiaberto, no qual ele foi declarado evadido. Expedida a ordem de captura, ele foi preso no mês passado, em Porto Murtinho, e recambiado para Goiás. Agora, o MPF pede nova regressão, desta vez para o fechado.
“Em duas tentativas de ver o cumprimento da sentença da Justiça foram solenemente ignoradas pelo apenado. Na primeira, chegou-se a forçar a alegação de um cumprimento pautado em documentos falsos; na segunda, após o recolhimento, simplesmente houve evasão do estabelecimento prisional, sem qualquer justificativa”, detalha o pedido do MPF, acolhido provisoriamente pelo juízo da 5ª Vara da Justiça Federal em Goiás.
Por entender que em Eldorado o contrabandista não sofre as reprimendas dadas pela Justiça, o Ministério Público Federal quer que ele seja transferido para Presídio Federal. Ao justificar essa medida, o procurador Marcelo Ribeiro lembrou que  Greijianin é apontado em pelo menos seis ações criminais como chefe de quadrilha, o que configuraria uma organização criminosa, um dos requisitos para inclusão no Sistema Penitenciário Federal (SPF).
Mortes
Greijianin é tido como envolvido na morte do servidor da Receita Federal Carlos Renato Zano, em outubro de 2006. O auditor teve o corpo carbonizado dentro de um veículo, na margem da MS-295. As indicações eram de que ele estaria ligado à quadrilha do contrabandista, mas pretendia deixar a facção.
O outro homicídio cujas suspeitas de autoria recaem sobre Greijianin tem como vítima Amauri Francisco da Silva, envolvido em fato denunciado na Operação Contranicot. Ele foi esquartejado em La Paloma, no Paraguai, e colocado em uma bolsa de viagem. Greijianin é acusado de movimentar cerca de R$ 5 milhões por mês em produtos contrabandeados do Paraguai.

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